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Robertabutterfly

"O valor da cada um é relacionado com o valor das coisas às qüais deu importância! "

A DJ Nina Lopes, 37 anos, toca todo sábado na primeira festa fixa voltada para lésbicas de São Paulo. "De um ano para cá, teve um boom de baladas para mulher. Temos eventos de sexta e sábado toda semana e outros esporádicos, uma vez por mês ou a cada 15 dias", conta. Alguns chegam a atrair 2,5 mil pessoas. Nas baladas para mulheres homossexuais, a paquera é sutil.

Em vez de abordagens agressivas, as meninas dançam coladas, lançam olhares, esperam uma resposta. Na Superdyke, festas homossexuais femininas, no UltraClub, onde Nina comanda o som, o público está na casa dos 20 anos. Se em lugares públicos namoradas nem sequer podem dar a mão despreocupadamente, lá, casais dão beijos apaixonados. Na pista, garotas dançam bem perto, encaixando os corpos, numa liberdade difícil de imaginar numa festa heterossexual. As atrações da pista são o ponto alto da noite, com shows de gogo dancers e strippers - moças se aglomeram ao redor do palco e gritam, assoviam. No lounge, casais namoram, conversam e dão risada, como se estivessem em bancos de parque, mas sob a proteção das quatro paredes da casa. As lésbicas querem um espaço só delas.

"Quando se fala em movimento gay, as pessoas nem pensam em mulheres. Então é um jeito de dizer que existimos"
Karina Dias, escritora

Em muitas coisas, as mulheres homossexuais querem ser iguais aos homens gays: nos direitos civis e na aceitação social conquistados, por exemplo. Em outras, querem que suas diferenças sejam respeitadas e valorizadas. O que se constata quando se mergulha no mundo das lésbicas é que elas não querem abrir mão de um espaço próprio. Ou seja, não querem ficar a reboque dos homossexuais masculinos. Para dar conta dessa necessidade, está surgindo um movimento silencioso, com eventos, produtos e serviços voltados para esse público. As baladas que se multiplicam são um exemplo. Mas o fermento dessa iniciativa é a internet. A escritora Karina Dias, 30 anos, começou com um blog e acaba de lançar o romance lésbico "Aquele Dia Junto ao Mar". "Quando se fala em movimento gay, as pessoas nem pensam em mulheres. Então é um jeito de dizer que existimos", afirma Karina, que recebe dezenas de emails por dia de garotas que não sabem como lidar com a descoberta da sexualidade. "Eles vêm carregados de dúvidas e medos. Isso é um grande impulso para continuar escrevendo."

Murillo Constantino; Cauê Moreno

A internet mostrou que havia um público negligenciado até mesmo pela mídia gay. "Dentro de um mundo machista, as lésbicas são a minoria da minoria", diz Paco Llistó, editor do Dykerama (dyke é gíria para lésbica, em inglês), site voltado para lésbicas e bissexuais que existe há dois anos e chega a picos de um milhão de acessos por dia. "O machismo pauta até mesmo parte do movimento LGBT (Lésbicas, gays, bissexuais e transexuais). Não só na militância, mas de forma editorial e cultural", afirma Llistó. "Agora elas começam a ganhar espaço."

Mais recente, o site Parada Lésbica tem também uma rede social só para elas. A editora do site, Del Torres, 29 anos, apostou na diversificação de assuntos, sob a perspectiva homossexual feminina. "Lésbicas, acima de tudo, são mulheres e gostam de textos mais sensíveis", afirma Del. Outra ideia foi criar um ponto de encontro virtual para as meninas. Daí surgiu o Leskut, que tem hoje 19 mil perfis e recebecerca de 100 adesões por dia. "Chats de grandes portais estão cheios de heterossexuais e casais procurando alguém para transar. Como o Leskut é um ambiente mais controlado, elas se sentem confiantes."

Murillo Constantino; Cauê Moreno

A socióloga francesa Stéphanie Arc, autora de "As Lésbicas" (Ed. GLS), que acaba de ser lançado no Brasil, acredita que as homossexuais femininas estão certas em tentar afirmar sua identidade dentro do movimento gay. "Afinal, elas encontram dificuldades específicas na sociedade", reconhece. Mas essa participação é um fenômeno bastante recente. "Existia uma ideia forte de que as mulheres não militavam. E, da forma tradicional, não participavam mesmo", afirma a escritora Valéria Melki, 43 anos. Valéria enfatiza que é importante que a militância assimile as diferenças. "Sexualidade para os homens é um valor, para as mulheres é um horror. Uma mulher sexualmente livre é malvista, ao contrário do homem. Isso afeta a mulher lésbica." A escritora foi uma das criadoras do grupo Umas e Outras, que reunia lésbicas para saraus literários. Outra das criadoras, Laura Bacellar, comemorou um ano da primeira editora lésbica do Brasil, a Malagueta.

Murillo Constantino; Cauê Moreno
LIVROS PARA ELAS Laura Bacellar e Hanna K são casadas e sócias da editora Malagueta, de literatura lésbica

Laura fundou a editora junto com sua companheira, Hanna K. "Nos nossos romances, queremos protagonistas e visão homossexuais claras e assumidas", afirma Laura. Há duas gerações escrevendo atualmente: autoras mais velhas, entre 40 e 50 anos, que participaram da primeira fase do movimento gay, e uma nova geração, na casa dos 30 anos, que se formou na internet. "É um pouco mais fácil para elas do que foi para a geração anterior, as famílias aceitam com mais tranquilidade", diz Laura. "Elas são mais diretas em seus textos para falar o que acontece na cama, em detalhes, sem tanto pudor."

Outras editoras estão despertando para o nicho. O Grupo Editorial Summus tem o selo GLS, que só neste ano lançou seis títulos e cresceu 10% mais do que o resto do grupo. "As publicações voltadas para as lésbicas estão mais interessantes", reconhece Soraia Bini Cury, editora-executiva da Summus. "Mas não existia abertura para esses livros. De uns tempos para cá, elas estão assumindo junto com os gays a militância pelos direitos humanos", diz a editora. Os críticos desse movimento alertam para o perigo de as lésbicas quererem se fechar em guetos, justamente no momento em que os gays estão conseguindo mais espaço na sociedade. A semióloga Edith Modesto, que acaba de lançar "Entre Mulheres", de depoimentos homoafetivos, discorda. "Isso é preconceito", afirma. "Não se trata de se isolar. Pessoas com as mesmas características se sentem bem de ter um espaço próprio para discutir seus assuntos." Para Stéphanie Arc, a ideia de gueto também não se aplica. "Não é um conceito exato, porque o gueto é onde você está à força, contra a sua vontade. E isso jamais me ocorreu quando estou num bar para mulheres."

Murillo Constantino; Cauê Moreno
A NOITE É DELAS Sem assédio masculino, elas ficam à vontade em bares e baladas lésbicas
 
Comportamento  
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  No mundo das lésbicas
Nas baladas e eventos de mulheres homossexuais se constata que elas querem um espaço próprio, independente dos homens gays

Verônica Mambrini
9/25/2009

Zélia Duncan mostra coragem e poesia no Teatro da UFPE

Publicado em 20.09.2009, às 12h57

 

uma plateia assistia, atônita, a uma das mais surpreendentes apresentações da cantora Zélia Duncan, na nova turnê Pelo Sabor do Gesto, no lotado Teatro da UFPE.

Com 28 anos de carreira, a carioca ousou ao montar um espetáculo privilegiando todas as músicas do novo CD, recém-lançado pela Universal, e ainda sem nenhum super hit tocando nas novelas. Poucos conheciam as letras e, talvez por isso, o show tenha sido perfeito. Um problema na abertura – Zélia ficou no escuro nas duas primeiras músicas – parecia ter tirado parte do brilho da apresentação. Mas a cada canção, um novo sentimento, uma nova poesia.

Boas Razões abriu o show com estilo, seguida por Ambição e Telhados de Paris – esta última uma das melhores surpresas da noite. Radiante pela forma como foi recebida pelo público do Recife, Zélia interagiu o tempo todo, respondendo a elogios de forma bem-humorada. Quando pedida em casamento por um rapaz da plateia, disse que não podia aceitar, simplesmente porque saía muito à noite. A música de trabalho do CD, Tudo Sobre Você, foi tocada duas vezes e encantou pela sonoridade com grife (John Pato Fu Ulhoa) e beleza da letra.

