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Robertabutterfly"O valor da cada um é relacionado com o valor das coisas às qüais deu importância! "
29/11/2009 alice paul continuação"Quando
você põe a mão no arado, não pode colocá-lo para baixo até chegar ao fim da
linha."
Quaker
Educação “Quando os Quakers foi fundada ... um de seus
princípios era e é a igualdade dos sexos. Então, eu nunca tive qualquer outra
ideia ... a princípio estava sempre lá. " Relação
de Alice para Swarthmore College começou muito antes de ela entrou como aluno
em 1901. Seu avô, o juiz William Parry, foi um dos fundadores da
co-educacional, em 1864. Ele acreditava na idéia de que homens e mulheres devem
receber uma igual, Quaker inspirado educação e enviou seu caçula e única filha
Tacie de Swarthmore em 1878. Alice Paul, c. 1910 Partido Nacional da
Mulher, piquetes e Prison
A Emenda
de Direitos Iguais "Eu
nunca duvidei de que a igualdade de direitos foi na direção certa. A maioria
das reformas, a maioria dos problemas são complicados. Mas para mim não há nada
complicado sobre a igualdade comum." Alice Paul Ontem passou o filme Anjos Rebeldes no sbt com Hillary Swank que interpreta Alice Paul, sufragista e feminista americana. o filme é excelente uma boa dica para quem curte história e movimento e lutas femininas.abaixo um pouco sobre alice... Alice
Paul:
Crescer
na Paulsdale Apesar
de sua riqueza relativa, e em conformidade com a prática Quaker, o Pauls viveu
muito simples. Alice e seus irmãos provavelmente tinha muitas responsabilidades
domésticas e agrícolas, incutindo os valores da indústria e perseverança; duas
lições fundamentais para seu sucesso posterior. Apesar de ter seguido desenhos
Quaker para a simplicidade, Paulsdale impulsionou muitos confortos. A casa era
grande e espaçoso, que possui água encanada, eletricidade e telefone no início
do século XX. Uma varanda dava para o reinício de capoeira completo com um
celeiro, galinheiro, icehouse, e vários pomares de pêssego. Empregadas irlandês
e mãos contratados realizar o trabalho mais árduo, permitindo que Alice e seus
irmãos para desfrutar de atividades de lazer, como jogar tênis no próprio
tribunal Paulsdale ou sentado sob a sombra da enorme árvore Copper Beech
assistindo o peixinho na lagoa. Alice foi um excelente aluno, um leitor voraz,
e desempenhou vários esportes extracurriculares na escola, incluindo basquete,
beisebol e hóquei em campo. 21/11/2009 sangue e preconceito no HEMOPECuidado! Sujeito de sangue não identificado causa situação de risco a pacientes que esperam doação. “Brasileiro, moreno, jovem, aparentemente saudável, de bom porte físico e ‘não’ identificado. Essas são as características de um sujeito que tentou ontem, pela tarde, prestar seus serviços de cidadania em um Hemocentro do Estado. Ao ser flagrado a partir de sua orientação sexual, foi informado que pertencia a um grupo de risco e que poderia fornecer perigo de contaminação do vírus HIV para aqueles que necessitam de doação sanguínea...”
Esse seria apenas mais um fato rotineiro em tantos processos de triagem realizados no Estado, se não fosse a estigmatização sentida por um cidadão que apenas tentou ajudar ao próximo, doando parte de si. Atualmente, todos os bancos de sangue, sejam eles públicos ou privados, seguem determinações da Anvisa, que regulamentam as exigências para que um cidadão possa doar sangue. Segundo a resolução da Anvisa – homens que tiveram relações sexuais com outros homens e/ou as parceiras sexuais destes, em um prazo de 12 meses antes da coleta, ficariam impedidos de doar sangue durante um ano. Esta medida evita a contaminação do Vírus HIV, o qual causa AIDS, não sendo detectado por testes durante um período chamado “janela imunológica” que pode ir de 2 a 12 semanas posteriormente ao contágio.
Como homossexual, gostaria de abordar algumas questões: Seria esta uma
regulamentação justa? Até onde vão os princípios fundamentais da nossa
Constituição Federal, que diz que devemos viver em um Estado
Democrático fundamentado na cidadania, dignidade da pessoa humana e
privilegiar o bem de todos, sem preconceitos de raça, sexo e quaisquer
outras formas de discriminação? Seria o impedimento do homossexual em
doar sangue, um fator de exclusão? O conceito “grupo de risco” não é
por essência discriminatório?
