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11/21/2009
Cuidado! Sujeito de sangue não identificado causa situação de risco a pacientes que esperam doação.

“Brasileiro,
moreno, jovem, aparentemente saudável, de bom porte físico e ‘não’
identificado. Essas são as características de um sujeito que tentou
ontem, pela tarde, prestar seus serviços de cidadania em um Hemocentro
do Estado. Ao ser flagrado a partir de sua orientação sexual, foi
informado que pertencia a um grupo de risco e que poderia fornecer
perigo de contaminação do vírus HIV para aqueles que necessitam de
doação sanguínea...”
Esse seria apenas mais um fato rotineiro em tantos processos de triagem
realizados no Estado, se não fosse a estigmatização sentida por um
cidadão que apenas tentou ajudar ao próximo, doando parte de si.
Atualmente, todos os bancos de sangue, sejam eles públicos ou privados,
seguem determinações da Anvisa, que regulamentam as exigências para que
um cidadão possa doar sangue. Segundo a resolução da Anvisa – homens
que tiveram relações sexuais com outros homens e/ou as parceiras
sexuais destes, em um prazo de 12 meses antes da coleta, ficariam
impedidos de doar sangue durante um ano. Esta medida evita a
contaminação do Vírus HIV, o qual causa AIDS, não sendo detectado por
testes durante um período chamado “janela imunológica” que pode ir de 2
a 12 semanas posteriormente ao contágio.
Como homossexual, gostaria de abordar algumas questões: Seria esta uma
regulamentação justa? Até onde vão os princípios fundamentais da nossa
Constituição Federal, que diz que devemos viver em um Estado
Democrático fundamentado na cidadania, dignidade da pessoa humana e
privilegiar o bem de todos, sem preconceitos de raça, sexo e quaisquer
outras formas de discriminação? Seria o impedimento do homossexual em
doar sangue, um fator de exclusão? O conceito “grupo de risco” não é
por essência discriminatório?
Segundo as atualizações dos dados sobre os números da AIDS no Brasil
até setembro de 2007, apresentados pelo Ministro da Saúde, Humberto
Costa, constatou-se a estabilização entre homens (com redução entre
homossexuais e aumento entre heterossexuais) e também entre mulheres. A
incidência de AIDS entre heterossexuais masculinos supera 65% das
notificações e entre as mulheres, as transmissões por relações sexuais
passam de 60% das notificações.

Qualquer um pode doar, contanto que não seja gay
É notório que as campanhas para doação de sangue como a que tinha lido
recentemente em jornais de circulação do Estado de Pernambuco,
(relativa à escassez de sangue) evocam a cidadania daqueles que estão
dispostos a doar, mas paralelamente, ilegítima o direito aos
homossexuais de exercerem uma ação solidária.
O constrangimento causado pela invasão de privacidade ao passar por um
processo de triagem, leva ao homossexual a desistir de parte de seus
deveres como cidadão. Ao negar a doação de sangue por homossexuais e
bissexuais, o Estado vai contra a sua própria Constituição, causando
invasão de privacidade e discriminação sexual.
Ser homossexual não deve ser fator de restrição na hora de doação de
sangue. O Governo deve analisar e revisar as regulamentações imposta
aos questionários de maneira que pergunte sobre as “condutas de risco”
e não orientação sexual do doador.
Durante o meu processo de triagem tive a oportunidade de conversar com
uma médica simpática e acolhedora. A mesma me aconselhou e mostrou que
mesmo tendo exames regulares de DSTs e uma vida sexualmente ativa e com
parceiro estável, teria que ter cuidados como qualquer pessoa
heterossexual. A mesma assegurou seguir regulamentações do Ministério
da Saúde, mesmo sem mostrar pessoalmente a sua opinião sobre o tema.
Ela afirmou que quando somos limitados a ajudar a um próximo, podemos
encontrar outras formas ‘cidadãs’ de fazê-lo, como visitar asilos ou
hospitais. Vi muita sinceridade e afetividade neste momento.

Em tempos passados, a homossexualidade era vista como uma doença
mental, mas em dias atuais ela é vista como orientação sexual de cada
indivíduo, e está ganhando espaço social através da luta dos direitos
cíveis, oriundos de manifestações públicas organizadas por instituições
homossexuais.
Cabe a cada um de nós nos responsabilizarmos por nossos atos e ver que
o preconceito é fruto da ignorância e da falta de conhecimento. Devemos
ter a consciência de que o sangue doado não leva em seu rótulo
informações como nome, cor ou sexualidade do doador. Apenas identifica
em sua embalagem uma única cor viva. O vermelho. A cor do Amor. Aquele
que não é vendido ou alugado, e sim doado.
Quanto
às principais categorias de transmissão de HIV entre os homens, as
relações sexuais respondem por 58% dos casos de Aids entre eles, com
maior prevalência nas relações heterossexuais (25%). Os casos de
transmissão por relações bissexuais representam 11,4%, enquanto as
relações homossexuais representam 21,7%. A segunda maior forma de
transmissão da aids entre os homens é o uso de drogas injetáveis: 23,4%.
A
transmissão do HIV entre as mulheres se dá, predominantemente, pela via
sexual (86,2%). Em seguida, a maior causa é o uso de droga injetável
(12,4%). Os dados mostram que as mulheres podem estar sendo infectadas
em relações sexuais com usuários de drogas injetáveis ou bissexuais.

Doador Homossexual – Recife, Brasil.
segundo a igreja inclusiva e de textos retirados da Bíblia que nos leva a refletir:
Ninguém
que se aproxime de Cristo buscando amor irá sair de mãos vazias.
Disse Jesus: "Todo aquele que o Pai me der, virá a mim, e o que vier a
mim de modo nenhum rejeitarei" (João 6.37)
http://www.todosdejesus.fr.gd/
Jônatas e Davi?
O leitor sincero da Bíblia
dirá que as passagens parecem sugerir no mínimo uma leve atração amorosa entre
os dois.
Jônatas conheceu Davi no
famoso episódio em que ele mata o gigante Golias, e parece ter gostado dele
logo de cara; o texto da Almeida Revista e Atualizada diz: “...a alma de Jônatas se ligou com a
de Davi; e Jônatas o amou, como à sua própria alma” (I Samuel
18.1). Também diz: “Jônatas
e Davi fizeram aliança; porque Jônatas o amava como à sua própria alma”
(I Samuel 18.3).
Toda a história dos dois se
passou num período de guerras e de inveja; Saul o rei e pai de Jônatas, odiava
Davi e queria mata-lo; o filho, por amor a Davi o livrou várias vezes das
armadilhas do seu pai. A amizade entre os dois era no mínimo curiosa:
a Bíblia diz que eles trocaram de roupas juntos (I Samuel 17.4);
Jônatas constantemente traía a confiança de seu pai e revelava os planos
secretos dele a Davi para salva-lo (I Samuel 20.9);
costumavam marcar encontros secretos (I Samuel 20.35-41);
se beijavam em momentos de grande emoção (I Samuel 20.41);
Saul chegou a dizer que o relacionamento de Jônatas e Davi era vergonhoso para
a família e que enquanto Davi não fosse morto Jônatas não teria direito ao
trono (I Samuel 20.30,31);
Jônatas chegava a perder o apetite por estar preocupado com Davi! (I Samuel
20.34)
eles juraram um ao outro, pelo amor que tinham, manter lealdade e amizade
eternas (I Samuel 20.14-17,23,42)
o verso 17 diz assim na ARA: “Jônatas
fez jurar a Davi de novo, pelo amor que este lhe tinha, porque Jônatas o amava
com todo o amor da sua alma”.
Depois da morte de Jônatas,
Davi adotou o filho dele em memória do juramento (I Samuel 9); Davi disse ao
lamentar a morte de Jônatas que o amor de Jônatas era superior ao das mulheres
(II Samuel 1.26).
É possível deixar de ser homossexual como se desliga um botãozinho? A nova
Igreja Inclusiva do Recife entende que não. E ela abre as portas para gays e
lésbicas que sentem vontade de seguir a Cristo, mas enfrentam barreiras em
outros templos religiosos, sejam católicos ou evangélicos.
O alvo prioritário é a minoria que se afastou do convívio com Deus ao ser
vista com preconceito por outras religiões. A maior diferença da Inclusiva e de
outras cristãs tradicionais é que ela não defende a “cura espiritual” para quem
gosta de alguém do mesmo sexo e aceita todos os públicos. Ao contrário do que
se pode imaginar, a doutrina não é permissiva a tudo. Para entender o que ela
prega, é preciso ir além das palavras grafadas na Bíblia atual e se permitir a
novas interpretações sobre o contexto histórico no qual os textos foram
escritos há mais de três mil anos.
A Igreja Inclusiva no Brasil nasceu em São Paulo, há cerca de cinco anos,
mas ainda é nova no Recife. Ela ainda não possui sedes tradicionais e está
dividida em duas denominações: a Comunidade Cristã Nova Esperança (CCNE) e a
Progressista. Seus integrantes ainda se reúnem em casas ou realizam cultos em
lugares mais discretos, como o laguinho da Universidade Federal de Pernambuco
(UFPE). O objetivo prioritário é resgatar aqueles que abandonaram as igrejas
tradicionais e passaram a ter uma vida descompromissada com os ensinamentos de
Cristo.
Sim, eles estão abertos a qualquer um que esteja disposto a buscar uma
mudança de vida, como abandonar a bebida em excesso, as drogas, o sexo
promíscuo, o adultério, entre tantos outros. “As deformações de caráter vão
sendo modificadas aos poucos, por Deus, e não por nós”, afirmou Timóteo
Reinaux, obreiro da CCNE. Ele morava em São Paulo, onde frequentava um templo
da mesma denominação. Chegou ao Recife neste ano para abrir uma célula.Para ser
membro de ambas as denonimações, é preciso professar a fé em Cristo, participar
do estudo da Bíblia e dos cultos. E só então ser batizado nas águas. Depois de
cumprir todas as etapas, pelo menos por um dos cônjugues, é permitido o
“casamento”, ou bênção matrimonial para casais do mesmo sexo. À essa altura, o
leitor pode estar se perguntando, com base no que ouviu de geração em geração:
“mas a homossexualidade não é pecado?” Para as Igrejas Católicas e Evangélicas
do Brasil, a resposta é sim. Sentir prazer sexual com alguém do mesmo sexo é
visto como “abominação” (toebah). Mas a Igreja Inclusiva Cristã entra nesse
debate de forma diferente.
Uma das polêmicas mais conhecidas está no Antigo Testamento, no livro de
Levítico, capítulo 18;22 cujo texto é duro contra a homossexualidade. “Com
homem não te deitarás, como se fosse mulher; abominação é”, diz o versículo 22.
Segundo o sociólogo e pastor Bruno Lima, o primeiro a coordenar a sede regional
da CCNE, no Rio Grande do Norte, o mesmo Levítico traz orientações que não são
seguidas pela sociedade, porque proíbe a ingestão de moluscos e porco, por
exemplo, além do corte de cabelo e da barba. Ele frisou, contudo, que nada
disso mais é defendido nos cultos, exceto o versículo 22. Ainda assim, de forma
equivocada.
De acordo com Bruno Lima, a frase exemplifica um conjunto de rituais que
condicionava as atividades sacerdotais dos levitas, homens que tinham a tarefa
de cuidar do templo. A palavra “toebah” significa sacrilégio e, em outros
momentos, é usada no sentido de ritual. “Os capítulos 17 a 26 faziam parte de
um documento denominado código de santidade, que tentava condenar práticas
comuns entre os cananitas, povo que adorava o deus moloque e a ele prestava
rituais de idolatria”, afirmou, acrescentando que, na época, era muito comum a
realização de sexo entre homens cananitas durante culto a deuses estranhos. Por
isso, de acordo com Bruno Lima, precisava ser tão ressaltado para que os
levitas não fizessem o mesmo. “O que Deus proibia era o sexo promíscuo e feito
em rituais”, frisou.
Doutrina ainda pouco conhecida
Formada por um público jovem, a Inclusiva ficou mais conhecida no Recife
após o “sim” mais polêmico do ano, quando os arquitetos Turíbio e Zezinho
Santos oficializaram a união, em setembro passado, e receberam uma bênção
religiosa na Coudelaria Souza Leão, na Várzea. Mas a doutrina ainda é pouco
conhecida. Embora a Comunidade Cristã Nova Esperança (CCNE) exista desde 2002
em São Paulo, ela só se transformou em “célula” na capital a partir deste ano. O
que seria uma célula, então? Segundo o obreiro Timóteo Reinaux, é uma reunião
frequente de pessoas, mas ainda sem número suficiente para manter a estrutura
de uma sede.
Reinaux conta que o grupo da CCNE no Recife se reúne há quase seis meses na
Rua Elpídio Monteiro, nº 18, na Imbiribeira, Zona Sul da capital, e pode ser
localizado no Orkut ou pelo e-mail ccnerecife@hotmail.com. Os integrantes se
encontram de 15 em 15 dias, realizam cultos, estudam a teologia inclusiva e a
Bíblia. Segundo ele, a Inclusiva segue uma doutrina semelhante a de igrejas
evangélicas mais abertas, com a diferença que não prega “cura espiritual”, nem
qualquer tipo de terapia para o público-alvo.
De acordo com o obreiro, as pessoas precisam entender que a homossexualidade
não é uma opção e sim uma característica, como a própria cor da pele e dos
olhos. “Não se sabe qual a origem, se social ou genética, mas não podemos mudar
essa orientação. Muitas pessoas passam por essas terapias, oram, jejuam. E não
deixam de sentir atração pelo mesmo sexo, sentem-se culpadas e vivem infelizes
a vida inteira”, acrescentou.
Para entrar na Igreja Progressistas de Cristo, que também não tem sede, a
seleção é mais rigorosa. O contato só é possível no site
http://www.todosdejesus.fr.gd/. Nesse ambiente virtual, a pessoa interessada
manda um e-mail e recebe uma resposta direta do pastor Kleyton Pessoa. Segundo
ele, os encontros acontecem há mais de um ano. Seus integrantes são mais
discretos, porque alguns ainda estão ligados a igrejas tradicionais. “Procuramos
não expor nosso público”.
De Natal, o pastor BrunoLima cita um versículo bíblico ao ser questionado
porque a igreja só veio surgir recentemente. “A Bíblia nos fala que há tempo
para tudo. A humanidade não está esquecida por Deus. Pois, no tempo certo, os
negros e as mulheres foram libertos e assumiram a devida importância na
sociedade”, declarou.
Entrevista // Zezinho Santos
“Temos direitos iguais”
O arquiteto Zezinho Santos é do tipo que não se intimida com o preconceito.
Ele admite não frequentar a Igreja Inclusiva, que fez a cerimônia religiosa de
seu casamento com Turíbio Santos, em setembro passado, mas frisa acreditar num
Deus que ama e respeita a todos. Segundo ele, receber uma bênção religiosa é o
sonho de todo mundo que está feliz e que ama de verdade o parceiro, seja hétero
ou homossexual.
Você sabe que a Igreja Inclusiva é uma dissidência da Igreja Evangélica?
Sei. Chegamos à Igreja Inclusiva por meio de um tio de Turíbio, que conhece
um padre da Igreja Ortodoxa (Católica). Esse padre queria nos casar, mas disse
que sua Igreja não permitia e nos indicou o pastor Ricardo Nascimento
(atualmente em outro ministério). Nós conversamos com o pastor, dissemos em que
acreditávamos e ele resolveu nos casar. Nós acreditamos nos preceitos da
bondade de Deus e não nas alegorias pregadas pela igreja.
Houve vários comentários na internet do tipo: por que casaram na igreja
e por que se mostrar assim?
Ora, casamos na igreja e em público como todo mundo faz porque estamos em
festa pela nossa união. Queríamos mostrar o quanto estávamos alegres. Disseram
que estávamos usando o nome de Deus em vão. Mas por quê? Temos o direito de
acreditar no que quisermos. Jamais alguém tem o direito de usar o nome de Deus
para proibir alguém do que quer que seja, principalmente se esse alguém
acredita no compromisso, no amor, no respeito, na vontade de ficar junto. Tem
tanto casal hétero que não age assim.
Como você se sentiu depois de tanta repercussão sobre o casamento
religioso?
Não vejo diferença entre as pessoas que nos atacaram com o 11 de Setembro.