A emoção durante a performance de Todos os Verbos, cantada em voz e Libras (Linguagem brasileira de sinais), deixava clara a direção da atriz Ana Beatriz Nogueira, que conduziu uma Zélia mais leve e intimista, capaz de repassar para cada um da plateia, um sem-fim de bons sentimentos. O bis veio sem Catedral, reforçando que a noite era dedicada à novidade. Por muita insistência, Zélia cantou em coro o sucesso Não Vá Ainda, talvez a verdadeira mensagem que o público gostaria de deixar à cantora.

Pelo Sabor do Gesto acaba de sair em turnê pelo Brasil e o Recife foi a primeira capital do Nordeste a receber o show. Quem perdeu a única apresentação pode captar parte dessas emoções nas imagens desta matéria ou no CD homônimo, já à venda na cidade. Levará para casa uma Zélia meiga, sonhadora e amorosa, e poderá se perguntar: ela foi sempre assim e eu não sabia?

 

8/28/2009

onde está seu preconceito...

7/28/2009

Espiritismo e Homossexualidade

CHICO XAVIER E HOMOSSEXUALIDADE

 

 

"Não vejo pessoalmente qualquer motivo para criticas destrutivas e sarcasmos incompreensíveis para com nossos irmãos e irmãs portadores de tendências homossexuais, a nosso ver, claramente iguais às tendências heterossexuais que assinalam a maioria das criaturas humanas. Em minhas noções de dignidade do espírito, não consigo entender porque razão esse ou aquele preconceito social impediria certo numero de pessoas de trabalhar e de serem úteis à vida comunitária, unicamente pelo fato de haverem trazido do berço características psicológicas e fisiológicas diferentes da maioria. (...)

Nunca vi mães e pais, conscientes da elevada missão que a Divina Providencia lhes delega, desprezarem um filho porque haja nascido cego ou mutilado. Seria humana e justa nossa conduta em padrões de menosprezo e desconsideração, perante nossos irmãos que nascem com dificuldades psicológicas?"

( Publicada no Jornal Folha Espírita do mês de Março de 1984 )

 


Pergunta: Como se explica o homossexualismo à luz da Doutrina Espírita?

 

CHICO XAVIER : "Temos tido alguns entendimentos com espíritos amigos, notadamente com Emmanuel a esse respeito. O homossexualismo, tanto quanto a bissexualidade ou bissexualismo, como assexualidade, são condições da alma humana. Não devem ser interpretados como fenômenos espantosos, como fenômenos atacáveis pelo ridículo da humanidade. Tanto quanto acontece com a maioria que desfruta de uma sexualidade dita normal, aqueles que são portadores de sentimentos de homossexualidade ou bissexualidade são dignos do nosso maior respeito e acreditamos que o comportamento sexual da humanidade sofrerá, no futuro, revisões muito grandes, porque nós vamoscatalogar do ponto de vista da Ciência todos aqueles que podem cooperar na procriação e todos aqueles que estão numa condição de esterilidade.A criatura humana não é só chamada à fecundidade física, mas também àfecundidade espiritual.Quando geramos filhos, através da sexualidade dita normal, somos chamados... também à ..fecundidade espiritual, transmitindo aos nossos filhos os valores do espíritode que sejamos portadores.

Não nos referimos aqui aos problemas do desequilíbrio, nem aos problemas da chamada viciação nas relações humanas.Estamos nos referindo a condições da personalidade humana reencarnada, muitas vezes portadora de conflitos que dizem respeito seja à sua condição de alma em prova ou à sua condição de criatura em tarefa específica. De modo que o assunto merecerá muito estudo. Nós temos um problema em matéria de sexo na humanidade que precisaríamos considerar com bastante segurança e respeito recíproco.Vamos dizer: se as potências do homem na visão, na audição, nos recursos imensos do cérebro, nos recursos gustativos, nas mãos, na tactividade com que as mãos executam trabalhos manuais, nos pés, se todas essas potências foram dadas ao homem para a educação, para o rendimento no bem, isto é, potências consagradas ao bem e à luz, em nome de Deus, seria o sexo em suas várias manifestações sentenciado às trevas?"

 

( Entrevista concedia à extinta Rede Tupi de Televisão, São Paulo, ao programa "Pinga Fogo", em 28 de julho de 1971 )

7/14/2009

Falando sobre A primeira família de duas mulheres- retirado da revista época

 

Citação

A primeira família de duas mulheres- retirado da revista época
 
 

As psicanalistas Michele Kamers e Carla Cumiotto conquistaram na Justiça o direito de registrar seus filhos gêmeos no nome de ambas

Eliane Brum e Marcelo Min (fotos), de Blumenau (SC)

O primeiro foi Joaquim Amandio, com 2,8 quilos. Dois minutos depois chegou Maria Clara, só alguns gramas mais pesada. Michele estendeu a mão para Carla, deitada na mesa cirúrgica onde fez cesariana. Às 9h55 de 8 de fevereiro de 2007, as palavras faltaram. Com olhos castanhos boiando em lágrimas, Michele acolheu os bebês: “Filhos, a pami está aqui”. Sabia que reconheceriam sua voz porque havia contado a eles muitas histórias ao longo dos nove meses de gestação em que habitaram o ventre de Carla. A enfermeira olhou para Michele: “A Maria Clara é a sua cara”. Michele exultou. Até hoje conta essa história muitas e muitas vezes. Disparou então para o corredor do Hospital Santa Catarina, em Blumenau, gritando: “Meus filhos nasceram, meus filhos nasceram”. Na sala de espera, as pessoas a olhavam com susto. Afinal, como ela acabou de dar à luz e está gritando e correndo feito doida? Nascia ali uma nova família. Diferente, sem dúvida. Mas uma família.

Sem dúvida.

Um mês mais tarde, Carla e Michele anunciaram à escrivã do cartório de registro civil, em Blumenau: “Somos casadas, nossos filhos foram gerados por inseminação artificial e queremos registrá-los no nosso nome”. A mulher perguntou quem era o pai. Michele respondeu: “Eles não têm pai. Têm a mim”. A escrivã afirmou que só poderia registrar em nome da mãe biológica. “Nós vamos tentar na Justiça, então”, disse Carla. A escrivã retrucou: “Podem tentar, o máximo que vão conseguir é um não”.

Em 12 de dezembro de 2008, o juiz Cairo Roberto Rodrigues Madruga, da 8ª Vara de Família e Sucessões de Porto Alegre, disse “sim”. Em 14 de maio, foi determinada a alteração da certidão de nascimento dos gêmeos. Joaquim Amandio e Maria Clara Cumiotto Kamers são agora filhos de Carla Cumiotto e Michele Kamers e seus avós são Alcides e Clara Cumiotto e Jaime e Maria Kamers.

A sentença é histórica. Pela primeira vez é reconhecido na Justiça o direito de uma mulher, sem nenhum vínculo biológico com seus filhos, ocupar um lugar parental. A Justiça gaúcha, conhecida por decisões de vanguarda, reconheceu e legitimou um vínculo afetivo, amparado por uma história de amor de 11 anos entre duas mulheres, comprovada por vídeos, fotos, documentos e testemunhas. “Algumas pessoas pensam que os novos arranjos estão destruindo as famílias”, diz Michele. “Não é verdade. Eu não poderia adotar filhos que sempre foram meus, que nasceram não apenas do desejo da Carla, mas do meu também. Quem critica não pensa no direito dos meus filhos a ter meu nome, minha herança, o meu amparo legal. Lutamos tanto pelo reconhecimento desse vínculo justamente porque acreditamos na importância da família. Tanto que nos autorizamos a reinventá-la. Pode parecer paradoxal, mas somos tradicionais.”