Segundo as atualizações dos dados sobre os números da AIDS no Brasil
até setembro de 2007, apresentados pelo Ministro da Saúde, Humberto
Costa, constatou-se a estabilização entre homens (com redução entre
homossexuais e aumento entre heterossexuais) e também entre mulheres. A
incidência de AIDS entre heterossexuais masculinos supera 65% das
notificações e entre as mulheres, as transmissões por relações sexuais
passam de 60% das notificações. O constrangimento causado pela invasão de privacidade ao passar por um processo de triagem, leva ao homossexual a desistir de parte de seus deveres como cidadão. Ao negar a doação de sangue por homossexuais e bissexuais, o Estado vai contra a sua própria Constituição, causando invasão de privacidade e discriminação sexual. Ser homossexual não deve ser fator de restrição na hora de doação de sangue. O Governo deve analisar e revisar as regulamentações imposta aos questionários de maneira que pergunte sobre as “condutas de risco” e não orientação sexual do doador.
Durante o meu processo de triagem tive a oportunidade de conversar com
uma médica simpática e acolhedora. A mesma me aconselhou e mostrou que
mesmo tendo exames regulares de DSTs e uma vida sexualmente ativa e com
parceiro estável, teria que ter cuidados como qualquer pessoa
heterossexual. A mesma assegurou seguir regulamentações do Ministério
da Saúde, mesmo sem mostrar pessoalmente a sua opinião sobre o tema.
Ela afirmou que quando somos limitados a ajudar a um próximo, podemos
encontrar outras formas ‘cidadãs’ de fazê-lo, como visitar asilos ou
hospitais. Vi muita sinceridade e afetividade neste momento. Em tempos passados, a homossexualidade era vista como uma doença mental, mas em dias atuais ela é vista como orientação sexual de cada indivíduo, e está ganhando espaço social através da luta dos direitos cíveis, oriundos de manifestações públicas organizadas por instituições homossexuais. Cabe a cada um de nós nos responsabilizarmos por nossos atos e ver que o preconceito é fruto da ignorância e da falta de conhecimento. Devemos ter a consciência de que o sangue doado não leva em seu rótulo informações como nome, cor ou sexualidade do doador. Apenas identifica em sua embalagem uma única cor viva. O vermelho. A cor do Amor. Aquele que não é vendido ou alugado, e sim doado.
Quanto às principais categorias de transmissão de HIV entre os homens, as relações sexuais respondem por 58% dos casos de Aids entre eles, com maior prevalência nas relações heterossexuais (25%). Os casos de transmissão por relações bissexuais representam 11,4%, enquanto as relações homossexuais representam 21,7%. A segunda maior forma de transmissão da aids entre os homens é o uso de drogas injetáveis: 23,4%. A
transmissão do HIV entre as mulheres se dá, predominantemente, pela via
sexual (86,2%). Em seguida, a maior causa é o uso de droga injetável
(12,4%). Os dados mostram que as mulheres podem estar sendo infectadas
em relações sexuais com usuários de drogas injetáveis ou bissexuais.
Doador Homossexual – Recife, Brasil. Igreja Inclusiva de portas abertas para os homossexuaissegundo a igreja inclusiva e de textos retirados da Bíblia que nos leva a refletir: Ninguém
que se aproxime de Cristo buscando amor irá sair de mãos vazias. http://www.todosdejesus.fr.gd/
Jônatas e Davi? O leitor sincero da Bíblia dirá que as passagens parecem sugerir no mínimo uma leve atração amorosa entre os dois. Jônatas conheceu Davi no famoso episódio em que ele mata o gigante Golias, e parece ter gostado dele logo de cara; o texto da Almeida Revista e Atualizada diz: “...a alma de Jônatas se ligou com a de Davi; e Jônatas o amou, como à sua própria alma” (I Samuel 18.1). Também diz: “Jônatas e Davi fizeram aliança; porque Jônatas o amava como à sua própria alma” (I Samuel 18.3). Toda a história dos dois se
passou num período de guerras e de inveja; Saul o rei e pai de Jônatas, odiava
Davi e queria mata-lo; o filho, por amor a Davi o livrou várias vezes das
armadilhas do seu pai. A amizade entre os dois era no mínimo curiosa: Depois da morte de Jônatas, Davi adotou o filho dele em memória do juramento (I Samuel 9); Davi disse ao lamentar a morte de Jônatas que o amor de Jônatas era superior ao das mulheres (II Samuel 1.26). A IGREJA QUE PODE TUDO...editado pelo Diário de Pernambuco 14/11/09É possível deixar de ser homossexual como se desliga um botãozinho? A nova Igreja Inclusiva do Recife entende que não. E ela abre as portas para gays e lésbicas que sentem vontade de seguir a Cristo, mas enfrentam barreiras em outros templos religiosos, sejam católicos ou evangélicos. O alvo prioritário é a minoria que se afastou do convívio com Deus ao ser vista com preconceito por outras religiões. A maior diferença da Inclusiva e de outras cristãs tradicionais é que ela não defende a “cura espiritual” para quem gosta de alguém do mesmo sexo e aceita todos os públicos. Ao contrário do que se pode imaginar, a doutrina não é permissiva a tudo. Para entender o que ela prega, é preciso ir além das palavras grafadas na Bíblia atual e se permitir a novas interpretações sobre o contexto histórico no qual os textos foram escritos há mais de três mil anos.