Digo isso, porque as pessoas que derrubaram aquelas duas torres acreditavam que
iam para o paraíso. Então, é isso que acho das pessoas que nos condenam e nos
ofendem porque não conseguem viver com as diferenças. Em Levítico, capítulo 18,
versículo 22, diz “com homem não te deitarás, como se fosse mulher; abominação
é”. Mas também em Levítico 11;20 diz que não se pode comer nem molusco, nem
crustáceo “(tudo que não tem barbatanas ou escamas, nas águas, será para vós
abominação)”# Se é para seguir a Bíblia ao pé da letra, por que não se segue
tudo. Por que escolheram no que acreditar#
Releitura de versículos bíblicos
Como está na Bíblia – “Com homem não te deitarás, como se fosse mulher;
abominação é”. Levítico 18;22
O que diz a Inclusiva – Segundo a Igreja Inclusiva, é preciso entender o
contexto dessa frase. O que Deus queria dizer, nesse versículo, dizia respeito
aos cultos pagãos que eram feitos em adoração ao deus moloque. Nesses rituais,
havia sexo promíscuo entre homens e mulheres, mulheres e mulheres; homens e
homens, especialmente, e até com animais. A Igreja Inclusiva entende que, neste
contexto, Deus condenava a promíscuidade e os rituais impuros e prestados a
deuses estranhos
Como está na Bíblia – “Não trarás o salário da prostituta nem preço de um
sodomita à casa do Senhor, teu Deus, por qualquer voto; porque ambos são
igualmente abominação ao Senhor, teu Deus”. Deuteronômio 23;17-18
O que diz a Inclusiva – De acordo com a Igreja Inclusiva, a palavra Sodomita
foi criada pela Igreja Católica na Idade Média. No texto original, escrito em
grego, a palavra prostituta é escritacomo “qedescha” e o sodomita é “qedesha”
ou prostituto. Isso significa, para essa igreja, que Deus condena a
prostituição e não a homossexualidade. Na época que Deuteronômio foi escrito,
não se tinha noção do que era sodomita
Como está na Bíblia – “Não erreis: nem os devassos, nem os idólatras, nem os
adúlteros, nem os efeminados, nem os sodomitas (…) herdarão o reino dos Céus”.
1 Coríntios 6;10
O que diz a Inclusiva – O termo efeminado, no grego, chama-se “malakoi” que,
ao pé da letra, é “mole”. Ser mole não significa ser “gay, efeminado”.
Somomitas é, no grego, prostituto Versículo que, na visão da Igreja Inclusiva,
apoia a homossexualidade “E sucedeu que, acabando ele de falar com Saul, a alma
de Jônatas se ligou com a alma de Davi; e Jônatas o amou, como à sua própria
alma. 2 E Saul naquele dia o tomou, e não lhe permitiu que voltasse para casa
de seu pai. 3 E Jônatas e Davi fizeram aliança; porque Jônatas o amava como à
sua própria alma. 4 E Jônatas se despojou da capa que trazia sobre si, e a deua
Davi, como também as suas vestes, até a sua espada, e o seu arco, e o seu
cinto. I Samuel 18; 1-4
“Eu vos digo, porém, que qualquer que repudiar sua mulher, não sendo por
causa de fornicação, e casar com outra, comete adultério; e o que casar com a
repudiada também comete adultério. 10 Disseram-lhe seus discípulos: Se assim é
a condição do homem relativamente à mulher, não convém casar.
11 Ele, porém, lhes disse: Nem todos podem receber esta palavra, mas só
aqueles a quem foi concedido. 12 Porque há eunucos que assim nasceram do ventre
da mãe; e há eunucos que foram castrados pelos homens; e há eunucos que se
castraram a si mesmos, por causa do reino dos céus. Quem pode receber isto,
receba-o”. Mateus 19.9-12
Fonte: Livro Cristianismo e Homossexualismo, do pastor Bruno Lima
Mais informações: http://www.todosdejesus.fr.gd e http://www.ccne.org.br/
11/17/2009 Ao expulsar Geisy Arruda, a Uniban execrou
publicamente a aluna e endossou a violência na universidade. Quando
revogou a decisão, mostrou que está mais interessada em defender os
seus cofres do que em cumprir a missão de educarSolange Azevedo e Rodrigo Cardoso
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Geisy Arruda
vive no alto de uma ladeira repleta de construções modestas e
inacabadas. Cresceu ali, na periferia de Diadema, município de 390 mil
habitantes fincado entre a capital paulista e São Bernardo do Campo,
berço do sindicalismo nacional. Quando seus pais migraram do agreste
pernambucano, no final da década de 70, o Jardim Campanário não havia
sido tomado pelo concreto. José Adriano era o único filho do casal. "Eu
não tinha nem documento, fui registrado em São Paulo", conta o
primogênito. "Moramos numa vielinha próxima, depois numa casa quase em
frente à que temos hoje." Em Diadema, a família aumentou. Nasceram três
meninas. Geisy, a do meio, é a única solteira e que ainda mora com os
pais. Severino e Maria de Fátima estudaram até a quarta série. Ele
trabalha como supervisor de limpeza. Ela é dona de casa. Apesar do
orçamento apertado, fazem questão de investir no futuro da filha.
Bancaram inglês e informática enquanto puderam. Desde o início do ano,
suados R$ 310 vão para as mensalidades do curso de turismo. "Pesquisei
muito antes de prestar vestibular", diz Geisy. "Escolhi a Uniban
(Universidade Bandeirante) porque era a única que os meus pais poderiam
pagar."
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| Manifestações Estudantes ligados à UNE e feministas protestaram em frente à Uniban. Houve bate-boca com alunos do campus |
Severino
e Maria de Fátima acreditavam que, no ambiente universitário a que eles
próprios não tiveram acesso, Geisy estaria cercada de pessoas sensatas
e equilibradas - e livre da violência cotidiana. Terrível engano.
Exposta na internet, a vergonha de Geisy viajou pelo mundo. Chineses,
americanos, filipinos, paquistaneses... Gente de todos os cantos
assistiu à humilhação imposta por cerca de 800 alunos enlouquecidos
que, em coro, urravam "puuuuta", "vamos linchar", "vamos estuprar",
simplesmente porque ela usava um vestido curto. E viu a execração
pública partir da própria Uniban, que divulgou anúncio nos grandes
jornais comunicando a expulsão de Geisy, sob alegação de que ela
costumava usar "trajes inadequados", num "flagrante desrespeito aos
princípios éticos, à dignidade acadêmica e à moralidade". A
universidade, que também tem como missão ensinar valores e formar
cidadãos, agiu com truculência ainda mais espantosa de que seus alunos
- numa demonstração de que não tem condições de oferecer educação
adequada. Dupla agressão
As
agressões, primeiro dos alunos e depois da própria universidade,
transformaram o caso num símbolo de covardia e intolerância. A imprensa
internacional deu amplo destaque ao caso. Na noite da terça-feira 10, o
escândalo era a segunda notícia mais acessada no site da CNN (cnn.com)
por internautas do mundo todo. Diante da repercussão negativa, a
universidade decidiu readmitir a aluna, mas não puniu nenhum dos seus
agressores.
A readmissão de Geisy não encerra o caso. É
preciso estar atento ao significado deste episódio, pois a sociedade
não pode permitir que seja aberto um perigoso precedente para um
retrocesso de valores e costumes. É imperativo garantir que não surjam
outras Geisys e que pessoas não sejam humilhadas e agredidas pelas
roupas que usam. "Temos de marcar posição, dizer que não concordamos
com essas atitudes", diz o psicólogo Marcos Nascimento, codiretor do
Instituto Promundo, ONG que defende a igualdade de gêneros. "E não
apenas neste caso isolado. Não concordamos com a condição do ensino e a
maneira pela qual a mulher brasileira é tratada."
Geisy foi
duplamente humilhada. Ao repreendê-la por estar de vestido curto, os
seguranças do campus de São Bernardo legitimaram a violência da turba
que ameaçava estuprá-la e não a protegeram do assédio coletivo. Geisy
só conseguiu passar pela multidão sob escolta policial e com muito
spray de pimenta. "Na maioria das vezes, as mulheres são vítimas de
agressões e desrespeito independentemente da maneira como se vestem.
São consideradas prostitutas e vagabundas sempre que manifestam seus
desejos", afirma a advogada Valéria Pandjiarjian, do Comitê
Latino-Americano e do Caribe para a Defesa dos Direitos da Mulher.
"Para muitas pessoas, ainda é inadmissível que tenham autonomia para
fazer o que querem com o próprio corpo."
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Vaidade feminina
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| Apoio Na Universidade de Brasília, um grupo de alunos tirou a roupa e pintou o corpo em solidariedade a Geisy |
Aos
20 anos, Geisy se comporta como uma porção de moças da mesma faixa
etária. É falante, sorridente e uma vaidosa assumida. Não sai de casa
sem maquiagem e salto alto nem para ir à padaria. Dá preferência a
saias e vestidos curtos por achar que são mais femininos do que calças
compridas. Não vive sem chapinha. Também não esconde que gosta de
chamar a atenção e se sentir desejada. "Esse é o meu jeito e não vou
mudar. Sou assim e pronto", afirma. Geisy ficou loira - e ganhou uma
dose extra de autoconfiança - há uns seis anos. Na semana passada,
alongou e clareou mais os cabelos. "As loiras têm um charme diferente.
O meu sonho era ter um cabelão poderoso como o da Claudia Leitte", diz.
Depois
do ataque, Geisy mergulhou numa profunda crise de identidade. Largou o
trabalho de balconista num mercadinho, o salário de R$ 400 e não foi
mais à faculdade. "Já senti de tudo: ódio, raiva, revolta. Quis sumir
do mundo para acabar com essa pressão", conta. Ficou enfurnada em casa
remoendo uma culpa que não era dela durante uma semana. Só quando o
escândalo repercutiu nos meios de comunicação, Geisy entendeu que a
indecência não estava em suas coxas despidas ou em seu corpo
parcialmente coberto pelo vestido rosa-choque. Indecentes foram as
manifestações de machismo e intolerância a que ela fora submetida. "Os
jovens que perseguiram Geisy não queriam pegá-la e sabiam que não iam
fazer nada com ela", diz a psicanalista gaúcha Diana Corso, estudiosa
da violência. "Aqueles marmanjos passaram a se manifestar de maneira
obscena porque, caso contrário, seriam considerados pouco viris pelo
grupo. Criou-se uma espécie de corrente em que era necessário que cada
um provasse a própria virilidade." Linchamento moral
Já
dentro da sala, livre do tumulto, Geisy vestiu um jaleco branco cedido
por um professor e se recolheu num dos cantos. Os seguranças tentaram
dispersar o grupo que crescia em frente à porta. No intervalo a
situação fugiu do controle. Não parava de chegar gente, homens e
mulheres. Ficaram todos a postos no prédio, cuja arquitetura em forma
de anel lembra uma arena, para fitar a loira "gostosa" que seria
entregue às feras - tal qual os cristãos eram entregues aos leões há
dois mil anos. Quando a escolta chegou para salvá-la, a manada se
enfureceu mais e não se intimidou com a força policial. "Seus coxinhas
(PMs) f.d.p., vão levar a gostosa?".
Na visão míope da
turba, o linchamento moral e - talvez - físico de Geisy seria
justificável porque ela "provocou" e "queria causar" - alguns alunos
dizem que Geisy deu uma puxadinha no vestido para encurtá-lo. Culpá-la
por ter sido insinuante e ter rebolado, é como responsabilizar uma
vítima de estupro pelo crime. "Vivemos num mundo preconceituoso, onde
não há aceitação do diferente. Sinais de modernidade e de
conservadorismo acabam coexistindo", afirma Marcos Nascimento, da ONG
Promundo.
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O
que aconteceu na Uniban pode ser interpretado como a extensão de um
comportamento comum nas escolas brasileiras de ensino fundamental e,
principalmente, nas de ensino médio. As garotas são proibidas de vestir
short ou blusinhas curtas porque, a partir da pré-adolescência, esses
trajes podem desconcentrar os meninos. "A opção que se faz é fiscalizar
como as meninas e mulheres se vestem e se comportam para que os meninos
e os homens não tenham de se controlar", critica Ângela Soligo,
professora da Faculdade de Educação da Universidade de Campinas. "Além
de perverso, isso é negativo para ambos os sexos porque reprime a
mulher e não ajuda o homem a amadurecer." Os muçulmanos exigem que suas
mulheres vivam cobertas da cabeça aos pés, em parte, pela crença de que
o macho seja incapaz de frear os seus desejos. As responsabilidades
O prazo para que a Uniban envie ao Ministério Público Federal (MPF) e
ao Ministério da Educação (MEC) cópias da sindicância que resultou na
expulsão de Geisy se esgotará na próxima quarta-feira 18. No MPF, há um
inquérito para apurar se o desligamento da estudante ocorreu por
discriminação e se ela teve direito a ampla defesa. "Ter revogado a
expulsão tão rápido, juridicamente, piora a situação da Uniban", afirma
Jefferson Aparecido Dias, procurador regional dos Direitos do Cidadão,
que trabalha no caso. "Isso é um indicativo de que está tudo errado lá
dentro." Se for constatada alguma irregularidade, diretores e
integrantes do conselho podem ser processados por improbidade
administrativa, ser multados e perder seus cargos. A universidade corre
o risco de ser proibida de realizar vestibular e aumentar o número de
cursos. E, em última instância, pode perder o registro de
funcionamento. Apesar de a "autonomia universitária" não permitir que o
MEC intervenha na Uniban, a Justiça pode determinar que a instituição
seja supervisionada.
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Quantidade e qualidade
A
Uniban é a quarta maior universidade do Brasil em quantidade de
matrículas. Em qualidade de ensino, está em 159º lugar numa lista de
175 instituições. Ou seja: para o MEC, é a 16ª pior do País. Por muito
pouco, ela não perdeu a "autonomia universitária" no ano passado. O seu
desempenho no Índice Geral de Curso (IGC), que mede a qualidade do
ensino superior, ficou no limite mínimo: alcançou 195 pontos numa
escala que vai de 0 a 500. É surpreendente que a universidade continue
de portas abertas.
O MEC acompanha de longe o desenrolar do
caso Geisy. Por intermédio de sua assessoria de imprensa, afirma que
sob a sua alçada estão apenas as questões pedagógicas, didáticas e
avaliativas. E que a decisão da Uniban de revogar a expulsão mostra que
não houve crime naquele episódio. Questionado por ISTOÉ se o machismo,
o preconceito e a intolerância não seriam problemas relacionados à
pasta, eximiu-se de responsabilidade alegando tratar-se de uma questão
de comportamento social e não educacional. Esta é a resposta fácil. Mas
vários crimes foram cometidos na Uniban (leia quadro na pág. anterior).
Por isso, a sociedade tem de cobrar das autoridades uma resposta à
altura, para ter garantias de que nenhum cidadão será a Geisy de
amanhã, dentro ou fora de instituições de ensino.
A
readmissão de Geisy foi determinada pelo reitor Heitor Pinto e Silva
Filho, 63 anos, conhecido nos corredores da universidade como um
administrador centralizador e reservado. Silva Filho investiu pesado na
aquisição de escolas em São Paulo nas últimas décadas. Há 15 anos, as
reuniu e criou a Uniban. Quando saiu candidato a vicegovernador de São
Paulo, em 2002, na chapa de Paulo Maluf, declarou à Justiça Eleitoral
ser dono de um patrimônio avaliado em R$ 34 milhões. Na juventude,
Silva Filho foi militante da Arena, partido de sustentação dos governos
militares. Mas a experiência política parece não tê-lo ajudado na
condução desse escândalo. A advogada Carmen Hein de Campos, perita em
questões de gênero, acredita que a Uniban tenha tentado manter os
cofres cheios ao mandar para fora uma única pessoa, Geisy, a
"aluna-problema". "Ao tomar uma decisão simplista, a universidade se
negou a fazer uma discussão interna e a gravidade da violência saiu
pela tangente. Do ponto de vista econômico, seria muito mais vantajoso
expulsar uma aluna do que centenas", diz. Mulher subalterna
Geisy foi punida por ser quem é. A humilhação, nos moldes de um circo
romano, foi uma tentativa intolerante e machista de conduzi-la à
condição de "mulher ideal": subalterna. Essa relação de poder foi
descrita de forma exemplar no clássico "O Segundo Sexo", da francesa
Simone de Beauvoir (1908-1986). Ícone da luta pela emancipação
feminina, Simone afirmou em 1949 que "não se nasce mulher, torna-se
mulher": a submissão é imposta ao sexo feminino. O movimento feminista
tenta, há décadas, modificar um padrão milenar de comportamento, muitas
vezes, ampara do pela legislação. Até 2003, o Código Civil Brasileiro
considerava o marido o "chefe da família". No Código Penal, o estupro
está relacionado no capítulo "dos crimes contra os costumes".
"Na
Antiguidade, mulheres adúlteras eram apedrejadas por aqueles que não
podiam tê-las", afirma o desembargador Antonio Carlos Malheiros, do
Tribunal de Justiça de São Paulo. "Na universidade, os que não podiam
ter Geisy gritavam para destruí-la." De acordo com a advogada Valéria
Pandjiarjian, o caso é passível de litígio internacional porque os
direitos humanos de Geisy foram violados. "Isso parece caça às bruxas,
inquisição, coisa de fundamentalismo talibã. Em apenas um dia,
conseguimos recuar séculos."