Ao dar a notícia, a advogada Ana Rita do Nascimento Jerusalinsky desandou a chorar. “Essa sentença mostra que a família não morre nunca. Vai viver para sempre, se a sociedade não for preconceituosa”, afirma. “As novas famílias agregam novos membros, alguns que ainda não sabemos como nominar. É uma grande inclusão. E é esse processo social que está nos levando não ao fim, mas à revalorização da família.”

E como nasce uma família? A de Carla e Michele começou numa troca de olhares numa aula de história da psicologia, no campus do pequeno município de Biguaçu, da Universidade do Vale do Itajaí, em Santa Catarina. Michele, 19 anos, era a aluna. Carla, 27, a professora. Ao ver Carla metida em um vestido justo, verde-claro, de um ombro só, as unhas vermelhas, Michele achou que ela era linda. Carla sentiu, como sente até hoje, 11 anos depois, “como se fosse um homem me tirando a roupa com o olhar”.

Quem eram elas até aqui? Michele é filha de comerciantes bem-sucedidos de Florianópolis, descendentes de alemães. Única menina dos três filhos, “era mais menino que os meninos”. Eram garotas os objetos de seus amores de infância. Mas sofria na escola quando a chamavam de “machorra”. Aos 11 anos, tentou resolver a questão da identidade sexual com uma mudança radical. Michele assumiu o estereótipo da garota feminina. Tornou-se modelo. Tão profundamente que sofreu de anorexia e bulimia até os 17 anos. As fotos do book mostram uma loira muito magra, de cabelos longos, encaracolados, olhar profundo. Michele debutou, namorou muitos garotos, foi capa de jornal.

Num evento, ao pegar uma bebida, outra modelo a beijou na boca. Michele descobriu que adorava. Passou a namorar garotos e garotas, sem nada esconder da família. Aos 18 anos, conseguiu conciliar pela primeira vez a mulher que era à posição masculina com que se identificava. Matriculou-se num colégio de padres, tornou- -se ótima aluna e ingressou na psicologia. Quando perfurou Carla com seu olhar na aula da faculdade, era uma mulher bonita, bem cuidada, mas dotada de uma postura e um magnetismo inscritos nas referências culturais como masculinos.

Carla era a caçula de uma numerosa família de imigrantes italianos de Santa Rosa, interior do Rio Grande do Sul. Loira de olhos azuis e traços delicados, sua feminilidade não era apontada numa família de homens com sexualidade explícita. A Carla era destinado o lugar de “intelectual”. Não era feita para namorar, mas para cuidar dos livros. Mesmo assim, namorou por três anos um colega de psicologia. E depois, quando terminou, teve muitos casos de uma noite só. A Carla nunca havia aparecido a possibilidade de amar outra mulher.

Quando Michele, dona de um olhar mais masculino que muitos homens, a encarou, Carla sentiu-se atraída e confusa. Numa noite, as duas encontraram-se num bar e, quando o bar fechou, transferiram-se para um café. Discutiam algo só verossímil no encontro de uma psicanalista e de uma estudante de psicologia: o que sentiam era “querer ou desejo”?

De repente, Carla perguntou: “Para você, é querer ou desejo?”. Michele respondeu bem rápido: “Desejo”. E já pegou a chave do carro e um par de balas de manga. Quando Carla aceitou a bala, ela veio junto com o primeiro beijo. Passaram a noite dentro do carro, na Praia de Jurerê, em Florianópolis. Até hoje guardam o papel da bala e uma foto das roupas do primeiro encontro.

Carla passou alguns anos tentando entender esse amor tão surpreendente em sua trajetória de vida. A liberação erótica só veio no dia em que ela, muito tímida, sussurrou a Michele: “Eu gosto quando você usa camisa”. Funcionou como uma espécie de senha não só para as fantasias sexuais, como para a libertação das palavras usadas na intimidade. “Até hoje eu continuo gostando de homens, olhando para homens. Só olho para as botas ou os cintos das mulheres, não para elas”, diz Carla. “Descobri que gosto de homens masculinos, de mulheres masculinas. Não conseguiria beijar ou transar com um homem feminino ou uma mulher feminina. Por isso, não consigo me apresentar como homossexual. Não por preconceito, mas porque não me interesso por iguais. Pelo contrário, o que me atrai é a diferença de posição, seja em homens ou mulheres.”

Carla e Michele escolheram a cidade de Blumenau para morar. A princípio, uma cidade com fama de conservadora, povoada por descendentes de alemães, poderia parecer uma má escolha. Mas, depois de alguns risos nervosos nos primeiros tempos, as duas tornaram-se respeitadas na comunidade como psicanalistas e professoras universitárias, autoridades em sua área.

Quando o pai de Carla adoeceu, cuidaram juntas dele até quase a morte. Michele, porém, tinha uma queixa. Enquanto participavam com desenvoltura da vida na família de Michele, como casal, a de Carla ignorava a relação. No enterro, a família agradeceu a todos os que ajudaram a cuidar dele na doença, não sobrou nenhuma palavra para Michele. Ela então exigiu ser assumida. Carla não se sentia capaz desse ato, confusa com a novidade do que sentia. Antes de se separar, Michele lhe entregou uma rosa vermelha e dois cálices de champanhe: “Se nunca te casares, saiba que um dia alguém te pediu em casamento”.

Carla namorou “um homem bacana, numa relação muito interessante”. Michele teve casos com várias mulheres, alguns deles ao mesmo tempo. Um dia Carla descobriu que, mesmo vivendo uma relação com um homem que valia a pena, ela gostava mesmo era de Michele. “Acho isso muito importante, bonito”, diz. “Eu escolhi a Michele.”

Depois de vários drinques num bar com uma amiga, decidiu ir até o apartamento de Michele. Ela estava de pijama, no carro, espiando diante da porta do bar. Recomeçaram. Carla procurou cada parente para contar sua escolha. Mãe, irmãos, sobrinhos. Dessa vez, foi Carla que assustou Michele. Ela queria casar. “Para mim, casar era morar junto”, diz Michele. “A gente não teria documento, nenhum papel. Eu queria um ritual”, diz Carla. “Queria tornar público para nossas famílias e amigos, para a comunidade.” Michele debateu-se ao longo de muitas sessões de análise. “Sabíamos que não podíamos ser duas noivinhas. E era eu, claro, que ocuparia a posição de noivo. E noivo usa smoking. Ficava pensando: ‘Será que só eu sou a homossexual’?”. Decidiu mandar fazer um conjunto de calça e casaco, que usou com camisa branca, colar, brincos e maquiagem. Carla encomendou um vestido de noiva a rigor. “Por que eu não poderia me vestir de noiva?”, diz. “Eu me sentia noiva. A Michele não seria minha mulher, mas meu marido.” A casa que compraram juntas, num bucólico bairro de classe média de Blumenau, foi decorada com todos os elementos que testemunhavam sua história: pétalas de rosas vermelhas, grãos de café, velas, mapas das regiões de onde vieram os antepassados, as árvores genealógicas das duas famílias, fotografias, cartas e bilhetes do romance. Michele esperou Carla na porta. E um amigo celebrou o casamento, numa cerimônia em que contou a trajetória daquele amor. No altar, as duas choravam. Era 3 de setembro de 2004.

"Acreditamos tanto na importância da família que
nos autorizamos a reinventá-la. Somos tradicionais"
MICHELE KAMERS

 

"Não me vejo como homossexual. Sou uma mulher
feminina, atraída por homens e mulheres masculinos"
CARLA CUMIOTTO

Em 2005, Carla começou a esboçar um comportamento estranho até para si mesma. Na conversa com uma amiga, trocou a palavra “psiquiatra” por “pediatra”. Depois, ao falar de um bar, em vez do nome “Tip-Tim, disse “tip-top”. Um dia, surpreendeu-se no centro da cidade espiando vitrines de lojas de roupas de bebê. Por fim, começou a sonhar com bebês. E, um dia, quando atravessavam uma ponte, anunciou, sem preliminares: “Michele, acho que quero ter filhos”. O carro quase despencou lá de cima.