A Igreja Inclusiva no Brasil nasceu em São Paulo, há cerca de cinco anos, mas ainda é nova no Recife. Ela ainda não possui sedes tradicionais e está dividida em duas denominações: a Comunidade Cristã Nova Esperança (CCNE) e a Progressista. Seus integrantes ainda se reúnem em casas ou realizam cultos em lugares mais discretos, como o laguinho da Universidade Federal de Pernambuco (UFPE). O objetivo prioritário é resgatar aqueles que abandonaram as igrejas tradicionais e passaram a ter uma vida descompromissada com os ensinamentos de Cristo. Sim, eles estão abertos a qualquer um que esteja disposto a buscar uma mudança de vida, como abandonar a bebida em excesso, as drogas, o sexo promíscuo, o adultério, entre tantos outros. “As deformações de caráter vão sendo modificadas aos poucos, por Deus, e não por nós”, afirmou Timóteo Reinaux, obreiro da CCNE. Ele morava em São Paulo, onde frequentava um templo da mesma denominação. Chegou ao Recife neste ano para abrir uma célula.Para ser membro de ambas as denonimações, é preciso professar a fé em Cristo, participar do estudo da Bíblia e dos cultos. E só então ser batizado nas águas. Depois de cumprir todas as etapas, pelo menos por um dos cônjugues, é permitido o “casamento”, ou bênção matrimonial para casais do mesmo sexo. À essa altura, o leitor pode estar se perguntando, com base no que ouviu de geração em geração: “mas a homossexualidade não é pecado?” Para as Igrejas Católicas e Evangélicas do Brasil, a resposta é sim. Sentir prazer sexual com alguém do mesmo sexo é visto como “abominação” (toebah). Mas a Igreja Inclusiva Cristã entra nesse debate de forma diferente. Uma das polêmicas mais conhecidas está no Antigo Testamento, no livro de Levítico, capítulo 18;22 cujo texto é duro contra a homossexualidade. “Com homem não te deitarás, como se fosse mulher; abominação é”, diz o versículo 22. Segundo o sociólogo e pastor Bruno Lima, o primeiro a coordenar a sede regional da CCNE, no Rio Grande do Norte, o mesmo Levítico traz orientações que não são seguidas pela sociedade, porque proíbe a ingestão de moluscos e porco, por exemplo, além do corte de cabelo e da barba. Ele frisou, contudo, que nada disso mais é defendido nos cultos, exceto o versículo 22. Ainda assim, de forma equivocada. De acordo com Bruno Lima, a frase exemplifica um conjunto de rituais que condicionava as atividades sacerdotais dos levitas, homens que tinham a tarefa de cuidar do templo. A palavra “toebah” significa sacrilégio e, em outros momentos, é usada no sentido de ritual. “Os capítulos 17 a 26 faziam parte de um documento denominado código de santidade, que tentava condenar práticas comuns entre os cananitas, povo que adorava o deus moloque e a ele prestava rituais de idolatria”, afirmou, acrescentando que, na época, era muito comum a realização de sexo entre homens cananitas durante culto a deuses estranhos. Por isso, de acordo com Bruno Lima, precisava ser tão ressaltado para que os levitas não fizessem o mesmo. “O que Deus proibia era o sexo promíscuo e feito em rituais”, frisou. Doutrina ainda pouco conhecida Formada por um público jovem, a Inclusiva ficou mais conhecida no Recife após o “sim” mais polêmico do ano, quando os arquitetos Turíbio e Zezinho Santos oficializaram a união, em setembro passado, e receberam uma bênção religiosa na Coudelaria Souza Leão, na Várzea. Mas a doutrina ainda é pouco conhecida. Embora a Comunidade Cristã Nova Esperança (CCNE) exista desde 2002 em São Paulo, ela só se transformou em “célula” na