"Filha,
eu sou gay "
Jovens contam como lidaram com a descoberta de que o pai ou a mãe é homossexual
Wilson Aquino
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INFÂNCIA
Bruna (à esq.) e a mãe, Alexandra, o Xande: família bem resolvida
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Gabriel
tinha 15 anos quando o pai, que se divorciara da mãe alguns anos antes, o
convidou para comer pizza, um programinha trivial que, no entanto, marcaria de
forma especial a vida do adolescente. Gabriel idolatrava o pai. Considerava-o
seu melhor amigo, um exemplo a ser seguido. Por isso, soou como uma pancada a
frase curta e definitiva dita por Oswaldo Braga, 51 anos, enquanto ambos
estavam à mesa. "Eu sou gay", falou o consultor técnico do Ministério
da Saúde. "Na hora fiquei engasgado. Não sabia o que falar, tamanho o meu
espanto com a revelação", lembra Gabriel. O garoto praticamente rompeu os
laços afetivos com o pai e só os restaurou quase dez anos depois. Mas, hoje, se
diz feliz por ter conseguido superar o preconceito. "Se os gays são
minoria, eu sou a minoria da minoria, porque sou filho de pai gay", diz
Gabriel, 24 anos. Ele disse que se orgulha de ter aprendido com o pai que o
melhor mesmo é viver uma vida verdadeira. "Não é uma situação fácil de ser
enfrentada", admite Braga "Mas é necessária."
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LAÇOS Oswaldo
Braga (à esq.) e Gabriel: dez anos afastados até o jovem aceitar o pai gay
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Há uma
grande distância entre saber e aceitar. A psicóloga paulista Vera Lúcia Moris,
que coordena dois grupos de 30 pais gays, lembra que a adolescência é um
período marcado por crises, inclusive com relação à sexualidade. "E o
jovem pode ter problemas para aceitar, compreender ou lidar com a revelação da
homossexualidade do pai", alerta. Mas é possível minimizar muito o impacto
da revelação. O trauma é menor quando a criança cresce sabendo da orientação
sexual do pai ou da mãe. Este é o caso da estudante paulistana Bruna Peixe dos
Santos, 18 anos, que começou a tomar consciência, gradativamente, do
homossexualismo da mãe a partir dos 4 anos. A frase "Filha, eu sou
gay" foi sendo assimilada aos poucos e, hoje, Bruna assegura que não vê
problema nenhum no fato de a mãe, Alexandra, ter mudado o nome para Alexandre
Santos - o Xande que preside a Associação da Parada do Orgulho GLBT de São
Paulo. Mas a tranquilidade com que Bruna lida com o tema não reflete os
aborrecimentos e decepções que já enfrentou. "Tive um namorado que
terminou comigo quando lhe contei. E tive amigos e pais de amigos que se
afastaram por causa do preconceito", conta ela. "Em compensação,
tenho muitos outros amigos que dizem que queriam ter um pai como o meu",
arremata Bruna, que chama Xande de "pãe".
A
homofobia é causa da rejeição de muitos filhos. Temendo serem vítimas de preconceito
e chacotas, eles optam pelo afastamento do pai ou da mãe homossexual. "A
gente morava no interior. Todo mundo sabia que meu pai era gay. Os colegas
zombavam da gente, nos humilhavam", conta a atriz paulista Gabriela (que
pede para não revelar o sobrenome), 29 anos, grávida de seis meses. Ela tinha
18 quando o pai revelou que estava namorando um rapaz, e pediu apenas
compreensão. "Foi um choque. Incomodou muito. Cheguei a me envolver com
uma mulher só para afrontar meu pai", recorda a atriz, que levou cinco
anos para voltar a ter um bom relacionamento com o pai. "Li muito. Isso me
ajudou a entender melhor a situação toda. Amo meu pai e tenho muito orgulho
dele."
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NOTÍCIA "Foi um
choque", conta Gabriela, sobre a revelação de que seu pai vivia com
outro homem
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O
universo de casais gays será dimensionado a partir do ano que vem pelo
Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), que fará uma pesquisa para
saber quantos casais homossexuais residem nos 58 milhões de domicílios
brasileiros. Certamente, o resultado dará uma ideia do quadro, mas não um
número exato porque muitos preferem esconder a opção. Até nove anos atrás, se
participasse da enquete do IBGE, o advogado carioca Marcelo (que não quer seu
sobrenome divulgado) teria mentido, inclusive porque ainda estava casado. Ele
"saiu do armário" - termo popular para dizer que uma pessoa se
assumiu gay - ao ser pressionado pela exmulher. "Ela perguntou e eu
confirmei", diz. Marcelo saiu de casa quando o filho tinha 3 anos e
resolveu que era hora de revelar o fato para o menino aos 10. "Falei para
ele, sem rodeios: 'Papai é gay.'" A reação do garoto surpreendeu:
"Pô, pai, tô cansado de saber. Não falei antes porque fiquei constrangido.
Não tem o menor problema." Mas sua ex-mulher, ao contrário, reagiu mal e
passou a proibir os encontros dos dois, alegando que ele poderia ser má
influência. Sem ver o filho há dois anos, porque o menino se recusa a
encontrá-lo, Marcelo luta contra uma depressão profunda e tenta, na Justiça,
recuperar seus direitos.
A batalha
é longa. Há juízes que acreditam que a relação entre pais gays e seus filhos
pode comprometer o desenvolvimento sadio da criança ou do adolescente. Não é
raro o juiz sugerir que as visitas dos pais homossexuais sejam realizadas sem a
presença do companheiro gay. A desembargadora gaúcha aposentada Maria Berenice
Dias, vice-presidente do Instituto Brasileiro de Direito da Família, discorda.
"Não afeta o desenvolvimento nem leva o filho a ser homossexual também.
Afinal, o homo é filho do hetero", diz. Para a escritora Edith Modesto, 71
anos, fundadora do Grupo de Pais de Homossexuais (GPH), a revelação tende a ser
mais bem digerida quando o filho tem até 4 anos de idade. "Porque o
preconceito ainda não está arraigado, principalmente em relação às pessoas que
elas amam." Mas, lembra ela, o fato de o filho aceitar a homossexualidade
dos pais não implica, necessariamente, aprovação. O estudante Alan Rudolf, 17
anos, que mora com a mãe, a mecânica de avião Adriana Piske, 36 anos, e com a
companheira dela, Kelly Vasconcelos, em Curitiba, Paraná, é bem sincero quanto
a isso: "Não concordo, mas respeito", diz Alan, que soube da
homossexualidade da mãe quando tinha 6 anos. "Para mim não era normal, mas
acabei aceitando."
9/28/2009
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A DJ Nina Lopes, 37 anos, toca todo sábado na primeira festa fixa voltada para lésbicas de São Paulo. "De um ano para cá, teve um boom de baladas para mulher. Temos eventos de sexta e sábado toda semana e outros esporádicos, uma vez por mês ou a cada 15 dias", conta. Alguns chegam a atrair 2,5 mil pessoas. Nas baladas para mulheres homossexuais, a paquera é sutil.
Em vez de abordagens agressivas, as meninas dançam coladas, lançam olhares, esperam uma resposta. Na Superdyke, festas homossexuais femininas, no UltraClub, onde Nina comanda o som, o público está na casa dos 20 anos. Se em lugares públicos namoradas nem sequer podem dar a mão despreocupadamente, lá, casais dão beijos apaixonados. Na pista, garotas dançam bem perto, encaixando os corpos, numa liberdade difícil de imaginar numa festa heterossexual. As atrações da pista são o ponto alto da noite, com shows de gogo dancers e strippers - moças se aglomeram ao redor do palco e gritam, assoviam. No lounge, casais namoram, conversam e dão risada, como se estivessem em bancos de parque, mas sob a proteção das quatro paredes da casa. As lésbicas querem um espaço só delas.
"Quando se fala em movimento gay, as pessoas nem pensam em mulheres. Então é um jeito de dizer que existimos" Karina Dias, escritora
Em muitas coisas, as mulheres homossexuais querem ser iguais aos homens gays: nos direitos civis e na aceitação social conquistados, por exemplo. Em outras, querem que suas diferenças sejam respeitadas e valorizadas. O que se constata quando se mergulha no mundo das lésbicas é que elas não querem abrir mão de um espaço próprio. Ou seja, não querem ficar a reboque dos homossexuais masculinos. Para dar conta dessa necessidade, está surgindo um movimento silencioso, com eventos, produtos e serviços voltados para esse público. As baladas que se multiplicam são um exemplo. Mas o fermento dessa iniciativa é a internet. A escritora Karina Dias, 30 anos, começou com um blog e acaba de lançar o romance lésbico "Aquele Dia Junto ao Mar". "Quando se fala em movimento gay, as pessoas nem pensam em mulheres. Então é um jeito de dizer que existimos", afirma Karina, que recebe dezenas de emails por dia de garotas que não sabem como lidar com a descoberta da sexualidade. "Eles vêm carregados de dúvidas e medos. Isso é um grande impulso para continuar escrevendo."
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A internet mostrou que havia um público negligenciado até mesmo pela mídia gay. "Dentro de um mundo machista, as lésbicas são a minoria da minoria", diz Paco Llistó, editor do Dykerama (dyke é gíria para lésbica, em inglês), site voltado para lésbicas e bissexuais que existe há dois anos e chega a picos de um milhão de acessos por dia. "O machismo pauta até mesmo parte do movimento LGBT (Lésbicas, gays, bissexuais e transexuais). Não só na militância, mas de forma editorial e cultural", afirma Llistó. "Agora elas começam a ganhar espaço."
Mais recente, o site Parada Lésbica tem também uma rede social só para elas. A editora do site, Del Torres, 29 anos, apostou na diversificação de assuntos, sob a perspectiva homossexual feminina. "Lésbicas, acima de tudo, são mulheres e gostam de textos mais sensíveis", afirma Del. Outra ideia foi criar um ponto de encontro virtual para as meninas. Daí surgiu o Leskut, que tem hoje 19 mil perfis e recebecerca de 100 adesões por dia. "Chats de grandes portais estão cheios de heterossexuais e casais procurando alguém para transar. Como o Leskut é um ambiente mais controlado, elas se sentem confiantes."
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A socióloga francesa Stéphanie Arc, autora de "As Lésbicas" (Ed. GLS), que acaba de ser lançado no Brasil, acredita que as homossexuais femininas estão certas em tentar afirmar sua identidade dentro do movimento gay. "Afinal, elas encontram dificuldades específicas na sociedade", reconhece. Mas essa participação é um fenômeno bastante recente. "Existia uma ideia forte de que as mulheres não militavam. E, da forma tradicional, não participavam mesmo", afirma a escritora Valéria Melki, 43 anos. Valéria enfatiza que é importante que a militância assimile as diferenças. "Sexualidade para os homens é um valor, para as mulheres é um horror. Uma mulher sexualmente livre é malvista, ao contrário do homem. Isso afeta a mulher lésbica." A escritora foi uma das criadoras do grupo Umas e Outras, que reunia lésbicas para saraus literários. Outra das criadoras, Laura Bacellar, comemorou um ano da primeira editora lésbica do Brasil, a Malagueta.
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LIVROS PARA ELAS Laura Bacellar e Hanna K são casadas e sócias da editora Malagueta, de literatura lésbica |
Laura fundou a editora junto com sua companheira, Hanna K. "Nos nossos romances, queremos protagonistas e visão homossexuais claras e assumidas", afirma Laura. Há duas gerações escrevendo atualmente: autoras mais velhas, entre 40 e 50 anos, que participaram da primeira fase do movimento gay, e uma nova geração, na casa dos 30 anos, que se formou na internet. "É um pouco mais fácil para elas do que foi para a geração anterior, as famílias aceitam com mais tranquilidade", diz Laura. "Elas são mais diretas em seus textos para falar o que acontece na cama, em detalhes, sem tanto pudor."
Outras editoras estão despertando para o nicho. O Grupo Editorial Summus tem o selo GLS, que só neste ano lançou seis títulos e cresceu 10% mais do que o resto do grupo. "As publicações voltadas para as lésbicas estão mais interessantes", reconhece Soraia Bini Cury, editora-executiva da Summus. "Mas não existia abertura para esses livros. De uns tempos para cá, elas estão assumindo junto com os gays a militância pelos direitos humanos", diz a editora. Os críticos desse movimento alertam para o perigo de as lésbicas quererem se fechar em guetos, justamente no momento em que os gays estão conseguindo mais espaço na sociedade. A semióloga Edith Modesto, que acaba de lançar "Entre Mulheres", de depoimentos homoafetivos, discorda. "Isso é preconceito", afirma. "Não se trata de se isolar. Pessoas com as mesmas características se sentem bem de ter um espaço próprio para discutir seus assuntos." Para Stéphanie Arc, a ideia de gueto também não se aplica. "Não é um conceito exato, porque o gueto é onde você está à força, contra a sua vontade. E isso jamais me ocorreu quando estou num bar para mulheres."
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A NOITE É DELAS Sem assédio masculino, elas ficam à vontade em bares e baladas lésbicas | | | |
| Comportamento |
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| | | No mundo das lésbicas Nas baladas e eventos de mulheres homossexuais se constata que elas querem um espaço próprio, independente dos homens gays
Verônica Mambrini
| 9/25/2009
Publicado em 20.09.2009, às 12h57
uma plateia assistia, atônita, a uma das mais surpreendentes apresentações da cantora Zélia Duncan, na nova turnê Pelo Sabor do Gesto, no lotado Teatro da UFPE.
Com 28 anos de carreira, a carioca ousou ao montar um espetáculo privilegiando todas as músicas do novo CD, recém-lançado pela Universal, e ainda sem nenhum super hit tocando nas novelas. Poucos conheciam as letras e, talvez por isso, o show tenha sido perfeito. Um problema na abertura – Zélia ficou no escuro nas duas primeiras músicas – parecia ter tirado parte do brilho da apresentação. Mas a cada canção, um novo sentimento, uma nova poesia.
Boas Razões abriu o show com estilo, seguida por Ambição e Telhados de Paris – esta última uma das melhores surpresas da noite. Radiante pela forma como foi recebida pelo público do Recife, Zélia interagiu o tempo todo, respondendo a elogios de forma bem-humorada. Quando pedida em casamento por um rapaz da plateia, disse que não podia aceitar, simplesmente porque saía muito à noite. A música de trabalho do CD, Tudo Sobre Você, foi tocada duas vezes e encantou pela sonoridade com grife (John Pato Fu Ulhoa) e beleza da letra.
A emoção durante a performance de Todos os Verbos, cantada em voz e Libras (Linguagem brasileira de sinais), deixava clara a direção da atriz Ana Beatriz Nogueira, que conduziu uma Zélia mais leve e intimista, capaz de repassar para cada um da plateia, um sem-fim de bons sentimentos. O bis veio sem Catedral, reforçando que a noite era dedicada à novidade. Por muita insistência, Zélia cantou em coro o sucesso Não Vá Ainda, talvez a verdadeira mensagem que o público gostaria de deixar à cantora.
Pelo Sabor do Gesto acaba de sair em turnê pelo Brasil e o Recife foi a primeira capital do Nordeste a receber o show. Quem perdeu a única apresentação pode captar parte dessas emoções nas imagens desta matéria ou no CD homônimo, já à venda na cidade. Levará para casa uma Zélia meiga, sonhadora e amorosa, e poderá se perguntar: ela foi sempre assim e eu não sabia?
7/28/2009 CHICO XAVIER E
HOMOSSEXUALIDADE
"Não vejo
pessoalmente qualquer motivo para criticas destrutivas e sarcasmos
incompreensíveis para com nossos irmãos e irmãs portadores de tendências
homossexuais, a nosso ver, claramente iguais às tendências heterossexuais que
assinalam a maioria das criaturas humanas. Em minhas noções de dignidade do
espírito, não consigo entender porque razão esse ou aquele preconceito social
impediria certo numero de pessoas de
trabalhar e de serem úteis à vida comunitária, unicamente pelo fato de haverem
trazido do berço características psicológicas e fisiológicas diferentes da
maioria. (...)
Nunca vi mães e pais, conscientes da elevada missão que a Divina Providencia
lhes delega, desprezarem um filho porque haja nascido cego ou mutilado. Seria
humana e justa nossa conduta em padrões de menosprezo e desconsideração,
perante nossos irmãos que nascem com dificuldades psicológicas?"
( Publicada no Jornal Folha Espírita do mês de Março de 1984 )
Pergunta: Como se explica o homossexualismo à luz da Doutrina
Espírita?
CHICO XAVIER : "Temos tido alguns entendimentos com
espíritos amigos, notadamente com Emmanuel a esse respeito. O homossexualismo,
tanto quanto a bissexualidade ou bissexualismo, como assexualidade, são
condições da alma humana.
Não devem ser interpretados como fenômenos espantosos, como fenômenos atacáveis
pelo ridículo da humanidade. Tanto quanto acontece com a maioria que desfruta
de uma sexualidade dita normal, aqueles que são portadores de sentimentos de
homossexualidade ou bissexualidade são dignos do nosso maior respeito e
acreditamos que o comportamento sexual da humanidade sofrerá, no futuro,
revisões muito grandes, porque nós vamoscatalogar do ponto de vista da Ciência
todos aqueles que podem cooperar na procriação e todos aqueles que estão numa
condição de esterilidade.A criatura humana não é só chamada à fecundidade
física, mas também àfecundidade espiritual.Quando geramos filhos, através da
sexualidade dita normal, somos chamados... também à ..fecundidade espiritual,
transmitindo aos nossos filhos os valores do espíritode que sejamos portadores.