Nos dois anos seguintes, as duas discutiram possibilidades e riscos. “Comecei a desejar o desejo dela de ter filhos”, diz Michele. “E um dia tornou-se meu desejo. Mas queríamos ter a tranquilidade de saber que nosso filho ou filha ficariam bem.” Para Michele, havia uma questão crucial. Como seus filhos a chamariam? Nunca houve nenhuma dúvida, na vida e no casamento, de que ela ocupava a posição masculina. “Era claro para mim que eu teria a função paterna na vida do bebê, mas ele não poderia me chamar de pai”, diz. “Era preciso criar outro nome para uma mulher que ocupa a função paterna. Mas qual?”

Muitas sessões de análise depois, Michele chegou à palavra “pami”. Um nome que, mais tarde, entendeu como a união de “pai” e da primeira sílaba de “Michele”, mas também o masculino de uma palavra popular na vida das crianças: “mami”. Na saída do consultório, ligou para Carla. “Encontrei um nome!” Carla respondeu na hora: “Gostei”. A partir da nomeação, a decisão de ter filhos ganhou serenidade. Depois de conversar com o primeiro especialista, em Porto Alegre, compraram na viagem de volta o primeiro presente do bebê. Um Fusca se fosse menino, um dado para a menina – “já que as bonecas ali eram muito feias”.

Ao receber o catálogo, por e-mail, das opções disponíveis no banco de esperma, em São Paulo, optaram por um doador de ascendência alemã, italiana ou portuguesa, para ser parecido com elas, e de olhos castanhos, como os de Michele. Na primeira inseminação, o médico, um especialista renomado, foi taxativo: “Não sei para que tanta emoção se as chances são só de 20%”. Logo depois Carla menstruou, e elas passaram dois dias com a sensação de que alguém tinha morrido. Tentaram de novo. Dessa vez, o médico, um assistente, foi caloroso. “Vai dar certo!” Deixou que Michele fizesse a inseminação. Há fotos com o registro de cada passo. Para elas, era tudo romance. Carla engravidou. E Michele até hoje se vangloria da “pontaria”.

No segundo mês de gestação, ao acompanhar a ultrassonografia, Michele apontou: “Olha só, há outro pontinho preto aqui”. Foi assim que descobriram que teriam gêmeos. Michele adorou. Carla ficou assustada. Aos quatro meses, outra ultrassonografia revelou que os gêmeos eram um casal. Carla relaxou. Já tinham até nomes. Maria Clara era a soma dos nomes das avós: Maria, mãe de Michele, e Clara, mãe de Carla. Joaquim Amandio, dos patriarcas das duas famílias: Joaquim, “nonno” de Carla, e Amandio, avô de Michele. O casal teve o cuidado de inscrever os filhos na linhagem das duas famílias. Eles chegariam ao mundo amparados pela tradição. Pelas paredes da casa, muitas fotos de Joaquim, Amandio, Maria e Clara. Assim como de Joaquim Amandio e de Maria Clara.

Os dois anos de preparação foram decisivos para organizar com amor e inteligência a chegada de crianças que viveriam num arranjo familiar marcado pela diferença. E também para cometer aqueles absurdos dignos de pais que se prezem. Decidiram que Maria Clara seria escritora e Joaquim Amandio aviador. “Loucura, né?”, dizem hoje, rindo muito. Loucura ou não, Joaquim Amandio ganhou um kit aviação. Mas parece ter mais vocação para caminhoneiro, já que não larga seu caminhão cegonheiro por nada.

Carla logo se tornou uma grávida clássica. Com deslocamento de placenta no início da gestação, encolheu o ritmo de trabalho. E sentiu-se uma rainha, mas uma rainha carente. “Você não me olha, não me vê, está sempre trabalhando”, dizia, mal Michele assomava na porta. Se ela se atrasava cinco minutos para chegar da universidade, Carla sentia-se abandonada. Michele então se dedicou a uma ampla reforma do quarto do casal e dos bebês. Iniciar uma reforma, sempre que algo importante está em curso, tornou-se uma marca de Michele.

Quando os gêmeos nasceram, foram tantas as flores que Michele precisou fazer três viagens de carro entre o hospital e a casa para trazê-las. “Eles foram muito bem recebidos”, diz. O primeiro ano foi duro. Carla teve licença-maternidade, Michele nenhuma. “Passava a noite levando os bebês para mamar e depois tinha de acordar às 7 horas para ir à universidade.” É dela o papel de impor limites. Botou horário nas mamadas e aguentou a choradeira, proibindo Carla de chegar perto do quarto para acudir os filhos. Os gêmeos começaram chamando-a de “a pai”. Depois, “a papai”, em seguida “pã”. E, por fim, “pami”. “Quem é o pai da Maria Clara e do Joaquim Amandio?”, perguntou uma coleguinha de escola. “Você tem pai, eles têm pami”, é a resposta. “Eles são filhos seus ou dela?”, indagou um sobrinho na primeira festa de família. “De nós duas”, disse Carla. “Ah, que legal, assim cada uma pode cuidar de um.” Carla e Michele descobriram que as crianças sempre acham uma boa saída. “Que nojo, beijar uma mulher na boca”, disse uma menina na pracinha. “É mesmo, quando elas não se amam, deve ser bem nojento”, retrucou Carla. “Mas, quando se amam, é bonito.” Um garotinho que circulava por perto falou: “Meu pai namora um homem”.

Nem Carla nem Michele vivem em guetos gays. “Nunca me identifiquei como homossexual. Frequentei pouco bares gays. Porque, ao se apresentar como homossexual, me parece que a identidade é reduzida à escolha sexual. Entendo que, na vida, somos homens ou mulheres e, a partir de marcas infantis e dos bons encontros, cada um vai se referenciando a partir do feminino e do masculino”, diz Michele. “Enquanto um casal tem uma relação homoafetiva, homoerótica e quer viver em guetos, problema dele. Mas, a partir do momento em que um casal tem filhos, acho delicado uma criança ser apresentada ao mundo num gueto. Porque todo gueto, e não só o gueto homossexual, visa excluir a diferença. É o confronto com a diversidade, com outras famílias, outras classes sociais, outras experiências, que aumenta as possibilidades, faz com que cada um seja capaz de inventar uma vida melhor. Nas ocasiões em que tentaram eliminar as diferenças, determinar que só existia uma forma de viver, foi muito triste, como no nazismo e no fascismo.”

Michele espera que “pami”, seu nome para os
filhos, vire uma nova palavra inscrita na língua

A pré-escola das crianças foi escolhida por dar prioridade à brincadeira. “Não queremos nossos filhos no computador ou aprendendo inglês, para isso vão ter muito tempo depois”, diz Carla. Quando as crianças fizeram sua estreia para além dos limites da casa da família, Michele e Carla enviaram uma carta à diretora e aos professores. Nela, contavam suas expectativas, sua história de vida e os hábitos dos filhos. A carta é um testemunho de pais amorosos tentando preparar o mundo para os filhos, até que tenham tamanho e maturidade para se defender sozinhos. Num dos itens, denominado “o mito da origem”, escrevem: “Toda criança investiga, lá pelas tantas, de onde eu venho e por que os pais me tiveram. Na verdade, elas querem saber da sexualidade dos pais (não da anatomia), assim como do desejo que as trouxe ao mundo. Isso é o que importa. Como queremos que a escola conte sobre isso para nossos filhos e para as outras crianças, gostaríamos de situar uma pequena história: A mamãe e a pami (nome inventado pela Michele para se apresentar para os filhos) se amavam tanto que chegou uma hora da vida delas que elas quiseram ter filhos. E, como eram duas mulheres, precisavam de um médico que as ajudasse. Aí, elas viajaram para São Paulo e encontraram um médico que as ajudou a encontrar um homem que lhes doou uma sementinha para a vinda dos bebês. Um homem desconhecido, mas muito gentil. É importante que vocês situem que é um doador, e não um pai. Explicar que pai não vem da genética ou do sangue, mas do coração. Por isso, vocês podem explicar que, do mesmo modo que os amiguinhos têm pai e mãe, o Joaquim Amandio e a Maria Clara têm a pami e a mamãe”.