Não nos referimos aqui aos problemas
do desequilíbrio, nem aos problemas da chamada viciação nas relações
humanas.Estamos nos referindo a condições da personalidade humana reencarnada,
muitas vezes portadora de conflitos que dizem respeito seja à sua condição de
alma em prova ou à sua condição de criatura em tarefa específica. De modo que o
assunto merecerá muito estudo. Nós temos um problema em matéria de sexo na
humanidade que precisaríamos considerar com bastante segurança e respeito
recíproco.Vamos dizer: se as potências do homem na visão, na audição, nos
recursos imensos do cérebro, nos recursos gustativos, nas mãos, na tactividade
com que as mãos executam trabalhos manuais, nos pés, se todas essas potências
foram dadas ao homem para a educação, para o rendimento no bem, isto é,
potências consagradas ao bem e à luz, em nome de Deus, seria o sexo em suas
várias manifestações sentenciado às trevas?"
( Entrevista
concedia à extinta Rede Tupi de Televisão, São Paulo, ao programa "Pinga
Fogo", em 28 de julho de 1971 ) 7/14/2009
Citação
A primeira família de duas mulheres- retirado da revista época
As psicanalistas Michele Kamers e Carla Cumiotto conquistaram na Justiça o direito de registrar seus filhos gêmeos no nome de ambas
Eliane Brum e Marcelo Min (fotos), de Blumenau (SC)
O primeiro foi Joaquim Amandio, com 2,8 quilos. Dois minutos depois chegou Maria Clara, só alguns gramas mais pesada. Michele estendeu a mão para Carla, deitada na mesa cirúrgica onde fez cesariana. Às 9h55 de 8 de fevereiro de 2007, as palavras faltaram. Com olhos castanhos boiando em lágrimas, Michele acolheu os bebês: “Filhos, a pami está aqui”. Sabia que reconheceriam sua voz porque havia contado a eles muitas histórias ao longo dos nove meses de gestação em que habitaram o ventre de Carla. A enfermeira olhou para Michele: “A Maria Clara é a sua cara”. Michele exultou. Até hoje conta essa história muitas e muitas vezes. Disparou então para o corredor do Hospital Santa Catarina, em Blumenau, gritando: “Meus filhos nasceram, meus filhos nasceram”. Na sala de espera, as pessoas a olhavam com susto. Afinal, como ela acabou de dar à luz e está gritando e correndo feito doida? Nascia ali uma nova família. Diferente, sem dúvida. Mas uma família.
Sem dúvida.
Um mês mais tarde, Carla e Michele anunciaram à escrivã do cartório de registro civil, em Blumenau: “Somos casadas, nossos filhos foram gerados por inseminação artificial e queremos registrá-los no nosso nome”. A mulher perguntou quem era o pai. Michele respondeu: “Eles não têm pai. Têm a mim”. A escrivã afirmou que só poderia registrar em nome da mãe biológica. “Nós vamos tentar na Justiça, então”, disse Carla. A escrivã retrucou: “Podem tentar, o máximo que vão conseguir é um não”.
Em 12 de dezembro de 2008, o juiz Cairo Roberto Rodrigues Madruga, da 8ª Vara de Família e Sucessões de Porto Alegre, disse “sim”. Em 14 de maio, foi determinada a alteração da certidão de nascimento dos gêmeos. Joaquim Amandio e Maria Clara Cumiotto Kamers são agora filhos de Carla Cumiotto e Michele Kamers e seus avós são Alcides e Clara Cumiotto e Jaime e Maria Kamers.
A sentença é histórica. Pela primeira vez é reconhecido na Justiça o direito de uma mulher, sem nenhum vínculo biológico com seus filhos, ocupar um lugar parental. A Justiça gaúcha, conhecida por decisões de vanguarda, reconheceu e legitimou um vínculo afetivo, amparado por uma história de amor de 11 anos entre duas mulheres, comprovada por vídeos, fotos, documentos e testemunhas. “Algumas pessoas pensam que os novos arranjos estão destruindo as famílias”, diz Michele. “Não é verdade. Eu não poderia adotar filhos que sempre foram meus, que nasceram não apenas do desejo da Carla, mas do meu também. Quem critica não pensa no direito dos meus filhos a ter meu nome, minha herança, o meu amparo legal. Lutamos tanto pelo reconhecimento desse vínculo justamente porque acreditamos na importância da família. Tanto que nos autorizamos a reinventá-la. Pode parecer paradoxal, mas somos tradicionais.”
Ao dar a notícia, a advogada Ana Rita do Nascimento Jerusalinsky desandou a chorar. “Essa sentença mostra que a família não morre nunca. Vai viver para sempre, se a sociedade não for preconceituosa”, afirma. “As novas famílias agregam novos membros, alguns que ainda não sabemos como nominar. É uma grande inclusão. E é esse processo social que está nos levando não ao fim, mas à revalorização da família.”
E como nasce uma família? A de Carla e Michele começou numa troca de olhares numa aula de história da psicologia, no campus do pequeno município de Biguaçu, da Universidade do Vale do Itajaí, em Santa Catarina. Michele, 19 anos, era a aluna. Carla, 27, a professora. Ao ver Carla metida em um vestido justo, verde-claro, de um ombro só, as unhas vermelhas, Michele achou que ela era linda. Carla sentiu, como sente até hoje, 11 anos depois, “como se fosse um homem me tirando a roupa com o olhar”.
Quem eram elas até aqui? Michele é filha de comerciantes bem-sucedidos de Florianópolis, descendentes de alemães. Única menina dos três filhos, “era mais menino que os meninos”. Eram garotas os objetos de seus amores de infância. Mas sofria na escola quando a chamavam de “machorra”. Aos 11 anos, tentou resolver a questão da identidade sexual com uma mudança radical. Michele assumiu o estereótipo da garota feminina. Tornou-se modelo. Tão profundamente que sofreu de anorexia e bulimia até os 17 anos. As fotos do book mostram uma loira muito magra, de cabelos longos, encaracolados, olhar profundo. Michele debutou, namorou muitos garotos, foi capa de jornal.
Num evento, ao pegar uma bebida, outra modelo a beijou na boca. Michele descobriu que adorava. Passou a namorar garotos e garotas, sem nada esconder da família. Aos 18 anos, conseguiu conciliar pela primeira vez a mulher que era à posição masculina com que se identificava. Matriculou-se num colégio de padres, tornou- -se ótima aluna e ingressou na psicologia. Quando perfurou Carla com seu olhar na aula da faculdade, era uma mulher bonita, bem cuidada, mas dotada de uma postura e um magnetismo inscritos nas referências culturais como masculinos.
Carla era a caçula de uma numerosa família de imigrantes italianos de Santa Rosa, interior do Rio Grande do Sul. Loira de olhos azuis e traços delicados, sua feminilidade não era apontada numa família de homens com sexualidade explícita. A Carla era destinado o lugar de “intelectual”. Não era feita para namorar, mas para cuidar dos livros. Mesmo assim, namorou por três anos um colega de psicologia. E depois, quando terminou, teve muitos casos de uma noite só. A Carla nunca havia aparecido a possibilidade de amar outra mulher.
Quando Michele, dona de um olhar mais masculino que muitos homens, a encarou, Carla sentiu-se atraída e confusa. Numa noite, as duas encontraram-se num bar e, quando o bar fechou, transferiram-se para um café. Discutiam algo só verossímil no encontro de uma psicanalista e de uma estudante de psicologia: o que sentiam era “querer ou desejo”?
De repente, Carla perguntou: “Para você, é querer ou desejo?”. Michele respondeu bem rápido: “Desejo”. E já pegou a chave do carro e um par de balas de manga. Quando Carla aceitou a bala, ela veio junto com o primeiro beijo. Passaram a noite dentro do carro, na Praia de Jurerê, em Florianópolis. Até hoje guardam o papel da bala e uma foto das roupas do primeiro encontro.
Carla passou alguns anos tentando entender esse amor tão surpreendente em sua trajetória de vida. A liberação erótica só veio no dia em que ela, muito tímida, sussurrou a Michele: “Eu gosto quando você usa camisa”. Funcionou como uma espécie de senha não só para as fantasias sexuais, como para a libertação das palavras usadas na intimidade. “Até hoje eu continuo gostando de homens, olhando para homens. Só olho para as botas ou os cintos das mulheres, não para elas”, diz Carla. “Descobri que gosto de homens masculinos, de mulheres masculinas. Não conseguiria beijar ou transar com um homem feminino ou uma mulher feminina. Por isso, não consigo me apresentar como homossexual. Não por preconceito, mas porque não me interesso por iguais. Pelo contrário, o que me atrai é a diferença de posição, seja em homens ou mulheres.”
Carla e Michele escolheram a cidade de Blumenau para morar. A princípio, uma cidade com fama de conservadora, povoada por descendentes de alemães, poderia parecer uma má escolha. Mas, depois de alguns risos nervosos nos primeiros tempos, as duas tornaram-se respeitadas na comunidade como psicanalistas e professoras universitárias, autoridades em sua área.
Quando o pai de Carla adoeceu, cuidaram juntas dele até quase a morte. Michele, porém, tinha uma queixa. Enquanto participavam com desenvoltura da vida na família de Michele, como casal, a de Carla ignorava a relação. No enterro, a família agradeceu a todos os que ajudaram a cuidar dele na doença, não sobrou nenhuma palavra para Michele. Ela então exigiu ser assumida. Carla não se sentia capaz desse ato, confusa com a novidade do que sentia. Antes de se separar, Michele lhe entregou uma rosa vermelha e dois cálices de champanhe: “Se nunca te casares, saiba que um dia alguém te pediu em casamento”.
Carla namorou “um homem bacana, numa relação muito interessante”. Michele teve casos com várias mulheres, alguns deles ao mesmo tempo. Um dia Carla descobriu que, mesmo vivendo uma relação com um homem que valia a pena, ela gostava mesmo era de Michele. “Acho isso muito importante, bonito”, diz. “Eu escolhi a Michele.”
Depois de vários drinques num bar com uma amiga, decidiu ir até o apartamento de Michele. Ela estava de pijama, no carro, espiando diante da porta do bar. Recomeçaram. Carla procurou cada parente para contar sua escolha. Mãe, irmãos, sobrinhos. Dessa vez, foi Carla que assustou Michele. Ela queria casar. “Para mim, casar era morar junto”, diz Michele. “A gente não teria documento, nenhum papel. Eu queria um ritual”, diz Carla. “Queria tornar público para nossas famílias e amigos, para a comunidade.” Michele debateu-se ao longo de muitas sessões de análise. “Sabíamos que não podíamos ser duas noivinhas. E era eu, claro, que ocuparia a posição de noivo. E noivo usa smoking. Ficava pensando: ‘Será que só eu sou a homossexual’?”. Decidiu mandar fazer um conjunto de calça e casaco, que usou com camisa branca, colar, brincos e maquiagem. Carla encomendou um vestido de noiva a rigor. “Por que eu não poderia me vestir de noiva?”, diz. “Eu me sentia noiva. A Michele não seria minha mulher, mas meu marido.” A casa que compraram juntas, num bucólico bairro de classe média de Blumenau, foi decorada com todos os elementos que testemunhavam sua história: pétalas de rosas vermelhas, grãos de café, velas, mapas das regiões de onde vieram os antepassados, as árvores genealógicas das duas famílias, fotografias, cartas e bilhetes do romance. Michele esperou Carla na porta. E um amigo celebrou o casamento, numa cerimônia em que contou a trajetória daquele amor. No altar, as duas choravam. Era 3 de setembro de 2004.
"Acreditamos tanto na importância da família que nos autorizamos a reinventá-la. Somos tradicionais" MICHELE KAMERS
"Não me vejo como homossexual. Sou uma mulher feminina, atraída por homens e mulheres masculinos" CARLA CUMIOTTO
Em 2005, Carla começou a esboçar um comportamento estranho até para si mesma. Na conversa com uma amiga, trocou a palavra “psiquiatra” por “pediatra”. Depois, ao falar de um bar, em vez do nome “Tip-Tim, disse “tip-top”. Um dia, surpreendeu-se no centro da cidade espiando vitrines de lojas de roupas de bebê. Por fim, começou a sonhar com bebês. E, um dia, quando atravessavam uma ponte, anunciou, sem preliminares: “Michele, acho que quero ter filhos”. O carro quase despencou lá de cima.
Nos dois anos seguintes, as duas discutiram possibilidades e riscos. “Comecei a desejar o desejo dela de ter filhos”, diz Michele. “E um dia tornou-se meu desejo. Mas queríamos ter a tranquilidade de saber que nosso filho ou filha ficariam bem.” Para Michele, havia uma questão crucial. Como seus filhos a chamariam? Nunca houve nenhuma dúvida, na vida e no casamento, de que ela ocupava a posição masculina. “Era claro para mim que eu teria a função paterna na vida do bebê, mas ele não poderia me chamar de pai”, diz. “Era preciso criar outro nome para uma mulher que ocupa a função paterna. Mas qual?”
Muitas sessões de análise depois, Michele chegou à palavra “pami”. Um nome que, mais tarde, entendeu como a união de “pai” e da primeira sílaba de “Michele”, mas também o masculino de uma palavra popular na vida das crianças: “mami”. Na saída do consultório, ligou para Carla. “Encontrei um nome!” Carla respondeu na hora: “Gostei”. A partir da nomeação, a decisão de ter filhos ganhou serenidade. Depois de conversar com o primeiro especialista, em Porto Alegre, compraram na viagem de volta o primeiro presente do bebê. Um Fusca se fosse menino, um dado para a menina – “já que as bonecas ali eram muito feias”.
Ao receber o catálogo, por e-mail, das opções disponíveis no banco de esperma, em São Paulo, optaram por um doador de ascendência alemã, italiana ou portuguesa, para ser parecido com elas, e de olhos castanhos, como os de Michele. Na primeira inseminação, o médico, um especialista renomado, foi taxativo: “Não sei para que tanta emoção se as chances são só de 20%”. Logo depois Carla menstruou, e elas passaram dois dias com a sensação de que alguém tinha morrido. Tentaram de novo. Dessa vez, o médico, um assistente, foi caloroso. “Vai dar certo!” Deixou que Michele fizesse a inseminação. Há fotos com o registro de cada passo. Para elas, era tudo romance. Carla engravidou. E Michele até hoje se vangloria da “pontaria”.
No segundo mês de gestação, ao acompanhar a ultrassonografia, Michele apontou: “Olha só, há outro pontinho preto aqui”. Foi assim que descobriram que teriam gêmeos. Michele adorou. Carla ficou assustada. Aos quatro meses, outra ultrassonografia revelou que os gêmeos eram um casal. Carla relaxou. Já tinham até nomes. Maria Clara era a soma dos nomes das avós: Maria, mãe de Michele, e Clara, mãe de Carla. Joaquim Amandio, dos patriarcas das duas famílias: Joaquim, “nonno” de Carla, e Amandio, avô de Michele. O casal teve o cuidado de inscrever os filhos na linhagem das duas famílias. Eles chegariam ao mundo amparados pela tradição. Pelas paredes da casa, muitas fotos de Joaquim, Amandio, Maria e Clara. Assim como de Joaquim Amandio e de Maria Clara.
Os dois anos de preparação foram decisivos para organizar com amor e inteligência a chegada de crianças que viveriam num arranjo familiar marcado pela diferença. E também para cometer aqueles absurdos dignos de pais que se prezem. Decidiram que Maria Clara seria escritora e Joaquim Amandio aviador. “Loucura, né?”, dizem hoje, rindo muito. Loucura ou não, Joaquim Amandio ganhou um kit aviação. Mas parece ter mais vocação para caminhoneiro, já que não larga seu caminhão cegonheiro por nada.
Carla logo se tornou uma grávida clássica. Com deslocamento de placenta no início da gestação, encolheu o ritmo de trabalho. E sentiu-se uma rainha, mas uma rainha carente. “Você não me olha, não me vê, está sempre trabalhando”, dizia, mal Michele assomava na porta. Se ela se atrasava cinco minutos para chegar da universidade, Carla sentia-se abandonada. Michele então se dedicou a uma ampla reforma do quarto do casal e dos bebês. Iniciar uma reforma, sempre que algo importante está em curso, tornou-se uma marca de Michele.
Quando os gêmeos nasceram, foram tantas as flores que Michele precisou fazer três viagens de carro entre o hospital e a casa para trazê-las. “Eles foram muito bem recebidos”, diz. O primeiro ano foi duro. Carla teve licença-maternidade, Michele nenhuma. “Passava a noite levando os bebês para mamar e depois tinha de acordar às 7 horas para ir à universidade.” É dela o papel de impor limites. Botou horário nas mamadas e aguentou a choradeira, proibindo Carla de chegar perto do quarto para acudir os filhos. Os gêmeos começaram chamando-a de “a pai”. Depois, “a papai”, em seguida “pã”. E, por fim, “pami”. “Quem é o pai da Maria Clara e do Joaquim Amandio?”, perguntou uma coleguinha de escola. “Você tem pai, eles têm pami”, é a resposta. “Eles são filhos seus ou dela?”, indagou um sobrinho na primeira festa de família. “De nós duas”, disse Carla. “Ah, que legal, assim cada uma pode cuidar de um.” Carla e Michele descobriram que as crianças sempre acham uma boa saída. “Que nojo, beijar uma mulher na boca”, disse uma menina na pracinha. “É mesmo, quando elas não se amam, deve ser bem nojento”, retrucou Carla. “Mas, quando se amam, é bonito.” Um garotinho que circulava por perto falou: “Meu pai namora um homem”.
Nem Carla nem Michele vivem em guetos gays. “Nunca me identifiquei como homossexual. Frequentei pouco bares gays. Porque, ao se apresentar como homossexual, me parece que a identidade é reduzida à escolha sexual. Entendo que, na vida, somos homens ou mulheres e, a partir de marcas infantis e dos bons encontros, cada um vai se referenciando a partir do feminino e do masculino”, diz Michele. “Enquanto um casal tem uma relação homoafetiva, homoerótica e quer viver em guetos, problema dele. Mas, a partir do momento em que um casal tem filhos, acho delicado uma criança ser apresentada ao mundo num gueto. Porque todo gueto, e não só o gueto homossexual, visa excluir a diferença. É o confronto com a diversidade, com outras famílias, outras classes sociais, outras experiências, que aumenta as possibilidades, faz com que cada um seja capaz de inventar uma vida melhor. Nas ocasiões em que tentaram eliminar as diferenças, determinar que só existia uma forma de viver, foi muito triste, como no nazismo e no fascismo.”
Michele espera que “pami”, seu nome para os filhos, vire uma nova palavra inscrita na língua
A pré-escola das crianças foi escolhida por dar prioridade à brincadeira. “Não queremos nossos filhos no computador ou aprendendo inglês, para isso vão ter muito tempo depois”, diz Carla. Quando as crianças fizeram sua estreia para além dos limites da casa da família, Michele e Carla enviaram uma carta à diretora e aos professores. Nela, contavam suas expectativas, sua história de vida e os hábitos dos filhos. A carta é um testemunho de pais amorosos tentando preparar o mundo para os filhos, até que tenham tamanho e maturidade para se defender sozinhos. Num dos itens, denominado “o mito da origem”, escrevem: “Toda criança investiga, lá pelas tantas, de onde eu venho e por que os pais me tiveram. Na verdade, elas querem saber da sexualidade dos pais (não da anatomia), assim como do desejo que as trouxe ao mundo. Isso é o que importa. Como queremos que a escola conte sobre isso para nossos filhos e para as outras crianças, gostaríamos de situar uma pequena história: A mamãe e a pami (nome inventado pela Michele para se apresentar para os filhos) se amavam tanto que chegou uma hora da vida delas que elas quiseram ter filhos. E, como eram duas mulheres, precisavam de um médico que as ajudasse. Aí, elas viajaram para São Paulo e encontraram um médico que as ajudou a encontrar um homem que lhes doou uma sementinha para a vinda dos bebês. Um homem desconhecido, mas muito gentil. É importante que vocês situem que é um doador, e não um pai. Explicar que pai não vem da genética ou do sangue, mas do coração. Por isso, vocês podem explicar que, do mesmo modo que os amiguinhos têm pai e mãe, o Joaquim Amandio e a Maria Clara têm a pami e a mamãe”.
Carla e Michele escreveram uma carta aos professores da escola para prepará-los para a chegada dos filhos
Na passagem do primeiro para o segundo ano de vida dos gêmeos, Carla e Michele tiveram a primeira crise depois do casamento. Carla reclamava que Michele só pensava no trabalho. Michele dizia que era “a mulher que devia ficar mais com as crianças”. “Imagina se eu casei com uma mulher para ouvir uma coisa machista como essa”, diz Carla.
Hoje, as duas dedicam-se a superar o impasse vivido pela maioria dos casais a partir do primeiro filho: como um casal se transforma em família. “As pessoas acham que, como a gente teve tantas dificuldades para se firmar como casal, não poderia ter crise”, diz Michele. “Temos crises como todo mundo. Nossa questão, no segundo ano, foi como voltar a namorar. Além disso, tenho muitos planos, como fazer meu doutorado na França. Não abri mão desse plano por causa dos bebês ou da Carla. Agora, virou um projeto da família, estamos pensando em morar um tempo na França. A questão aqui é como não perder a singularidade.”
Álbum de família
A história de Michele, Carla, Joaquim Amandio e Maria Clara, contada em imagens
Carla e Michele compartilham o pacto de manter o desejo erótico entre elas. “Nosso casamento começou com erotismo. E a gente não larga mão disso”, diz Carla. “Muita gente, depois de ter filhos, deixa de ser homem e mulher, mas achamos que esse é um preço muito alto. Então estamos reinventando nosso casamento.”
A família vive numa casa ampla e antiga, numa rua sem saída que parece feita para criar filhos. No fim do calçamento há uma mata nativa, onde “pami” faz barquinhos de papel para os gêmeos atirarem no rio. Na outra ponta, há uma pracinha. As crianças brincam pelas calçadas com os filhos dos vizinhos. Lá, são conhecidas como “Mano” e “Mana”. Os consultórios das duas estão instalados na parte frontal da casa, o que torna a vida mais fácil e mais próxima das crianças. Há ainda dois membros completando o clã: os cachorros Sofia, um maltês, e Smeagol, um pincher.
Até o início de maio, Carla e Michele não pensavam em divulgar sua vitória na Justiça. A decisão de expor sua trajetória foi tomada depois que a Justiça negou a um casal de mulheres de Carapicuíba, em São Paulo, a tutela antecipada de seus filhos, uma história revelada pela reportagem de ÉPOCA. Nesse caso, os óvulos de Munira Khalil El Ourra foram implantados no útero de sua companheira, Adriana Tito Maciel, gerando gêmeos. Com a negativa, Carla e Michele entenderam que tinham uma responsabilidade “ética e social”. “Se a gente ficasse quietinha, estaríamos fazendo coro à sociedade do narcisismo. Tipo: eu consegui o meu, os outros que se virem”, diz Michele. “Tornar público é uma tentativa de inscrever essa possibilidade no tecido social. Em nenhum momento a gente fez apologia, como se nosso arranjo fosse uma solução ou nossa família fosse melhor que as outras. Cada um faz seu arranjo para se tornar uma família interessante.”
DE VOLTA PARA CASA Michele (à esq.) e Carla retornam depois de passar a manhã brincando com os filhos na pracinha, jogando barquinhos de papel no rio e divertindo-se pela vizinhança da rua onde vivem, em Blumenau, Santa Catarina
Carla e Michele não perderam nenhum paciente devido à exposição, como era o temor de alguns familiares. A reação de pacientes e alunos é de “admiração pela coragem”. “A gente tem uma posição confortável e uma sustentabilidade para dar esse passo sem sofrer com a reação pública”, diz Carla. “As pessoas podem até falar dentro de suas casas, mas não dizem nada para nós. Conseguimos lidar com tranquilidade também porque estamos representadas a partir de diversos referenciais, para além da escolha sexual.” Elas se esforçam para não deixar nada sem dizer. “Enquanto a sociedade pede para esconder, nós fizemos questão de deixar tudo transparente”, diz Carla. Quando são apresentadas a alguém, sempre contam que são casadas e tiveram dois filhos por inseminação artificial. Carla chama Michele de “companheira” ou “marido”. Michele chama Carla de “mulher” ou “princesa”. Ambas se chamam de “amor”. “A gente não acha feio, por isso podemos expor”, diz Michele. “Espero que as pessoas possam mudar um pouco o olhar sobre o que é uma família. Estamos pautadas pelas mesmas leis de toda família, funcionamos a partir dos mesmos códigos. Não estamos fora. Eu tive de inventar um nome, e não é um nome fora da cultura, porque existe um ‘mami’, inventado pelas crianças. Espero que o ‘pami’ possa se inscrever também na cultura, como uma nova palavra, significando coisas diversas para cada um. Tenho muito orgulho da nossa família.”
A história de Joaquim Amandio e Maria Clara está documentada desde o primeiro Kamers e o primeiro Cumiotto que chegaram ao Brasil. Os retratos antigos dividem as paredes da casa com as fotografias que contam o romance de seus pais e seus dois primeiros anos de vida. Michele é quem registra a história dessa nova família. São dezenas de DVDs, centenas de fotos. Até o dia da audiência com o juiz está gravado.
Os gêmeos acordam cedo e pulam dos berços para a cama de “mami” e “pami”. Depois que todo mundo se enrosca um pouco, vão para a mesa do café, quando comem de forma surpreendente para o tamanho. E de tudo um pouco. Depois vão para a rua brincar. À tarde, na escola, Joaquim é conhecido como “conversador” e Maria Clara como “carinhosa”. Michele, Carla ou ambas vão buscá-los. Depois do banho e da mamadeira, as duas se deitam numa joaninha gigante, de pelúcia, até que cada um durma em seu respectivo berço.
No primeiro Dia dos Pais de suas vidas, a escola fez um cartaz com fotografias. Lá está “pami” em duas fotos: uma com Joaquim Amandio, a outra com Maria Clara. Não é a única mulher. Há outras que ficaram viúvas ou cujo marido se tornou ausente – e que tiveram de assumir também a função paterna para os filhos.
A história da família Cumiotto Kamers, não fosse ter duas mulheres à frente, é bem tradicional. Carla e Michele trazem novas nuances à questão. Uma delas é: por que elas não poderiam ser tradicionais? Ou, posto de outra forma, por que, pelo fato de formarem um casal de mulheres, seria imperativo que todas as decisões e arranjos fossem de vanguarda? Se assim fosse, talvez elas não tivessem se empenhado tanto para que sua família fosse reconhecida.
Na volta da escola, a família tem sua brincadeira particular: “Quem é o príncipe do castelo da ‘pami’?”, pergunta Michele. Joaquim responde: “O Mano!”. “Quem é a princesa do castelo da ‘pami’?” Maria Clara diz:“A Mana”. “Quem é a rainha do castelo da ‘pami’?” Carla e os gêmeos afirmam: “A mamãe”. “E quem é a dona do castelo?” Todos gritam, felizes: “A ‘pami’!”.
5/22/2009
A Vivenda Santo Antonio de Apipucos, hoje Casa-Museu Magdalena e Gilberto Freyre, está instalada no local em que o escritor escolheu para morar, por mais de 40 anos: o bucólico e tradicional bairro de Apipucos.
A construção, reconhecida como casa-grande original do século XIX e reformada em 1881, abriga o conjunto de objetos colecionados, guardados e ordenados pela família Freyre.
A preservação do ambiente, exatamente como fora concebido por Gilberto, revela a emoção e a sensibilidade diante da formação de um acervo que enfaticamente testemunha a vida de Pernambuco, do país e de diferentes locais do mundo. Aí se confundem imagens sacras católicas com peças de origem africana, azulejos portugueses com peças da arte popular brasileira, porcelanas orientais com prataria inglesa e portuguesa, além de um vasto acervo bibliográfico e de uma rica pinacoteca.
Gilberto Freire casou com 41 anos e sua esposa Magdalena, oriunda do Rio de Janeiro tinha na época 20 anos e formada em Educação Física. Conta-se que Gilberto fez uma promessa para Santo Antônio para casar com Magdalena e, entre conhecimento, noivado e casamento foi um período de aproximadamente 3 meses. O casal teve dois filhos, o Fernando Freyre e a Sônia Maria Freyre. Na sala de estar da casa museu se encontra vários quadros retratando os avôs, paterno e materno do Gilberto, tios e tias, seu pai, Alfredo Freyre e José Lins do Rego, um dos melhores amigos de Gilberto. Também existem sobre uma mesa central as obras Casa Grande e Senzala, cuja primeira edição é de 1933 e o Nordeste, lançado em 1937, a obra preferida do Gilberto. Em 1981 saiu a primeira edição da obra Casa Grande e Senzala em quadrinho e, depois em 2000, foi re-editada de forma colorida, para motivar a leitura por um público infantil. Nesta mesa também estão dispostos um exemplar da obra Os Lusíadas, de Camões, uma edição especial, que foi editada em número reduzido (150 exemplares e distribuídos pelo mundo para pessoas que se destacavam). No Brasil existem dois exemplares, um presenteado, ao então presidente da república, Getúlio Vargas e outro a Gilberto Freyre. Além dos livros existe uma charuteira em prata. Neste ambiente existem muitos livros, como quase em todos os cômodos da casa e uma coleção de bengalas utilizadas pelo Gilberto para caminhar no sítio, cujas árvores frutíferas, foram em grande parte plantadas pelo mesmo. Passando-se a um segundo cômodo da casa denominado Sala Lula Cardoso Ayres, um famoso pintor pernambucano e amigo de Gilberto Freyre, inclusive com a esposa do Gilberto sendo madrinha de um filho do casal Ayres e vice-versa, o casal Ayres como compadres do Gilberto e da Madalena, tendo batizado a Sônia. Fala-se que o Lula solicitava muito a opinião de Gilberto para a pintura dos seus quadros. Nesta sala está os livros mais antigos da casa, uma coleção que pertenceu ao pai de Gilberto e foi doado para o mesmo. Além dos quadros pintados por Lula Cardoso Ayres. Está também disposto um leão do time esporte, pois o autor era rubro-negro e esta foi uma homenagem do clube, em vida do Gilberto, enquanto torcedor do time. A casa de Gilberto Freire tornou-se Museu quando ela ainda estava vivo, em março de 1987, passando a família Freyre a residir num anexo. Logo depois Gilberto veio a falecer, em julho , no dia do aniversário de sua esposa (18/07/1987),mas foi sua vontade transformar sua residência em museu. Na sala de Jantar são preservados os móveis de jacarandá do séc. XIX e um móvel alemão, tipo aparador, feita pelo alemão Spiller que utilizava em suas esculturas na madeira motivos de frutas e flores tropicais. Na época sobre o aparador eram colocada as bebidas e licores servidos as visitas e principalmente, o conhaque de pitanga, uma receita especial, elaborada por Gilberto Freyre, e mantida em segredo, mas foi repassada para o filho, Fernando Freire, que veio a falecer de forma repentina e, esta receita, perdeu-se no tempo. Nesta sala encontram-se 8 painéis em azulejos portugueses da Igreja de nossa Senhora da Anunciação, de Portela de Sacáven, Portugal, encontrados por Gilberto num antiquário e na época o mesmo fez uma solicitação para trazê-lo ao Brasil. Há mais um desses painel na parte externa da casa. No final da Sala há um terraço, tipo solário, que é a parte mais ventilada e clara da casa e onde Gilberto costumava receber seus visitantes e fazia suas pinturas e desenhos. Há uma mesa com banquinhos todos em azulejo que foram presenteados pela família real a Gilberto. Cada azulejo representa uma antiga província do Brasil. Sobre esta mesa encontram-se dois cinzeiros de cerâmica, presentes do Brennand para Gilberto e também até hoje numa área externa, tipo jardim, sobrevive o jaboti chamado Chiquito, também um presente de Brennand para a família e recebeu o nome de Chiquito em homenagem ao seu presenteador: Francisco Brennand. Este jaboti tem mais de 60 anos. Imagens de São Francisco e Santo Antônio, também estão presentes neste recinto. Depois se adentra a cozinha onde Gilberto e Magdalena costumavam de cozinhar. Aí ainda são mantidos utensílios por eles utilizados, além de livros de receitas de Magdalena, onde existem receitas manuscritas e outras de recortes. É neste local que está à mostra o livro açúcar de Gilberto Freyre, que foi um dos primeiros escritores a associar culinária com cultura. Afinal para Gilberto a feijoada brasileira foi nascida nas senzalas. Há também dispostos quadros de Brenam e ao fundo um banner de um engenho antigo da região. Há depois uma sala denominada Gilberto Freyre, onde estão as comendas recebidas pelo autor de Casa Grande e Senzala, como a Order of the British empire, Sir – “Cavaleiro Comandante do Império Britânico “ concebida pela Rainha Elizabeth II,em 1971, além de várias outras comendas. Gilberto deve ter sido um dos brasileiros mais condecorados de todos os tempos. Uma também uma das mais importantes condecorações italiana (Prêmio Internacional La Madonnina, Itália, 1969 ), prêmio de literatura. Gilberto publicou aproximadamente 76 obras em vida, podendo-se afirmar que conseguiu viver da Literatura. Há neste recinto um importante quadro original do pintor Cícero dias, a Família de Luto. Foi este pintor e desenhista quem ilustrou a obra Casa Grande e Senzala. Está ocorrendo, atualmente no Museu da Língua Portuguesa em São Paulo uma exposição: Gilberto Freyre, interprete do Brasil, cujo catálogo se encontrava sobre a mesa. Nesta sala estão todas as obras de Gilberto e as várias edições de sua mais importante obra: Casa Grande e Senzala, traduzida para mais de 15 idiomas. Na biblioteca, onde de fato se encontra a maior parte dos livros e uma poltrona onde o Gilberto costumava escrever. Lá existe um boneco sentado simbolizando o Gilberto e a sua forma de escrever, sempre utilizando lápis e com uma perna sobre a poltrona. Junto há um porta-retrato com uma fotografia mostrando esse hábito do escritor. Há também uma vitrina onde estão contidas várias placas comemorativas recebida pelo autor durante a passagem dos seus 80 anos, que foi bastante festejado. O pai de Gilberto Freyre foi juiz e educador e ajudou na formação de seu filho, chegando a trazer professor de fora do país para alfabetizar o Gilberto, que primeiro chegou a ser alfabetizado em Inglês, e depois em português, pois na época teve dificuldade para aprender e ser alfabetizado em português, chegando a trazer preocupação para a família, pois já quase 8 anos de idade e ainda não conseguia ler e escrever. Depois subindo para o cômodo superior da casa onde se encontram o quarto do casal (Gilberto e Magdalena) e dos dois filhos, Sônia e Fernando. No quarto de casal é interessante observar à cama disposta de uma forma bem central no quarto, disposição essa atribuída à superstição do Gilberto, de que a cama não poderia estar posicionada de frente para as portas. De um lado há o guarda roupa e pertences que foram do Gilberto e do outro de Magdalena, principalmente destacando suas linhas de bordado, pois, toda a tapeçaria e almofadas da casa foram tecidas por ela, em ponto de cruz. Há também três grandes espelhos de cristal, com molduras banhada a ouro. Existe uma gueixa de porcelana, com cabelo verdadeiro de japonesa que foi presenteado ao casal no noivado. Aí também se encontram últimas fotografias tiradas do autor com sua família. No quarto de Sônia aparecem várias pastas com manuscritos de Gilberto e, ela própria, chegou a escrever um livro: Vidas vivas e revividas, onde conta sua história de criança convivendo nesta casa com seus pais. No quarto de Fernando os móveis também foram feitos pelo escultor alemão Spiller e existem coleções de barro (cerâmica) provindas de caruaru e do artista Zé do Carmo, ceramista e pintor pernambucano, considerado patrimônio vivo. De fato uma visita ao Museu e Casa Magdalena e Gilberto Freire é uma viagem no tempo. Há ainda ao redor da residência todo um sítio ecológico com as trilhas, como a da pitanga, um convite a viver a natureza e a tradição do povo pernambucano.