Carla e Michele escreveram uma carta aos professores
da escola para prepará-los para a chegada dos filhos

Na passagem do primeiro para o segundo ano de vida dos gêmeos, Carla e Michele tiveram a primeira crise depois do casamento. Carla reclamava que Michele só pensava no trabalho. Michele dizia que era “a mulher que devia ficar mais com as crianças”. “Imagina se eu casei com uma mulher para ouvir uma coisa machista como essa”, diz Carla.

Hoje, as duas dedicam-se a superar o impasse vivido pela maioria dos casais a partir do primeiro filho: como um casal se transforma em família. “As pessoas acham que, como a gente teve tantas dificuldades para se firmar como casal, não poderia ter crise”, diz Michele. “Temos crises como todo mundo. Nossa questão, no segundo ano, foi como voltar a namorar. Além disso, tenho muitos planos, como fazer meu doutorado na França. Não abri mão desse plano por causa dos bebês ou da Carla. Agora, virou um projeto da família, estamos pensando em morar um tempo na França. A questão aqui é como não perder a singularidade.”

Álbum de família

A história de Michele, Carla, Joaquim Amandio e Maria Clara, contada em imagens

Carla e Michele compartilham o pacto de manter o desejo erótico entre elas. “Nosso casamento começou com erotismo. E a gente não larga mão disso”, diz Carla. “Muita gente, depois de ter filhos, deixa de ser homem e mulher, mas achamos que esse é um preço muito alto. Então estamos reinventando nosso casamento.”

A família vive numa casa ampla e antiga, numa rua sem saída que parece feita para criar filhos. No fim do calçamento há uma mata nativa, onde “pami” faz barquinhos de papel para os gêmeos atirarem no rio. Na outra ponta, há uma pracinha. As crianças brincam pelas calçadas com os filhos dos vizinhos. Lá, são conhecidas como “Mano” e “Mana”. Os consultórios das duas estão instalados na parte frontal da casa, o que torna a vida mais fácil e mais próxima das crianças. Há ainda dois membros completando o clã: os cachorros Sofia, um maltês, e Smeagol, um pincher.

Até o início de maio, Carla e Michele não pensavam em divulgar sua vitória na Justiça. A decisão de expor sua trajetória foi tomada depois que a Justiça negou a um casal de mulheres de Carapicuíba, em São Paulo, a tutela antecipada de seus filhos, uma história revelada pela reportagem de ÉPOCA. Nesse caso, os óvulos de Munira Khalil El Ourra foram implantados no útero de sua companheira, Adriana Tito Maciel, gerando gêmeos. Com a negativa, Carla e Michele entenderam que tinham uma responsabilidade “ética e social”. “Se a gente ficasse quietinha, estaríamos fazendo coro à sociedade do narcisismo. Tipo: eu consegui o meu, os outros que se virem”, diz Michele. “Tornar público é uma tentativa de inscrever essa possibilidade no tecido social. Em nenhum momento a gente fez apologia, como se nosso arranjo fosse uma solução ou nossa família fosse melhor que as outras. Cada um faz seu arranjo para se tornar uma família interessante.”

DE VOLTA PARA CASA
Michele (
à esq.) e Carla retornam depois de passar a manhã brincando com os filhos na pracinha, jogando barquinhos de papel no rio e divertindo-se pela vizinhança da rua onde vivem, em Blumenau, Santa Catarina

Carla e Michele não perderam nenhum paciente devido à exposição, como era o temor de alguns familiares. A reação de pacientes e alunos é de “admiração pela coragem”. “A gente tem uma posição confortável e uma sustentabilidade para dar esse passo sem sofrer com a reação pública”, diz Carla. “As pessoas podem até falar dentro de suas casas, mas não dizem nada para nós. Conseguimos lidar com tranquilidade também porque estamos representadas a partir de diversos referenciais, para além da escolha sexual.” Elas se esforçam para não deixar nada sem dizer. “Enquanto a sociedade pede para esconder, nós fizemos questão de deixar tudo transparente”, diz Carla. Quando são apresentadas a alguém, sempre contam que são casadas e tiveram dois filhos por inseminação artificial. Carla chama Michele de “companheira” ou “marido”. Michele chama Carla de “mulher” ou “princesa”. Ambas se chamam de “amor”. “A gente não acha feio, por isso podemos expor”, diz Michele. “Espero que as pessoas possam mudar um pouco o olhar sobre o que é uma família. Estamos pautadas pelas mesmas leis de toda família, funcionamos a partir dos mesmos códigos. Não estamos fora. Eu tive de inventar um nome, e não é um nome fora da cultura, porque existe um ‘mami’, inventado pelas crianças. Espero que o ‘pami’ possa se inscrever também na cultura, como uma nova palavra, significando coisas diversas para cada um. Tenho muito orgulho da nossa família.”

A história de Joaquim Amandio e Maria Clara está documentada desde o primeiro Kamers e o primeiro Cumiotto que chegaram ao Brasil. Os retratos antigos dividem as paredes da casa com as fotografias que contam o romance de seus pais e seus dois primeiros anos de vida. Michele é quem registra a história dessa nova família. São dezenas de DVDs, centenas de fotos. Até o dia da audiência com o juiz está gravado.

Os gêmeos acordam cedo e pulam dos berços para a cama de “mami” e “pami”. Depois que todo mundo se enrosca um pouco, vão para a mesa do café, quando comem de forma surpreendente para o tamanho. E de tudo um pouco. Depois vão para a rua brincar. À tarde, na escola, Joaquim é conhecido como “conversador” e Maria Clara como “carinhosa”. Michele, Carla ou ambas vão buscá-los. Depois do banho e da mamadeira, as duas se deitam numa joaninha gigante, de pelúcia, até que cada um durma em seu respectivo berço.

No primeiro Dia dos Pais de suas vidas, a escola fez um cartaz com fotografias. Lá está “pami” em duas fotos: uma com Joaquim Amandio, a outra com Maria Clara. Não é a única mulher. Há outras que ficaram viúvas ou cujo marido se tornou ausente – e que tiveram de assumir também a função paterna para os filhos.

A história da família Cumiotto Kamers, não fosse ter duas mulheres à frente, é bem tradicional. Carla e Michele trazem novas nuances à questão. Uma delas é: por que elas não poderiam ser tradicionais? Ou, posto de outra forma, por que, pelo fato de formarem um casal de mulheres, seria imperativo que todas as decisões e arranjos fossem de vanguarda? Se assim fosse, talvez elas não tivessem se empenhado tanto para que sua família fosse reconhecida.

Na volta da escola, a família tem sua brincadeira particular: “Quem é o príncipe do castelo da ‘pami’?”, pergunta Michele. Joaquim responde: “O Mano!”. “Quem é a princesa do castelo da ‘pami’?” Maria Clara diz:“A Mana”. “Quem é a rainha do castelo da ‘pami’?” Carla e os gêmeos afirmam: “A mamãe”. “E quem é a dona do castelo?” Todos gritam, felizes: “A ‘pami’!”.

 

 

A primeira família de duas mulheres- retirado da revista época

 
5/22/2009

casa museu Gilberto Freyre

A Vivenda Santo Antonio de Apipucos, hoje Casa-Museu Magdalena e Gilberto Freyre, está instalada no local em que o escritor escolheu para morar, por mais de 40 anos: o bucólico e tradicional bairro de Apipucos.

A construção, reconhecida como casa-grande original do século XIX e reformada em 1881, abriga o conjunto de objetos colecionados, guardados e ordenados pela família Freyre.

A preservação do ambiente, exatamente como fora concebido por Gilberto, revela a emoção e a sensibilidade diante da formação de um acervo que enfaticamente testemunha a vida de Pernambuco, do país e de diferentes locais do mundo. Aí se confundem imagens sacras católicas com peças de origem africana, azulejos portugueses com peças da arte popular brasileira, porcelanas orientais com prataria inglesa e portuguesa, além de um vasto acervo bibliográfico e de uma rica pinacoteca.

Gilberto Freire casou com 41 anos e sua esposa Magdalena, oriunda do Rio de Janeiro tinha na época 20 anos e formada em Educação Física. Conta-se que Gilberto fez uma promessa para Santo Antônio para casar com Magdalena e, entre conhecimento, noivado e casamento foi um período de aproximadamente 3 meses. O casal teve dois filhos, o Fernando Freyre e a Sônia Maria Freyre.
Na sala de estar da casa museu se encontra vários quadros retratando os avôs, paterno e materno do Gilberto, tios e tias, seu pai, Alfredo Freyre e José Lins do Rego, um dos melhores amigos de Gilberto.
Também existem sobre uma mesa central as obras Casa Grande e Senzala, cuja primeira edição é de 1933 e o Nordeste, lançado em 1937, a obra preferida do Gilberto. Em 1981 saiu a primeira edição da obra Casa Grande e Senzala em quadrinho e, depois em 2000, foi re-editada de forma colorida, para motivar a leitura por um público infantil. Nesta mesa também estão dispostos um exemplar da obra Os Lusíadas, de Camões, uma edição especial, que foi editada em número reduzido (150 exemplares e distribuídos pelo mundo para pessoas que se destacavam). No Brasil existem dois exemplares, um presenteado, ao então presidente da república, Getúlio Vargas e outro a Gilberto Freyre. Além dos livros existe uma charuteira em prata.
Neste ambiente existem muitos livros, como quase em todos os cômodos da casa e uma coleção de bengalas utilizadas pelo Gilberto para caminhar no sítio, cujas árvores frutíferas, foram em grande parte plantadas pelo mesmo.
Passando-se a um segundo cômodo da casa denominado Sala Lula Cardoso Ayres, um famoso pintor pernambucano e amigo de Gilberto Freyre, inclusive com a esposa do Gilberto sendo madrinha de um filho do casal Ayres e vice-versa, o casal Ayres como compadres do Gilberto e da Madalena, tendo batizado a Sônia. Fala-se que o Lula solicitava muito a opinião de Gilberto para a pintura dos seus quadros. Nesta sala está os livros mais antigos da casa, uma coleção que pertenceu ao pai de Gilberto e foi doado para o mesmo. Além dos quadros pintados por Lula Cardoso Ayres. Está também disposto um leão do time esporte, pois o autor era rubro-negro e esta foi uma homenagem do clube, em vida do Gilberto, enquanto torcedor do time.
A casa de Gilberto Freire tornou-se Museu quando ela ainda estava vivo, em março de 1987, passando a família Freyre a residir num anexo. Logo depois Gilberto veio a falecer, em julho , no dia do aniversário de sua esposa (18/07/1987),mas foi sua vontade transformar sua residência em museu.
Na sala de Jantar são preservados os móveis de jacarandá do séc. XIX e um móvel alemão, tipo aparador, feita pelo alemão Spiller que utilizava em suas esculturas na madeira motivos de frutas e flores tropicais. Na época sobre o aparador eram colocada as bebidas e licores servidos as visitas e principalmente, o conhaque de pitanga, uma receita especial, elaborada por Gilberto Freyre, e mantida em segredo, mas foi repassada para o filho, Fernando Freire, que veio a falecer de forma repentina e, esta receita, perdeu-se no tempo. Nesta sala encontram-se 8 painéis em azulejos portugueses da Igreja de nossa Senhora da Anunciação, de Portela de Sacáven, Portugal, encontrados por Gilberto num antiquário e na época o mesmo fez uma solicitação para trazê-lo ao Brasil. Há mais um desses painel na parte externa da casa.
No final da Sala há um terraço, tipo solário, que é a parte mais ventilada e clara da casa e onde Gilberto costumava receber seus visitantes e fazia suas pinturas e desenhos. Há uma mesa com banquinhos todos em azulejo que foram presenteados pela família real a Gilberto. Cada azulejo representa uma antiga província do Brasil. Sobre esta mesa encontram-se dois cinzeiros de cerâmica, presentes do Brennand para Gilberto e também até hoje numa área externa, tipo jardim, sobrevive o jaboti chamado Chiquito, também um presente de Brennand para a família e recebeu o nome de Chiquito em homenagem ao seu presenteador: Francisco Brennand. Este jaboti tem mais de 60 anos. Imagens de São Francisco e Santo Antônio, também estão presentes neste recinto.
Depois se adentra a cozinha onde Gilberto e Magdalena costumavam de cozinhar. Aí ainda são mantidos utensílios por eles utilizados, além de livros de receitas de Magdalena, onde existem receitas manuscritas e outras de recortes. É neste local que está à mostra o livro açúcar de Gilberto Freyre, que foi um dos primeiros escritores a associar culinária com cultura. Afinal para Gilberto a feijoada brasileira foi nascida nas senzalas. Há também dispostos quadros de Brenam e ao fundo um banner de um engenho antigo da região.
Há depois uma sala denominada Gilberto Freyre, onde estão as comendas recebidas pelo autor de Casa Grande e Senzala, como a Order of the British empire, Sir – “Cavaleiro Comandante do Império Britânico “ concebida pela Rainha Elizabeth II,em 1971, além de várias outras comendas. Gilberto deve ter sido um dos brasileiros mais condecorados de todos os tempos. Uma também uma das mais importantes condecorações italiana (Prêmio Internacional La Madonnina, Itália, 1969 ), prêmio de literatura. Gilberto publicou aproximadamente 76 obras em vida, podendo-se afirmar que conseguiu viver da Literatura. Há neste recinto um importante quadro original do pintor Cícero dias, a Família de Luto. Foi este pintor e desenhista quem ilustrou a obra Casa Grande e Senzala. Está ocorrendo, atualmente no Museu da Língua Portuguesa em São Paulo uma exposição: Gilberto Freyre, interprete do Brasil, cujo catálogo se encontrava sobre a mesa. Nesta sala estão todas as obras de Gilberto e as várias edições de sua mais importante obra: Casa Grande e Senzala, traduzida para mais de 15 idiomas.
Na biblioteca, onde de fato se encontra a maior parte dos livros e uma poltrona onde o Gilberto costumava escrever. Lá existe um boneco sentado simbolizando o Gilberto e a sua forma de escrever, sempre utilizando lápis e com uma perna sobre a poltrona. Junto há um porta-retrato com uma fotografia mostrando esse hábito do escritor. Há também uma vitrina onde estão contidas várias placas comemorativas recebida pelo autor durante a passagem dos seus 80 anos, que foi bastante festejado.
O pai de Gilberto Freyre foi juiz e educador e ajudou na formação de seu filho, chegando a trazer professor de fora do país para alfabetizar o Gilberto, que primeiro chegou a ser alfabetizado em Inglês, e depois em português, pois na época teve dificuldade para aprender e ser alfabetizado em português, chegando a trazer preocupação para a família, pois já quase 8 anos de idade e ainda não conseguia ler e escrever.
Depois subindo para o cômodo superior da casa onde se encontram o quarto do casal (Gilberto e Magdalena) e dos dois filhos, Sônia e Fernando. No quarto de casal é interessante observar à cama disposta de uma forma bem central no quarto, disposição essa atribuída à superstição do Gilberto, de que a cama não poderia estar posicionada de frente para as portas. De um lado há o guarda roupa e pertences que foram do Gilberto e do outro de Magdalena, principalmente destacando suas linhas de bordado, pois, toda a tapeçaria e almofadas da casa foram tecidas por ela, em ponto de cruz. Há também três grandes espelhos de cristal, com molduras banhada a ouro. Existe uma gueixa de porcelana, com cabelo verdadeiro de japonesa que foi presenteado ao casal no noivado. Aí também se encontram últimas fotografias tiradas do autor com sua família.
No quarto de Sônia aparecem várias pastas com manuscritos de Gilberto e, ela própria, chegou a escrever um livro: Vidas vivas e revividas, onde conta sua história de criança convivendo nesta casa com seus pais. No quarto de Fernando os móveis também foram feitos pelo escultor alemão Spiller e existem coleções de barro (cerâmica) provindas de caruaru e do artista Zé do Carmo, ceramista e pintor pernambucano, considerado patrimônio vivo.
De fato uma visita ao Museu e Casa Magdalena e Gilberto Freire é uma viagem no tempo. Há ainda ao redor da residência todo um sítio ecológico com as trilhas, como a da pitanga, um convite a viver a natureza e a tradição do povo pernambucano.