5/20/2009
Fazer 30 anos
Affonso Romano de Sant'Anna
QUATRO pessoas, num mesmo dia, me dizem que vão fazer 30 anos. E me anunciam isto com uma certa gravidade. Nenhuma está dizendo: vou tomar um sorvete na esquina, ou: vou ali comprar um jornal. Na verdade estão proclamando: vou fazer 30 anos e, por favor, prestem atenção, quero cumplicidade, porque estou no limiar de alguma coisa grave.
Antes dos 30 as coisas são diferentes. Claro que há algumas datas significativas, mas fazer 7, 14, 18 ou 21 é ir numa escalada montanha acima, enquanto fazer 30 anos é chegar no primeiro grande patamar de onde se pode mais agudamente descortinar.
Fazer 40, 50 ou 60 é um outro ritual, uma outra crônica, e um dia eu chego lá. Mas fazer 30 anos é mais que um rito de passagem, é um rito de iniciação, um ato realmente inaugural. Talvez haja quem faça 30 anos aos 25, outros aos 45, e alguns, nunca. Sei que tem gente que não fará jamais 30 anos. Não há como obrigá-los. Não sabem o que perdem os que não querem celebrar os 30 anos. Fazer 30 anos é coisa fina, é começar a provar do néctar dos deuses e descobrir que sabor tem a eternidade. O paladar, o tato, o olfato, a visão e todos os sentidos estão começando a tirar prazeres indizíveis das coisas. Fazer 30 anos, bem poderia dizer Clarice Lispector, é cair em área sagrada.
Até os 30, me dizia um amigo, a gente vai emitindo promissórias. A partir daí é hora de começar a pagar. Mas também se poderia dizer: até essa idade fez-se o aprendizado básico. Cumpriu-se o longo ciclo escolar, que parecia interminável, já se foi do primário ao doutorado. A profissão já deve ter sido escolhida. Já se teve a primeira mesa de trabalho, escritório ou negócio. Já se casou a primeira vez, já se teve o primeiro filho. A vida já se inaugurou em fraldas, fotos, festas, viagens, todo tipo de viagens, até das drogas já retornou quem tinha que retornar.
Quando alguém faz 30 anos, não creiam que seja uma coisa fácil. Não é simplesmente, como num jogo de amarelinha, pular da casa dos 29 para a dos 30 saltitantemente. Fazer 30 anos é cair numa epifania. Fazer 30 anos é como ir à Europa pela primeira vez. Fazer 30 anos é como o mineiro vê pela primeira vez o mar.
Um dia eu fiz 30 anos. Estava ali no estrangeiro, estranho em toda a estranheza do ser, à beira-mar, na Califórnia. Era um homem e seus trinta anos. Mais que isto: um homem e seus trinta amos. Um homem e seus trinta corpos, como os anéis de um tronco, cheio de eus e nós, arborizado, arborizando, ao sol e a sós.
Na verdade, fazer 30 anos não é para qualquer um. Fazer 30 anos é, de repente, descobrir-se no tempo. Antes, vive-se no espaço. Viver no espaço é mais fácil e deslizante. É mais corporal e objetivo. Pode-se patinar e esquiar amplamente.
Mas fazer 30 anos é como sair do espaço e penetrar no tempo. E penetrar no tempo é mister de grande responsabilidade. É descobrir outra dimensão além dos dedos da mão. É como se algo mais denso se tivesse criado sob a couraça da casca. Algo, no entanto, mais tênue que uma membrana. Algo como um centro, às vezes móvel, é verdade, mas um centro de dor colorido. Algo mais que uma nebulosa, algo assim pulsante que se entreabrisse em sementes.
Aos 30 já se aprendeu os limites da ilha, já se sabe de onde sopram os tufões e, como o náufrago que se salva, é hora de se autocartografar. Já se sabe que um tempo em nós destila, que no tempo nos deslocamos, que no tempo a gente se dilui e se dilema. Fazer 30 anos é como uma pedra que já não precisa exibir preciosidade, porque já não cabe em preços. É como a ave que canta, não para se denunciar, senão para amanhecer.
Fazer 30 anos é passar da reta à curva. Fazer 30 anos é passar da quantidade à qualidade. Fazer 30 anos é passar do espaço ao tempo. É quando se operam maravilhas como a um cego em Jericó.
Fazer 30 anos é mais do que chegar ao primeiro grande patamar. É mais que poder olhar pra trás. Chegar aos 30 é hora de se abismar. Por isto é necessário ter asas, e sobre o abismo voar.
(13.10.85)
O texto acima foi extraído do livro "
A Mulher Madura ", Editora Rocco - Rio de Janeiro, 1986, pág. 36 5/18/2009
"E se a gente fizesse um filme sem sexo? Que não fosse homem nem mulher? Nem macho nem mulherzinha? E se a gente fizesse um filme que fosse só uma voz? Nem aguda nem grave. Que falasse alto, sem ter que falar grosso. Um filme nem vestido nem nu. Que não fosse uma bunda nem uma par de peitos. Nem um par de bíceps. Nem bem nem mal- dotado. Nem a gostosa nem o tarado. E se a gente fizesse um filme que gosta de futebol e também gosta de moda, que toma cerveja e cozinha bem? Que falasse de gentileza e de inteligência. Um filme sem retoque no photoshop. Sem classe social. Nem mais nem menos, nem igual nem diferente. Nem negro nem branco. Nem azul nem cor- de- rosa. E se a gente fizesse um filme que não fosse nem oriental nem ocidental? Nem feio nem bonito. Um filme que falasse em não oprimir e em não ser oprimido. Um filme sem sexo e sem preconceito. Que não bate nem apanha. Sem inveja e sem ciúme. Sem abandono, estupro ou abuso moral. Sem clitóris mutilado. Sem sutiã, sem burca. Sem terno e sem gravata. Sem acumular funções. Um filme sem rótulos. Sem poder ou submissão. Um filme que falasse, de alguma forma, que o sexo não justifica nem legitima qualquer defesa que seja um ataque. Que o sexo deveria ser a última questão numa entrevista de trabalho. Que uma pessoa fisicamente forte é fraca ao usar sua força contra outra. E que uma pessoa fisicamente fraca é forte ao usar sua delicadeza com inteligência. Um filme é só um filme. Não tem o poder de mudar o mundo, não tem a solução para nenhum problema. Mas um filme pode convidar as pessoas a observar como o mundo é feito de duas energias essenciais: a feminina e a masculina, presentes não só no mundo, mas dentro de cada um. E se a gente fizesse um filme sem sexo e sem cor? Feito por um homem e uma mulher com a ajuda de outros homens e outras mulheres. Uma voz que simplesmente fosse ouvida. Exatamente por não ter sexo nem cor. A favor das mulheres por não ser contra os homens. A favor dos homens por não ser contra as mulheres. Um filme que não pretendesse igualar o que é diferente. Nem diferenciar o que deve ser igual para todo mundo. Um filme sem sexo. Feito para o Dia Internacional da Mulher, desejando que fosse para o dia internacional da pessoa."
Vídeo criado por Cristiana Guerra e por Daniel de Jesus da Agência de Comunicação Lápis Raro, em 2008, especialmente para o Dia Internacional da Mulher. 5/1/2009
cassiano - Nasc.: 23/05/1999 às 15:05 em Recife (PE)
Posição dos planetas: Sol em Gêmeos Lua em Virgem Mercúrio em Touro Vênus em Câncer Marte em Libra Júpiter em Áries Saturno em Touro Urano em Aquário Netuno em Aquário Plutão em Sagitário
Posição das casas: Ascendente em Libra Casa 2 Escorpião Casa 3 Sagitário Casa 4 Capricórnio Casa 5 Aquário Casa 6 Peixes Casa 7 Áries Casa 8 Touro Casa 9 Gêmeos Casa 10 Câncer Casa 11 Leão Casa 12 Virgem
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Seu signo é: Gêmeos ... O EU Interior
O terceiro signo do Zodíaco, Gêmeos, se inicia em 21 de Maio e termina em 21 de Junho. É um signo de Ar, mutável, positivo, masculino duplo, estéril, loquaz e volátil. É regido pelo planeta Mercúrio, que simboliza o intelecto, a razão. Se identifica com o elemento aéreo, a dualidade, e tem uma grande habilidade para os negócios, o trabalho intelectual, as relações, o comercio, e os meios de comunicação. O planeta Mercúrio, na mitologia grega, era o mensageiro dos Deuses, trazendo e levando notícias, mas também fazendo lá suas fofocas (que não foram poucas!). Os nativos do signo são pessoas de grande poder intelectual, muitas vezes usado indevidamente. Explico: por serem muito curiosos, e terem tendência à superficialidade, cansam-se facilmente de um assunto e passam para outro assim que dominam o primeiro. Sendo expertos, têm facilidade para enganar os outros, e são excelentes comerciantes. Têm o dom da comunicabilidade, sendo às vezes um pouco tagarelas! Sua mente é engenhosa, hábil, com facilidade de compreensão e assimilação. Têm facilidade de se adaptar às mudanças na vida, gostando de experiências sempre novas e renovadas. Devem tomar cuidado para não dispersar suas energias, por causa do elemento volátil de que são feitos. Têm facilidade para línguas e têm o dom da imitação. Gostam de argumentar e seu raciocínio lógico lhes dá sempre razão! Cuidado para não trapacear! Os nativos de Gêmeos possuem também habilidade manual, que pode torná-los hábeis prestidigitadores (mágicos ou ladrões)! Depende sempre de como são utilizados os dons! Os pontos fracos em seu organismo são: os pulmões, os braços, mãos e ombros, onde estarão sujeitos a descarregarem as suas ansiedades. Por isso têm facilidade de resfriados e todas as complicações do aparelho respiratório.
Gêmeos e o Amor: O Geminiano, é rápido para se apaixonar, e diz tudo o que pensa. Se for romântico não terá dificuldade de expressar os seus sentimentos, de maneira bastante direta. Não sendo muito paciente pode não dar tempo ao parceiro de reagir, ou não escutá-lo com suficiente atenção. Ele costuma colocar "as palavras na boca dos outros"! Às vezes ele tem necessidade de mais de um relacionamento, e para não ser acusado de inconstância, deve falar francamente com o parceiro, já que nem todos os relacionamentos são necessariamente "sexuais". Outro ponto importante é o relacionamento intelectual com o parceiro, já que ele precisa de um estímulo constante de interesse. Pratique a paciência.
Gêmeos e a Casa: Como seria o espaço onde vive o geminiano? A moda está sempre em dia na casa dos geminianos, pois nada é permanente, a não ser as constantes mudanças! Os móveis, por exemplo, nunca permanecem por muito tempo no mesmo lugar e as estampas florais de hoje, poderão em breve ser substituídas pelo listrados ou pelo composé geométrico da estação. Por ter medo de se entediar, é comum deste nativo brincar com a decoração. Precisam também de um lugar para seus livros e revistas, com os quais se alimentam diariamente. Para completar o ambiente onde vivem, gostam tanto de cortinas drapeadas e espelhos aparentes, quanto do despojamento do estilo clean e atual. Adoram a ilusão das pinturas “tromp l´oeil” e os tons metálicos, o amarelo, azul e cinza claro. Se V. acha que seu Signo está errado, CLIQUE AQUI e saiba mais!? |
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Ascendente em Libra
O Ascendente tem relação com sua aparência física e com o jeito que você se apresenta aos outros. Você que tem o Ascendente em Libra, é seguramente uma pessoa refinada e de bom gosto. A atração pelas artes e a necessidade de um ambiente belo e refinado torna-se imprescindível quando Libra ascende no mapa. A sua necessidade de expressar o afeto o torna um ser sociável e amável com todos, mas também pode ser interpretada como fraqueza se você demonstrar indecisão e falta de firmeza em suas atitudes. Buscando sempre o seu “par ideal” terá como meta prioritária formar parcerias e suas maneiras doces e diplomáticas fazem de você uma pessoa querida em todas as reuniões sociais. Você poderá se dedicar às carreiras artísticas para poder expressar toda a sua sensibilidade. A expressão de doçura, os belos traços de seu rosto, os braços e mãos alongados, também são características de quem possui Libra no ASC. E você pode ter covinhas no rosto e uma boca bem desenhada, em forma de coração. Você precisa se ocupar com hobbies que tenham função relaxante, como a dança, a música e as artes de maneira geral. Como Libra rege os rins, estes órgãos são fracos em seu organismo: se você tiver problemas com seu bem amado seguramente acabará tendo problemas renais. Assim, procure não se amargurar tanto se não conseguir preencher de maneira satisfatória o seu lado sentimental. O temperamento sanguíneo (próprio dos signos de Ar) indica propensão a doenças relacionadas com o sangue venoso e arterial, assim como a tudo o que estiver relacionado com as vias urinárias. (Lembre-se que um planeta colocado em conjunção com o Ascendente e também seu Signo, irão influenciar nesta descrição, modificando suas características). Clique aqui para saber mais sobre o Signo Ascendente |
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Lua em Virgem As Suas relacões emocionais.
Com a Lua neste signo você possui capacidades virginianas para aprender facilmente, memorizar e analisar, e tem aptidão para os estudos científicos e analíticos e para todas as profissões literárias. A humildade e a modéstia podem estar entre suas qualidades, assim como a capacidade de servir, de trabalhar a serviço dos outros. Se você for mulher, esta Lua pode indicar uma figura materna doméstica, simples e trabalhadora, preocupada com a ordem e o serviço da casa. Você pode ter tido uma infância simples e humilde. Muitas mulheres com esta Lua trabalham no serviço público ou no ensino primário. Uma Lua em Virgem em aspecto aflito pode indicar uma preocupação excessiva com higiene e saúde, com ordem e limpeza, e alguma hipocondria, tanto no homem quanto na mulher. Uma certa inquietação interior pode se exteriorizar como frieza sentimental, timidez excessiva e atitudes submissas. Esta não é uma Lua fértil para a mulher e indica dificuldades para a concepção. |
Primeiro Decanato de Gêmeos
Período de 21 de maio a 29 de maio
Serão inclinados à filosofia e à literatura. Possuirão excepcional capacidade linguística e desenvolvidos dotes de oratória. Poderão conseguir grande sucesso se dedicarem à advocacia. Serão amáveis, bem-humorados, benevolentes e possuirão um temperamento mais tranquilo e perseverante do que os nascidos nos decanatos seguintes. O tipo físico será belo e bem-proporcionado, havendo uma leve tendência para engordar à medida que os anos forem passando. A inteligência será mais concentrada e objetiva, e por essa razão os nascidos neste período conseguirão sempre vencer todos os obstáculos e realizar seus desejos e empreendimentos.
o primeiro decanato (decanato físico) fosse o mais influenciado pela herança do passado cármico. Há pessoas que têm todos os planetas, ângulos do céu e luminárias, nos primeiros decanatos: estes têm dificuldade de alçar vôo, funcionam ainda como nas vidas anteriores. Só conseguem livrar-se dos hábitos cármicos com grande esforço.
O primeiro decanato de cada signo ainda é receptivo às influências terrestres, físicas, carnais, às quais reage fortemente, como no passado. Seus hábitos emocionais anteriores ainda têm poder sobre ele: só lentamente irá desligar-se deles.
primeiros decanatos ocupados indicaria uma alma ainda pouco evoluída, que arrasta um pesado carma, ou uma alma jovem, que passou ainda por poucas encarnações.