 

5/20/2009

fazer 30


Fazer 30 anos

Affonso Romano de Sant'Anna


QUATRO pessoas, num mesmo dia, me dizem que vão fazer 30 anos. E me anunciam isto com uma certa gravidade. Nenhuma está dizendo: vou tomar um sorvete na esquina, ou: vou ali comprar um jornal. Na verdade estão proclamando: vou fazer 30 anos e, por favor, prestem atenção, quero cumplicidade, porque estou no limiar de alguma coisa grave.

Antes dos 30 as coisas são diferentes. Claro que há algumas datas significativas, mas fazer 7, 14, 18 ou 21 é ir numa escalada montanha acima, enquanto fazer 30 anos é chegar no primeiro grande patamar de onde se pode mais agudamente descortinar.

Fazer 40, 50 ou 60 é um outro ritual, uma outra crônica, e um dia eu chego lá. Mas fazer 30 anos é mais que um rito de passagem, é um rito de iniciação, um ato realmente inaugural. Talvez haja quem faça 30 anos aos 25, outros aos 45, e alguns, nunca. Sei que tem gente que não fará jamais 30 anos. Não há como obrigá-los. Não sabem o que perdem os que não querem celebrar os 30 anos. Fazer 30 anos é coisa fina, é começar a provar do néctar dos deuses e descobrir que sabor tem a eternidade. O paladar, o tato, o olfato, a visão e todos os sentidos estão começando a tirar prazeres indizíveis das coisas. Fazer 30 anos, bem poderia dizer Clarice Lispector, é cair em área sagrada.

Até os 30, me dizia um amigo, a gente vai emitindo promissórias. A partir daí é hora de começar a pagar. Mas também se poderia dizer: até essa idade fez-se o aprendizado básico. Cumpriu-se o longo ciclo escolar, que parecia interminável, já se foi do primário ao doutorado. A profissão já deve ter sido escolhida. Já se teve a primeira mesa de trabalho, escritório ou negócio. Já se casou a primeira vez, já se teve o primeiro filho. A vida já se inaugurou em fraldas, fotos, festas, viagens, todo tipo de viagens, até das drogas já retornou quem tinha que retornar.

Quando alguém faz 30 anos, não creiam que seja uma coisa fácil. Não é simplesmente, como num jogo de amarelinha, pular da casa dos 29 para a dos 30 saltitantemente. Fazer 30 anos é cair numa epifania. Fazer 30 anos é como ir à Europa pela primeira vez. Fazer 30 anos é como o mineiro vê pela primeira vez o mar.

Um dia eu fiz 30 anos. Estava ali no estrangeiro, estranho em toda a estranheza do ser, à beira-mar, na Califórnia. Era um homem e seus trinta anos. Mais que isto: um homem e seus trinta amos. Um homem e seus trinta corpos, como os anéis de um tronco, cheio de eus e nós, arborizado, arborizando, ao sol e a sós.

Na verdade, fazer 30 anos não é para qualquer um. Fazer 30 anos é, de repente, descobrir-se no tempo. Antes, vive-se no espaço. Viver no espaço é mais fácil e deslizante. É mais corporal e objetivo. Pode-se patinar e esquiar amplamente.

Mas fazer 30 anos é como sair do espaço e penetrar no tempo. E penetrar no tempo é mister de grande responsabilidade. É descobrir outra dimensão além dos dedos da mão. É como se algo mais denso se tivesse criado sob a couraça da casca. Algo, no entanto, mais tênue que uma membrana. Algo como um centro, às vezes móvel, é verdade, mas um centro de dor colorido. Algo mais que uma nebulosa, algo assim pulsante que se entreabrisse em sementes.

Aos 30 já se aprendeu os limites da ilha, já se sabe de onde sopram os tufões e, como o náufrago que se salva, é hora de se autocartografar. Já se sabe que um tempo em nós destila, que no tempo nos deslocamos, que no tempo a gente se dilui e se dilema. Fazer 30 anos é como uma pedra que já não precisa exibir preciosidade, porque já não cabe em preços. É como a ave que canta, não para se denunciar, senão para amanhecer.

Fazer 30 anos é passar da reta à curva. Fazer 30 anos é passar da quantidade à qualidade. Fazer 30 anos é passar do espaço ao tempo. É quando se operam maravilhas como a um cego em Jericó.

Fazer 30 anos é mais do que chegar ao primeiro grande patamar. É mais que poder olhar pra trás. Chegar aos 30 é hora de se abismar. Por isto é necessário ter asas, e sobre o abismo voar.

(13.10.85)


O texto acima foi extraído do livro "
A Mulher Madura", Editora Rocco - Rio de Janeiro, 1986, pág. 36

5/18/2009

um filme sem sexo

"E se a gente fizesse um filme sem sexo? Que não fosse homem nem mulher? Nem macho nem mulherzinha? E se a gente fizesse um filme que fosse só uma voz? Nem aguda nem grave. Que falasse alto, sem ter que falar grosso. Um filme nem vestido nem nu. Que não fosse uma bunda nem uma par de peitos. Nem um par de bíceps. Nem bem nem mal- dotado. Nem a gostosa nem o tarado. E se a gente fizesse um filme que gosta de futebol e também gosta de moda, que toma cerveja e cozinha bem? Que falasse de gentileza e de inteligência. Um filme sem retoque no photoshop. Sem classe social. Nem mais nem menos, nem igual nem diferente. Nem negro nem branco. Nem azul nem cor- de- rosa. E se a gente fizesse um filme que não fosse nem oriental nem ocidental? Nem feio nem bonito. Um filme que falasse em não oprimir e em não ser oprimido. Um filme sem sexo e sem preconceito. Que não bate nem apanha. Sem inveja e sem ciúme. Sem abandono, estupro ou abuso moral. Sem clitóris mutilado. Sem sutiã, sem burca. Sem terno e sem gravata. Sem acumular funções. Um filme sem rótulos. Sem poder ou submissão. Um filme que falasse, de alguma forma, que o sexo não justifica nem legitima qualquer defesa que seja um ataque. Que o sexo deveria ser a última questão numa entrevista de trabalho. Que uma pessoa fisicamente forte é fraca ao usar sua força contra outra. E que uma pessoa fisicamente fraca é forte ao usar sua delicadeza com inteligência. Um filme é só um filme. Não tem o poder de mudar o mundo, não tem a solução para nenhum problema. Mas um filme pode convidar as pessoas a observar como o mundo é feito de duas energias essenciais: a feminina e a masculina, presentes não só no mundo, mas dentro de cada um. E se a gente fizesse um filme sem sexo e sem cor? Feito por um homem e uma mulher com a ajuda de outros homens e outras mulheres. Uma voz que simplesmente fosse ouvida. Exatamente por não ter sexo nem cor. A favor das mulheres por não ser contra os homens. A favor dos homens por não ser contra as mulheres. Um filme que não pretendesse igualar o que é diferente. Nem diferenciar o que deve ser igual para todo mundo. Um filme sem sexo. Feito para o Dia Internacional da Mulher, desejando que fosse para o dia internacional da pessoa."

Vídeo criado por Cristiana Guerra e por Daniel de Jesus da Agência de Comunicação Lápis Raro, em 2008, especialmente para o Dia Internacional da Mulher.