Orixá OSSÂIM
Rege Virgem e Gêmeos – É o orixá das ervas medicinais e está intimamente ligado à natureza. É crítico, meticuloso, sensível, o que o aproxima do signo de Virgem. Mas é também mutável, inquieto, irônico e superinventivo – qualidades de Gêmeos. Corresponde a Mercúrio. Está associado a São Benedito.
Mercúrio dá a Gémeos a rapidez de raciocínio e a curiosidade que leva à descoberta. Aqueles que nascem sob a sua influência são racionais, metódicos e objectivos. 4/30/2009
Citação
mapa astral
maria roberta - Nasc.: 20/05/1979 às 12:30 em Recife (PE)
Posição dos planetas: Sol em Touro Lua em Peixes Mercúrio em Touro Vênus em Touro Marte em Touro Júpiter em Leão Saturno em Virgem Urano em Escorpião Netuno em Sagitário Plutão em Libra
Posição das casas: Ascendente em Leão Casa 2 Libra Casa 3 Escorpião Casa 4 Sagitário Casa 5 Sagitário Casa 6 Capricórnio Casa 7 Aquário Casa 8 Áries Casa 9 Touro Casa 10 Gêmeos Casa 11 Gêmeos Casa 12 Câncer
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Seu signo é: Touro ... O EU Interior
Este segundo signo do Zodíaco, inicia-se em 20 de Abril e termina em 20 de Maio. É negativo, feminino, noturno e tortuoso. Signo de Terra, é governado pelo planeta Vênus. Assim como a Deusa da Mitologia que o governa, o signo de Touro simboliza a mãe terra, a Deusa Géa, a natureza, os campos, as construções materiais e estáveis, a elaboração e gestação da criação. A agricultura e o mundo financeiro, são também governados por este signo, cujos nativos desejando a estabilidade, acumulam riquezas, casas e terrenos, jóias e dinheiro sólido, e tudo o que pode lhes proporcionar uma sensação de estabilidade e segurança. Se de um lado este desejo de segurança é positivo, o Taurino não deve esquecer que pode se exceder num acumulo imoderado de posses! A calma e a paciência característicos do signo podem se tornar excessivos, tornando-se obstinação e teimosia, e mostrando que os nativos podem ser verdadeiros touros furiosos! Sendo um signo de Beleza, os nativos e nativas deste signo tem um enorme poder de atração, verdadeiro magnetismo para atrair o que desejam, e possuem um temperamento às vezes simplista e um pouco “naif”, especialmente aqueles que se dedicam ao campo, à agricultura, à criação de animais. Devem tomar muito cuidado com a teimosia, e também com a gula que dificilmente conseguem controlar! O Taurino é dono de uma bela voz, mas deve ter cuidado com sua garganta, pescoço e também com a boca, que se inflamam com facilidade.
O Touro e o Amor: O Taurino é um amigo leal e fiel, e desta forma será um parceiro sempre confiável. Porém no amor, pode ser um pouco exclusivista e precisará desenvolver o desprendimento e a doação, para equilibrar o seu sentimento de posse, que o torna excessivamente ciumento e inflexível. O eixo Touro/Escorpião é seguramente o mais possessivo do Zodíaco! É possível que pela sua necessidade de estar sempre com o companheiro, ele se empenhe para estar sempre presente na vida do parceiro, o que pode ter uma resposta contrária às suas pretensões. Deve portanto aprender a deixar espaço, e a dar “tempo ao tempo”, para não sufocar o ser amado. O taurino é um amante maravilhoso mas deve tomar cuidado para não monopolizar a vida do parceiro pois acabará por amedronta-lo.
O Touro e a Casa: Os Taurinos dão muita importância às posses, e por conseqüência a sensação de segurança que uma casa pode oferecer será uma prioridade máxima em sua vida. São bastante rústicos em seus gostos, ou as vezes um pouco excessivos, tendo sempre objetos “sobrando”, pequenas lembranças de viagem, entulhando o caminho. Eles não se desfazem de nada! Onde o Taurino dorme é como um jardim secreto, que ele não divide facilmente. Para este nativo do signo de terra, tão possesivo e sensual, o prazer dos olhos não é suficiente, é preciso tocar as coisas para que elas possam satisfazê-lo. Roupas espalhadas e muitos objetos de artesanato, como tapetes de fibras naturais, são presenças garantidas neste espaço que na realidade, seria como uma grande alcova, com uma varanda, cercada por plantas e flores, de preferência, onde podem sentir todo o prazer sensual do qual eles tanto necessitam. As cores favoráveis são os tons da natureza, como brique, verde, Terra-di-Siena e pêssego. Se V. acha que seu Signo está errado, CLIQUE AQUI e saiba mais!? |
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Ascendente em Leão
O Ascendente tem relação com sua aparência física e com o jeito que você se apresenta aos outros. Você que tem o Ascendente em Leão, certamente não gosta de passar despercebido. Sua altivez e sua forma de se mostrar para o mundo beiram a arrogância e pode ser muito mal interpretada, especialmente se abusar de seu poder. Geralmente as pessoas que possuem este signo desejam para si o melhor do mundo e fazem de tudo para consegui-lo. Adoram chamar a atenção, se colocar em destaque, são generosos e autoconfiantes. Quando Leão é seu ascendente a pessoa é um ator e adora um palco, um aplauso. Muito ambicioso, você precisa desenvolver a autoconfiança em você mesmo para alcançar as metas e objetivos traçados; mas não culpe o mundo se você não conseguir o que pretende. Seu porte físico atrai o olhar mesmo se não é conferido pela beleza física, mas é fruto da sua vaidade. Esta vaidade pode levá-lo a se enfeitar muito, mesmo se for homem: não faltarão correntes de ouro, relógios vistosos, roupas de grife, todos símbolos de sua opulência e realeza. Fisicamente você é forte, com os membros curtos e musculosos, demonstrando vigor físico e firmeza. Seu olhar é direto e um pouco arrogante e você se mostra altivo e dominador. Normalmente possui uma bela e sonora voz, um verdadeiro rugido capaz de se fazer ouvir ao longe! Seu temperamento é bilioso (natural do signo de Fogo) e predispõe você às doenças do sangue e do coração. Você pode também sofrer da coluna vertebral. A atividade física é indispensável à sua saúde. (Lembre-se que um planeta colocado em conjunção com o Ascendente e também seu Signo, irão influenciar nesta descrição, modificando suas características). Clique aqui para saber mais sobre o Signo Ascendente |
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Lua em Peixes As Suas relacões emocionais.
Você que possui esta Lua possui uma imaginação fértil, quase inspirada. È imaginativo, sonhador, impressionável, tendo atração pelo místico, pelo esotérico e pelo oculto. Sua mediunidade espontânea o torna sensível ao meio ambiente. Você é sentimental e tem compaixão por aqueles que sofrem, assim, poderá se dedicar a obras caridosas, ajudando aquelas pessoas que sofrem pela exclusão social. Você gosta de estar em contato com o público e poderá ter profissões ligadas à hotelaria, bares e restaurantes, assim como com ocupações ligadas ao mar. Poderá usar seus dons também em ocupações ligadas ao imaginário, como o teatro, o cinema e a fotografia, que necessitam de imaginação e criatividade. Para a mulher esta Lua é um índice de alta fertilidade. Se sua Lua estiver ‘aflita’, será causa de excesso de sentimentalismo e impressionabilidade, dificuldades de ação e propensão para o escapismo, que pode ser dirigido para o alcoolismo, o cigarro e para as drogas em geral. O excesso de misticismo pode ser causa de superstição e a imaginação doentia pode até mesmo levar à depressão e medos inconscientes. As dificuldades de se firmar com os pés no chão podem impedir o sucesso material. |
3º decanato- 11 a 20 de Maio - Saturno = Taurinos deste decanato são pessoas discretas, prudentes, mas dotadas de forte espírito de luta, de perseverança e de liderança. Normalmente não têm muitos amigos e sua sensualidade fica escondida, à espera de estímulos.
Os nativos desse decanato são pessoas refinadas, com uma personalidade fascinante e capaz de cativar, tanto intelectualmente, quanto pela originalidade de suas idéias e posições. Por outro lado, esse decanato torna as pessoas um tanto extremadas, pois da mesma forma como vão angariar amigos fiéis e sinceros, encontrarão inimigos traiçoeiros e perversos. Este decanato perde muito da influencia de Venus, pois seus nativos são possessivos e obstinados em suas idéias e práticas, necessitando de muita habilidade para serem direcionados a um objetivo comum. São lentos nas decisões e no modo de fazer seu trabalho ou suas conquistas, pois preferem trabalhar com segurança e não cometer erros de julgamento ou de avaliação. Possuem um grau de ambição mais elevado que os taurinos dos outros decanatos, o que os torna muito mais profissionais, sem perder o encanto natural.
O terceiro decanato está ligado em relação com o nosso corpo espiritual, esta sob a influência dupla de Saturno e Júpiter.
O terceiro decanato (decanato espiritual) indica a direção provável do progresso do nativo. As pessoas cujos planetas, luminárias e ângulos do céu ocupam predominante o fim de um signo, vivem uma encarnação de transição. Tendo liquidado o passado, pode-se esperar vê-las dar uma virada na maturidade; seu fim de vida será muito diferente do início.
O terceiro decanato , ativo, dinâmico, voltado para o futuro, em constante progressão, indica um estado de desligamento dos antigos hábitos cármicos. As dívidas estão quase pagas, aproximasse a libertação. Se o ser não criar um novo carma, logo sairá da roda das reencarnações.
O decanato habitado pelo sol ou pela lua indica o estado de progresso, em relação ao “estado celeste” dos regentes deste decanato.
Posições planetárias no terceiro decanato, em maior número indica que está no caminho da liberação, da iluminação, tendo apreendido a controlar suas pulsões físicas, suas emoções e sua mente: pode dirigir seus pensamentos para uma via espiritual, ou se empenhará por completo.
Saturno em Touro Touro é o signo que consegue entender o valor das coisas materiais, de se ter um corpo terreno e sensações físicas. O Saturno taurino vai querer garantir que esses valores não sejam superficiais e frutos do acaso, fazendo com que se entenda que todo e qualquer valor tangível é relativo, menos aqueles que você encontra dentro de si. A sensação de segurança que a matéria geralmente traz é dificultada com esse Saturno. A pessoa sente como se não pudesse ter essa segurança, o que pode gerar uma verdadeira fixação em acumular coisas ou um desprendimento cheio de medo por sentir que não consegue aquilo que se precisa, muitas vezes com uma aura “espiritualista” que encobre a cobiça. Há medo de se responsabilizar pelos próprios valores e uma desconfiança dos sentidos físicos, como se houvesse um vazio que nunca pode ser preenchido, pois há sempre a consciência de que nada é para sempre e há muita dor em se perder aquilo que se possui. De alguma maneira a pessoa cresceu em uma ambiente em que não foi possível desenvolver um senso de valor pessoal, interior e individual. Depois de passar um bom tempo buscando esses valores fora de si, a frustração por não conseguir esse sentido de segurança deve fazer com que se comece a buscar internamente. Só quando a pessoa passa a ver esses seus medos e angustias de forma mais profunda e é obrigada a encarar os labirintos dos seus desejos, percebe que os valores que procura nada tem a ver com objetos, mas sim com um valor central e inalterado que existe dentro dele, cuja definição não pode ser formulada, mas cuja realidade - para quem a experimentou subjetivamente - não pode ser questionada.
maria roberta - Nasc.: 20/05/1979 às 12:30 em Recife (PE)
Posição dos planetas: Sol em Touro Lua em Peixes Mercúrio em Touro Vênus em Touro Marte em Touro Júpiter em Leão Saturno em Virgem Urano em Escorpião Netuno em Sagitário Plutão em Libra
Posição das casas: Ascendente em Leão Casa 2 Libra Casa 3 Escorpião Casa 4 Sagitário Casa 5 Sagitário Casa 6 Capricórnio Casa 7 Aquário Casa 8 Áries Casa 9 Touro Casa 10 Gêmeos Casa 11 Gêmeos Casa 12 Câncer
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Seu signo é: Touro ... O EU Interior
Este segundo signo do Zodíaco, inicia-se em 20 de Abril e termina em 20 de Maio. É negativo, feminino, noturno e tortuoso. Signo de Terra, é governado pelo planeta Vênus. Assim como a Deusa da Mitologia que o governa, o signo de Touro simboliza a mãe terra, a Deusa Géa, a natureza, os campos, as construções materiais e estáveis, a elaboração e gestação da criação. A agricultura e o mundo financeiro, são também governados por este signo, cujos nativos desejando a estabilidade, acumulam riquezas, casas e terrenos, jóias e dinheiro sólido, e tudo o que pode lhes proporcionar uma sensação de estabilidade e segurança. Se de um lado este desejo de segurança é positivo, o Taurino não deve esquecer que pode se exceder num acumulo imoderado de posses! A calma e a paciência característicos do signo podem se tornar excessivos, tornando-se obstinação e teimosia, e mostrando que os nativos podem ser verdadeiros touros furiosos! Sendo um signo de Beleza, os nativos e nativas deste signo tem um enorme poder de atração, verdadeiro magnetismo para atrair o que desejam, e possuem um temperamento às vezes simplista e um pouco “naif”, especialmente aqueles que se dedicam ao campo, à agricultura, à criação de animais. Devem tomar muito cuidado com a teimosia, e também com a gula que dificilmente conseguem controlar! O Taurino é dono de uma bela voz, mas deve ter cuidado com sua garganta, pescoço e também com a boca, que se inflamam com facilidade.
O Touro e o Amor: O Taurino é um amigo leal e fiel, e desta forma será um parceiro sempre confiável. Porém no amor, pode ser um pouco exclusivista e precisará desenvolver o desprendimento e a doação, para equilibrar o seu sentimento de posse, que o torna excessivamente ciumento e inflexível. O eixo Touro/Escorpião é seguramente o mais possessivo do Zodíaco! É possível que pela sua necessidade de estar sempre com o companheiro, ele se empenhe para estar sempre presente na vida do parceiro, o que pode ter uma resposta contrária às suas pretensões. Deve portanto aprender a deixar espaço, e a dar “tempo ao tempo”, para não sufocar o ser amado. O taurino é um amante maravilhoso mas deve tomar cuidado para não monopolizar a vida do parceiro pois acabará por amedronta-lo.
O Touro e a Casa: Os Taurinos dão muita importância às posses, e por conseqüência a sensação de segurança que uma casa pode oferecer será uma prioridade máxima em sua vida. São bastante rústicos em seus gostos, ou as vezes um pouco excessivos, tendo sempre objetos “sobrando”, pequenas lembranças de viagem, entulhando o caminho. Eles não se desfazem de nada! Onde o Taurino dorme é como um jardim secreto, que ele não divide facilmente. Para este nativo do signo de terra, tão possesivo e sensual, o prazer dos olhos não é suficiente, é preciso tocar as coisas para que elas possam satisfazê-lo. Roupas espalhadas e muitos objetos de artesanato, como tapetes de fibras naturais, são presenças garantidas neste espaço que na realidade, seria como uma grande alcova, com uma varanda, cercada por plantas e flores, de preferência, onde podem sentir todo o prazer sensual do qual eles tanto necessitam. As cores favoráveis são os tons da natureza, como brique, verde, Terra-di-Siena e pêssego. Se V. acha que seu Signo está errado, CLIQUE AQUI e saiba mais!? |
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Ascendente em Leão
O Ascendente tem relação com sua aparência física e com o jeito que você se apresenta aos outros. Você que tem o Ascendente em Leão, certamente não gosta de passar despercebido. Sua altivez e sua forma de se mostrar para o mundo beiram a arrogância e pode ser muito mal interpretada, especialmente se abusar de seu poder. Geralmente as pessoas que possuem este signo desejam para si o melhor do mundo e fazem de tudo para consegui-lo. Adoram chamar a atenção, se colocar em destaque, são generosos e autoconfiantes. Quando Leão é seu ascendente a pessoa é um ator e adora um palco, um aplauso. Muito ambicioso, você precisa desenvolver a autoconfiança em você mesmo para alcançar as metas e objetivos traçados; mas não culpe o mundo se você não conseguir o que pretende. Seu porte físico atrai o olhar mesmo se não é conferido pela beleza física, mas é fruto da sua vaidade. Esta vaidade pode levá-lo a se enfeitar muito, mesmo se for homem: não faltarão correntes de ouro, relógios vistosos, roupas de grife, todos símbolos de sua opulência e realeza. Fisicamente você é forte, com os membros curtos e musculosos, demonstrando vigor físico e firmeza. Seu olhar é direto e um pouco arrogante e você se mostra altivo e dominador. Normalmente possui uma bela e sonora voz, um verdadeiro rugido capaz de se fazer ouvir ao longe! Seu temperamento é bilioso (natural do signo de Fogo) e predispõe você às doenças do sangue e do coração. Você pode também sofrer da coluna vertebral. A atividade física é indispensável à sua saúde. (Lembre-se que um planeta colocado em conjunção com o Ascendente e também seu Signo, irão influenciar nesta descrição, modificando suas características). Clique aqui para saber mais sobre o Signo Ascendente |
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Lua em Peixes As Suas relacões emocionais.