5/1/2009

mapa astral de cassi

cassiano - Nasc.: 23/05/1999 às 15:05 em Recife (PE)

Posição dos planetas:
Sol em Gêmeos
Lua em Virgem
Mercúrio em Touro
Vênus em Câncer
Marte em Libra
Júpiter em Áries
Saturno em Touro
Urano em Aquário
Netuno em Aquário
Plutão em Sagitário

Posição das casas:
Ascendente em Libra
Casa 2 Escorpião
Casa 3 Sagitário
Casa 4 Capricórnio
Casa 5 Aquário
Casa 6 Peixes
Casa 7 Áries
Casa 8 Touro
Casa 9 Gêmeos
Casa 10 Câncer
Casa 11 Leão
Casa 12 Virgem

 

Seu signo é: Gêmeos ... O EU Interior

O terceiro signo do Zodíaco, Gêmeos, se inicia em 21 de Maio e termina em 21 de Junho. É um signo de Ar, mutável, positivo, masculino duplo, estéril, loquaz e volátil. É regido pelo planeta Mercúrio, que simboliza o intelecto, a razão.
Se identifica com o elemento aéreo, a dualidade, e tem uma grande habilidade para os negócios, o trabalho intelectual, as relações, o comercio, e os meios de comunicação. O planeta Mercúrio, na mitologia grega, era o mensageiro dos Deuses, trazendo e levando notícias, mas também fazendo lá suas fofocas (que não foram poucas!). Os nativos do signo são pessoas de grande poder intelectual, muitas vezes usado indevidamente. Explico: por serem muito curiosos, e terem tendência à superficialidade, cansam-se facilmente de um assunto e passam para outro assim que dominam o primeiro. Sendo expertos, têm facilidade para enganar os outros, e são excelentes comerciantes. Têm o dom da comunicabilidade, sendo às vezes um pouco tagarelas! Sua mente é engenhosa, hábil, com facilidade de compreensão e assimilação. Têm facilidade de se adaptar às mudanças na vida, gostando de experiências sempre novas e renovadas.
Devem tomar cuidado para não dispersar suas energias, por causa do elemento volátil de que são feitos. Têm facilidade para línguas e têm o dom da imitação. Gostam de argumentar e seu raciocínio lógico lhes dá sempre razão! Cuidado para não trapacear! Os nativos de Gêmeos possuem também habilidade manual, que pode torná-los hábeis prestidigitadores (mágicos ou ladrões)! Depende sempre de como são utilizados os dons!
Os pontos fracos em seu organismo são: os pulmões, os braços, mãos e ombros, onde estarão sujeitos a descarregarem as suas ansiedades. Por isso têm facilidade de resfriados e todas as complicações do aparelho respiratório.

Gêmeos e o Amor:
O Geminiano, é rápido para se apaixonar, e diz tudo o que pensa. Se for romântico não terá dificuldade de expressar os seus sentimentos, de maneira bastante direta. Não sendo muito paciente pode não dar tempo ao parceiro de reagir, ou não escutá-lo com suficiente atenção. Ele costuma colocar "as palavras na boca dos outros"! Às vezes ele tem necessidade de mais de um relacionamento, e para não ser acusado de inconstância, deve falar francamente com o parceiro, já que nem todos os relacionamentos são necessariamente "sexuais". Outro ponto importante é o relacionamento intelectual com o parceiro, já que ele precisa de um estímulo constante de interesse. Pratique a paciência.

Gêmeos e a Casa:
Como seria o espaço onde vive o geminiano? A moda está sempre em dia na casa dos geminianos, pois nada é permanente, a não ser as constantes mudanças! Os móveis, por exemplo, nunca permanecem por muito tempo no mesmo lugar e as estampas florais de hoje, poderão em breve ser substituídas pelo listrados ou pelo composé geométrico da estação.
Por ter medo de se entediar, é comum deste nativo brincar com a decoração. Precisam também de um lugar para seus livros e revistas, com os quais se alimentam diariamente. Para completar o ambiente onde vivem, gostam tanto de cortinas drapeadas e espelhos aparentes, quanto do despojamento do estilo clean e atual. Adoram a ilusão das pinturas “tromp l´oeil” e os tons metálicos, o amarelo, azul e cinza claro.

Se V. acha que seu Signo está errado, CLIQUE AQUI e saiba mais!?

 

Ascendente em Libra

O Ascendente tem relação com sua aparência física e com o jeito que você se apresenta aos outros. Você que tem o Ascendente em Libra, é seguramente uma pessoa refinada e de bom gosto. A atração pelas artes e a necessidade de um ambiente belo e refinado torna-se imprescindível quando Libra ascende no mapa. A sua necessidade de expressar o afeto o torna um ser sociável e amável com todos, mas também pode ser interpretada como fraqueza se você demonstrar indecisão e falta de firmeza em suas atitudes. Buscando sempre o seu “par ideal” terá como meta prioritária formar parcerias e suas maneiras doces e diplomáticas fazem de você uma pessoa querida em todas as reuniões sociais. Você poderá se dedicar às carreiras artísticas para poder expressar toda a sua sensibilidade. A expressão de doçura, os belos traços de seu rosto, os braços e mãos alongados, também são características de quem possui Libra no ASC. E você pode ter covinhas no rosto e uma boca bem desenhada, em forma de coração. Você precisa se ocupar com hobbies que tenham função relaxante, como a dança, a música e as artes de maneira geral. Como Libra rege os rins, estes órgãos são fracos em seu organismo: se você tiver problemas com seu bem amado seguramente acabará tendo problemas renais. Assim, procure não se amargurar tanto se não conseguir preencher de maneira satisfatória o seu lado sentimental. O temperamento sanguíneo (próprio dos signos de Ar) indica propensão a doenças relacionadas com o sangue venoso e arterial, assim como a tudo o que estiver relacionado com as vias urinárias.
(Lembre-se que um planeta colocado em conjunção com o Ascendente e também seu Signo, irão influenciar nesta descrição, modificando suas características).
Clique aqui para saber mais sobre o Signo Ascendente

 

Lua em Virgem   As Suas relacões emocionais.

Com a Lua neste signo você possui capacidades virginianas para aprender facilmente, memorizar e analisar, e tem aptidão para os estudos científicos e analíticos e para todas as profissões literárias. A humildade e a modéstia podem estar entre suas qualidades, assim como a capacidade de servir, de trabalhar a serviço dos outros. Se você for mulher, esta Lua pode indicar uma figura materna doméstica, simples e trabalhadora, preocupada com a ordem e o serviço da casa. Você pode ter tido uma infância simples e humilde. Muitas mulheres com esta Lua trabalham no serviço público ou no ensino primário. Uma Lua em Virgem em aspecto aflito pode indicar uma preocupação excessiva com higiene e saúde, com ordem e limpeza, e alguma hipocondria, tanto no homem quanto na mulher. Uma certa inquietação interior pode se exteriorizar como frieza sentimental, timidez excessiva e atitudes submissas. Esta não é uma Lua fértil para a mulher e indica dificuldades para a concepção.

 

Primeiro Decanato de Gêmeos

Período de 21 de maio a 29 de maio

Serão inclinados à filosofia e à literatura. Possuirão excepcional capacidade linguística e desenvolvidos dotes de oratória. Poderão conseguir grande sucesso se dedicarem à advocacia. Serão amáveis, bem-humorados, benevolentes e possuirão um temperamento mais tranquilo e perseverante do que os nascidos nos decanatos seguintes. O tipo físico será belo e bem-proporcionado, havendo uma leve tendência para engordar à medida que os anos forem passando. A inteligência será mais concentrada e objetiva, e por essa razão os nascidos neste período conseguirão sempre vencer todos os obstáculos e realizar seus desejos e empreendimentos.

o primeiro decanato (decanato físico) fosse o mais influenciado pela herança do passado cármico. Há pessoas que têm todos os planetas, ângulos do céu e luminárias, nos primeiros decanatos: estes têm dificuldade de alçar vôo, funcionam ainda como nas vidas anteriores. Só conseguem livrar-se dos hábitos cármicos com grande esforço.

O primeiro decanato de cada signo ainda é receptivo às influências terrestres, físicas, carnais, às quais reage fortemente, como no passado. Seus hábitos emocionais anteriores ainda têm poder sobre ele: só lentamente irá desligar-se deles.

primeiros decanatos ocupados indicaria uma alma ainda pouco evoluída, que arrasta um pesado carma, ou uma alma jovem, que passou ainda por poucas encarnações.

Orixá OSSÂIM

Rege Virgem e Gêmeos – É o orixá das ervas medicinais e está intimamente ligado à natureza. É crítico, meticuloso, sensível, o que o aproxima do signo de Virgem. Mas é também mutável, inquieto, irônico e superinventivo – qualidades de Gêmeos. Corresponde a Mercúrio. Está associado a São Benedito.

 Mercúrio dá a Gémeos a rapidez de raciocínio e a curiosidade que leva à descoberta. Aqueles que nascem sob a sua influência são racionais, metódicos e objectivos.

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