Você que possui esta Lua possui uma imaginação fértil, quase inspirada. È imaginativo, sonhador, impressionável, tendo atração pelo místico, pelo esotérico e pelo oculto. Sua mediunidade espontânea o torna sensível ao meio ambiente. Você é sentimental e tem compaixão por aqueles que sofrem, assim, poderá se dedicar a obras caridosas, ajudando aquelas pessoas que sofrem pela exclusão social. Você gosta de estar em contato com o público e poderá ter profissões ligadas à hotelaria, bares e restaurantes, assim como com ocupações ligadas ao mar. Poderá usar seus dons também em ocupações ligadas ao imaginário, como o teatro, o cinema e a fotografia, que necessitam de imaginação e criatividade. Para a mulher esta Lua é um índice de alta fertilidade. Se sua Lua estiver ‘aflita’, será causa de excesso de sentimentalismo e impressionabilidade, dificuldades de ação e propensão para o escapismo, que pode ser dirigido para o alcoolismo, o cigarro e para as drogas em geral. O excesso de misticismo pode ser causa de superstição e a imaginação doentia pode até mesmo levar à depressão e medos inconscientes. As dificuldades de se firmar com os pés no chão podem impedir o sucesso material. |
3º decanato- 11 a 20 de Maio - Saturno = Taurinos deste decanato são pessoas discretas, prudentes, mas dotadas de forte espírito de luta, de perseverança e de liderança. Normalmente não têm muitos amigos e sua sensualidade fica escondida, à espera de estímulos.
Os nativos desse decanato são pessoas refinadas, com uma personalidade fascinante e capaz de cativar, tanto intelectualmente, quanto pela originalidade de suas idéias e posições. Por outro lado, esse decanato torna as pessoas um tanto extremadas, pois da mesma forma como vão angariar amigos fiéis e sinceros, encontrarão inimigos traiçoeiros e perversos. Este decanato perde muito da influencia de Venus, pois seus nativos são possessivos e obstinados em suas idéias e práticas, necessitando de muita habilidade para serem direcionados a um objetivo comum. São lentos nas decisões e no modo de fazer seu trabalho ou suas conquistas, pois preferem trabalhar com segurança e não cometer erros de julgamento ou de avaliação. Possuem um grau de ambição mais elevado que os taurinos dos outros decanatos, o que os torna muito mais profissionais, sem perder o encanto natural.
O terceiro decanato está ligado em relação com o nosso corpo espiritual, esta sob a influência dupla de Saturno e Júpiter.
O terceiro decanato (decanato espiritual) indica a direção provável do progresso do nativo. As pessoas cujos planetas, luminárias e ângulos do céu ocupam predominante o fim de um signo, vivem uma encarnação de transição. Tendo liquidado o passado, pode-se esperar vê-las dar uma virada na maturidade; seu fim de vida será muito diferente do início.
O terceiro decanato , ativo, dinâmico, voltado para o futuro, em constante progressão, indica um estado de desligamento dos antigos hábitos cármicos. As dívidas estão quase pagas, aproximasse a libertação. Se o ser não criar um novo carma, logo sairá da roda das reencarnações.
O decanato habitado pelo sol ou pela lua indica o estado de progresso, em relação ao “estado celeste” dos regentes deste decanato.
Posições planetárias no terceiro decanato, em maior número indica que está no caminho da liberação, da iluminação, tendo apreendido a controlar suas pulsões físicas, suas emoções e sua mente: pode dirigir seus pensamentos para uma via espiritual, ou se empenhará por completo.
Saturno em Touro Touro é o signo que consegue entender o valor das coisas materiais, de se ter um corpo terreno e sensações físicas. O Saturno taurino vai querer garantir que esses valores não sejam superficiais e frutos do acaso, fazendo com que se entenda que todo e qualquer valor tangível é relativo, menos aqueles que você encontra dentro de si. A sensação de segurança que a matéria geralmente traz é dificultada com esse Saturno. A pessoa sente como se não pudesse ter essa segurança, o que pode gerar uma verdadeira fixação em acumular coisas ou um desprendimento cheio de medo por sentir que não consegue aquilo que se precisa, muitas vezes com uma aura “espiritualista” que encobre a cobiça. Há medo de se responsabilizar pelos próprios valores e uma desconfiança dos sentidos físicos, como se houvesse um vazio que nunca pode ser preenchido, pois há sempre a consciência de que nada é para sempre e há muita dor em se perder aquilo que se possui. De alguma maneira a pessoa cresceu em uma ambiente em que não foi possível desenvolver um senso de valor pessoal, interior e individual. Depois de passar um bom tempo buscando esses valores fora de si, a frustração por não conseguir esse sentido de segurança deve fazer com que se comece a buscar internamente. Só quando a pessoa passa a ver esses seus medos e angustias de forma mais profunda e é obrigada a encarar os labirintos dos seus desejos, percebe que os valores que procura nada tem a ver com objetos, mas sim com um valor central e inalterado que existe dentro dele, cuja definição não pode ser formulada, mas cuja realidade - para quem a experimentou subjetivamente - não pode ser questionada.
Citação
aniversário chegando...
Aniversário é todo ano, não tem como escapar. É um tal de apaga velhinha daqui, parabéns prá lá e presentinho acolá. Excelente para quem se amarra em comemorações, mas eu definitivamente detesto esse negócio de celebrar a idade. Principalmente porque ser o centro das atenções não é comigo, mesmo. Me sinto um grãozinho de areia e fico vermelho (que novidade) sempre que os convivas iniciam em coro o insuportável Parabéééééns prá vocêêêêêêêê...
Às vésperas de mais um aniversário, no entanto, um detalhezinho a mais me perturba como a uma agulha de injeção. Afinal, esta pequena recifense veio ao mundo no dia 20 de maio de 1979. Há exatos 30 anos. Trinta anos... Poxa, 30 anos, carambaaa!!!!!!!!
Neste período, engravidei aos 19, tive meu filho aos 20 anos recém-completados na época, fiz meu primeiro vestibular em 98 pra psicologia sendo eliminada por tirar 0.5 em fisica, no meu segundo vestibular passei em biblioteconomia na ufpe e para pedagogia na upe.
Nisto me mudei para Garanhuns passando a morar por lá durante 2 anos, depois morei em Maceió onde morei por 5 anos, descobri e vivenciei muitas coisas nesta cidade e fiz grandes amizades como tive também minha perda afetiva mais forte... guardo grande afeto pelos amigos que moram lá...somos almas afins de milenios e me sinto super bem aos seus lados.
Em 2006, no inicio do ano formei em pedagogia e fui aprovada no concurso de Olinda, neste ano entrei em crise existencial com as mudanças e cobranças que tinha em relaçao ao futuro. Comecei a me resignar e deixar de sair menos, querendo só o convivio dos que estiveram sempre próximos a mim. Em 2007, voltei pra Recife, a adaptaçao foi difícil mas graças a Deus conseguimos nos adaptar, eu e meu filho. Aprendi e sofri muito neste ano. Foi uma ruptura muito forte de tudo o que eu tinha vivido. Aos 29, foi mais tranquilo, entrei na especializaçao em psicopedagogia, li mais, viajei, vi maravilhosos filmes, e continuo mais centrada ao que me engrandece e aos que estao proximos a mim para uma otima troca de energia. Aos que não tem algo para me acrescentar prefiro descartar. Só quero aproximaçao com meus amigos, familiares e amor que engrandece, sem possessividades, neuroses, desconfianças. Nada melhor que o amor puro e sereno.
Pior que tal constatação, é enveredar por alguns cálculos simples. Olhem só: daqui a dez anos, terei 40. Daqui a 20, 50. Mais 30, sessentinha, caramba! Pura merda, a vida passa rápido demais. Ontem, mesmo (pelo menos parecia ser ontem), eu alucinava com os episódios toscos do Smuffer. Noutro dia, estava vestido com uma capa amarela e tinha certeza de que era a She-ra. Mais adiante, os meus divertimentos televisivos eram a Caverna do Dragão, Thundercats, He-Man,She-ra, o cheirador do Bozo, a que acho linda Angélica, Mara Maravilha ou a xarope da Xuxa.
O engraçado é que a minha Crise dos 30 começou aos 26. Depois de um ano de separaçao com quem achava ser meu grande anor(como somos tolos quando inexperientes).Mas há dois anos tenho perdido o sono, preocupado com o início de mais uma década de vida. Próximo dos 30, o corpo, por exemplo, começa a dar ridículos sinais de cansaço – sem falar na barriguinha, claro. A máquina até então totalmente excelente já não é mais a mesma. As rugas aumentaram. Parte dos cabelos se tornou branco ou se perde toda noite pelo ralo do banheiro. Que merda tomar um porre "fenomenal" e simplesmente não conseguir levantar da cama no outro dia! Que bosta andar por 2 horinhas ou dormir pouco e simplesmente não conseguir fazer mais nada durante o resto do dia!
Mas, tudo bem, vou parar de resmungar. Sou ranzinza, mas nem tanto. E a vida é bela, sim. Mesmo às vésperas dos 30...
Outras coisas interessantes são a bagagem cultural, a experiência profissional e as histórias para contar. E, se não tem outro jeito a não ser enfrentar a idade, a solu ção é pegar firme a crise com as duas mãos. Se o futuro é duvidoso, a crise é passageira.
Aniversário é todo ano, não tem como escapar. É um tal de apaga velhinha daqui, parabéns prá lá e presentinho acolá. Excelente para quem se amarra em comemorações, mas eu definitivamente detesto esse negócio de celebrar a idade. Principalmente porque ser o centro das atenções não é comigo, mesmo. Me sinto um grãozinho de areia e fico vermelho (que novidade) sempre que os convivas iniciam em coro o insuportável Parabéééééns prá vocêêêêêêêê...
Às vésperas de mais um aniversário, no entanto, um detalhezinho a mais me perturba como a uma agulha de injeção. Afinal, esta pequena recifense veio ao mundo no dia 20 de maio de 1979. Há exatos 30 anos. Trinta anos... Poxa, 30 anos, carambaaa!!!!!!!!
Neste período, engravidei aos 19, tive meu filho aos 20 anos recém-completados na época, fiz meu primeiro vestibular em 98 pra psicologia sendo eliminada por tirar 0.5 em fisica, no meu segundo vestibular passei em biblioteconomia na ufpe e para pedagogia na upe.
Nisto me mudei para Garanhuns passando a morar por lá durante 2 anos, depois morei em Maceió onde morei por 5 anos, descobri e vivenciei muitas coisas nesta cidade e fiz grandes amizades como tive também minha perda afetiva mais forte... guardo grande afeto pelos amigos que moram lá...somos almas afins de milenios e me sinto super bem aos seus lados.
Em 2006, no inicio do ano formei em pedagogia e fui aprovada no concurso de Olinda, neste ano entrei em crise existencial com as mudanças e cobranças que tinha em relaçao ao futuro. Comecei a me resignar e deixar de sair menos, querendo só o convivio dos que estiveram sempre próximos a mim. Em 2007, voltei pra Recife, a adaptaçao foi difícil mas graças a Deus conseguimos nos adaptar, eu e meu filho. Aprendi e sofri muito neste ano. Foi uma ruptura muito forte de tudo o que eu tinha vivido. Aos 29, foi mais tranquilo, entrei na especializaçao em psicopedagogia, li mais, viajei, vi maravilhosos filmes, e continuo mais centrada ao que me engrandece e aos que estao proximos a mim para uma otima troca de energia. Aos que não tem algo para me acrescentar prefiro descartar. Só quero aproximaçao com meus amigos, familiares e amor que engrandece, sem possessividades, neuroses, desconfianças. Nada melhor que o amor puro e sereno.
Pior que tal constatação, é enveredar por alguns cálculos simples. Olhem só: daqui a dez anos, terei 40. Daqui a 20, 50. Mais 30, sessentinha, caramba! Pura merda, a vida passa rápido demais. Ontem, mesmo (pelo menos parecia ser ontem), eu alucinava com os episódios toscos do Smuffer. Noutro dia, estava vestido com uma capa amarela e tinha certeza de que era a She-ra. Mais adiante, os meus divertimentos televisivos eram a Caverna do Dragão, Thundercats, He-Man,She-ra, o cheirador do Bozo, a que acho linda Angélica, Mara Maravilha ou a xarope da Xuxa.
O engraçado é que a minha Crise dos 30 começou aos 26. Depois de um ano de separaçao com quem achava ser meu grande anor(como somos tolos quando inexperientes).Mas há dois anos tenho perdido o sono, preocupado com o início de mais uma década de vida. Próximo dos 30, o corpo, por exemplo, começa a dar ridículos sinais de cansaço – sem falar na barriguinha, claro. A máquina até então totalmente excelente já não é mais a mesma. As rugas aumentaram. Parte dos cabelos se tornou branco ou se perde toda noite pelo ralo do banheiro. Que merda tomar um porre "fenomenal" e simplesmente não conseguir levantar da cama no outro dia! Que bosta andar por 2 horinhas ou dormir pouco e simplesmente não conseguir fazer mais nada durante o resto do dia!
Mas, tudo bem, vou parar de resmungar. Sou ranzinza, mas nem tanto. E a vida é bela, sim. Mesmo às vésperas dos 30...
Outras coisas interessantes são a bagagem cultural, a experiência profissional e as histórias para contar. E, se não tem outro jeito a não ser enfrentar a idade, a solução é pegar firme a crise com as duas mãos. Se o futuro é duvidoso, a crise é passageira.
MÁRIO PRATA As mulheres de 30

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O que mais as espanta é que, de repente, elas percebem que já são balzaquianas. Mas poucas balzacas leram A Mulher de Trinta, de Honoré de Balzac, escrito há mais de 150 anos. Olhe o que ele diz: 'Uma mulher de trinta anos tem atrativos irresistíveis. A mulher jovem tem muitas ilusões, muita inexperiência. Uma nos instrui, a outra quer tudo aprender e acredita ter dito tudo despindo o vestido. (...) Entre elas duas há a distância incomensurável que vai do previsto ao imprevisto, da força à fraqueza. A mulher de trinta anos satisfaz tudo, e a jovem, sob pena de não sê-lo, nada pode satisfazer'.
Madame Bovary, outra francesa trintona, era tão maravilhosa que seu criador chegou a dizer diante dos tribunais: 'Madame Bovary c'est moi'. E a Marilyn Monroe, que fez tudo aquilo entre 30 e 40?
Mas voltemos a nossa mulher de 30, a brasileira-tropicana, aquela que podemos encontrar na frente das escolas pegando os filhos ou num balcão de bar bebendo um chope sozinha. Sim, a mulher de 30 bebe. A mulher de 30 é morena. Quando resolve fazer a besteira de tingir os cabelos de amarelo-hebe passa, automaticamente, a ter 40. E o que mais encanta nas de 30 é que parece que nunca vão perder aquele jeitinho que trouxeram dos 20. Mas, para isso, como elas se preocupam com a barriguinha!
A mulher de 30 está para se separar. Ou já se separou. São raras as mulheres que passam por esta faixa sem terminar um casamento. Em compensação, ainda antes dos 40 elas arrumam o segundo e definitivo. A grande maioria tem dois filhos. Geralmente um casal. As que ainda não tiveram filhos se tornam um perigo, quando estão ali pelos 35. Periga pegarem o primeiro quarentão que encontrarem pela frente. Elas querem casar.
Elas talvez não saibam, mas são as mais bonitas das mulheres. Acho até que a idade mínima para concurso de miss deveria ser 30 anos. Desfilam como gazelas, embora eu nunca tenha visto uma (gazela). Sorriem e nos olham com uns olhos claros. Já notou que elas têm olhos claros? E as que usam uns cabelos longos e ondulados e ficam a todo momento jogando as melenas para trás? É de matar.
O problema com esta faixa de idade é achar uma que não esteja terminando alguma tese ou TCC. E eu pergunto: existe algo mais excitante do que uma médica de 32 anos, toda de branco, com o estetoscópio balançando no decote de seu jaleco diante daqueles hirtos seios? E mulher de 30 guiando jipe? Covardia.
A mulher de 30 ainda não fez plástica. Não precisa. Está com tudo em cima. Ela, ao contrário das de 20, nunca ficou. Quando resolve, vai pra valer. Faz sexo como se fosse a última vez. A mulher de 30 morde, grita, sua como ninguém. Não finge. Mata o homem, tenha ele 20 ou 50. E o hálito, então? É fresco. E os pelinhos nas costas, lá pra baixo, que mais parecem pele de pêssego, como diria o Machado se referindo a Helena, que, infelizmente, nunca chegou aos 30?
Mas o que mais me encanta nas mulheres de 30 é a independência. Moram sozinhas e suas casas têm ainda um frescor das de 20 e a maturidade das de 40. Adoram flores e um cachorrinho pequeno. Curtem janelas abertas. Elas sabem escolher um travesseiro. E amam quem querem, à hora que querem e onde querem. E o mais importante: do jeito que desejam.
São fortes as mulheres de 30. E não têm pressa pra nada. Sabem aonde vão chegar. E sempre chegam.
Chegam lá atrás, no Balzac: 'A mulher de 30 anos satisfaz tudo'.
Ponto. Pra elas.
Ilustração: Rodrigo Pereira |
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