capital a partir deste ano. O que seria uma célula, então? Segundo o obreiro Timóteo Reinaux, é uma reunião frequente de pessoas, mas ainda sem número suficiente para manter a estrutura de uma sede. Reinaux conta que o grupo da CCNE no Recife se reúne há quase seis meses na Rua Elpídio Monteiro, nº 18, na Imbiribeira, Zona Sul da capital, e pode ser localizado no Orkut ou pelo e-mail ccnerecife@hotmail.com. Os integrantes se encontram de 15 em 15 dias, realizam cultos, estudam a teologia inclusiva e a Bíblia. Segundo ele, a Inclusiva segue uma doutrina semelhante a de igrejas evangélicas mais abertas, com a diferença que não prega “cura espiritual”, nem qualquer tipo de terapia para o público-alvo. De acordo com o obreiro, as pessoas precisam entender que a homossexualidade não é uma opção e sim uma característica, como a própria cor da pele e dos olhos. “Não se sabe qual a origem, se social ou genética, mas não podemos mudar essa orientação. Muitas pessoas passam por essas terapias, oram, jejuam. E não deixam de sentir atração pelo mesmo sexo, sentem-se culpadas e vivem infelizes a vida inteira”, acrescentou. Para entrar na Igreja Progressistas de Cristo, que também não tem sede, a seleção é mais rigorosa. O contato só é possível no site http://www.todosdejesus.fr.gd/. Nesse ambiente virtual, a pessoa interessada manda um e-mail e recebe uma resposta direta do pastor Kleyton Pessoa. Segundo ele, os encontros acontecem há mais de um ano. Seus integrantes são mais discretos, porque alguns ainda estão ligados a igrejas tradicionais. “Procuramos não expor nosso público”. De Natal, o pastor BrunoLima cita um versículo bíblico ao ser questionado porque a igreja só veio surgir recentemente. “A Bíblia nos fala que há tempo para tudo. A humanidade não está esquecida por Deus. Pois, no tempo certo, os negros e as mulheres foram libertos e assumiram a devida importância na sociedade”, declarou. Entrevista // Zezinho Santos “Temos direitos iguais” O arquiteto Zezinho Santos é do tipo que não se intimida com o preconceito. Ele admite não frequentar a Igreja Inclusiva, que fez a cerimônia religiosa de seu casamento com Turíbio Santos, em setembro passado, mas frisa acreditar num Deus que ama e respeita a todos. Segundo ele, receber uma bênção religiosa é o sonho de todo mundo que está feliz e que ama de verdade o parceiro, seja hétero ou homossexual. Você sabe que a Igreja Inclusiva é uma dissidência da Igreja Evangélica? Sei. Chegamos à Igreja Inclusiva por meio de um tio de Turíbio, que conhece um padre da Igreja Ortodoxa (Católica). Esse padre queria nos casar, mas disse que sua Igreja não permitia e nos indicou o pastor Ricardo Nascimento (atualmente em outro ministério). Nós conversamos com o pastor, dissemos em que acreditávamos e ele resolveu nos casar. Nós acreditamos nos preceitos da bondade de Deus e não nas alegorias pregadas pela igreja. Houve vários comentários na internet do tipo: por que casaram na igreja e por que se mostrar assim? Ora, casamos na igreja e em público como todo mundo faz porque estamos em festa pela nossa união. Queríamos mostrar o quanto estávamos alegres. Disseram que estávamos usando o nome de Deus em vão. Mas por quê? Temos o direito de acreditar no que quisermos. Jamais alguém tem o direito de usar o nome de Deus para proibir alguém do que quer que seja, principalmente se esse alguém acredita no compromisso, no amor, no respeito, na vontade de ficar junto. Tem tanto casal hétero que não age assim. Como você se sentiu depois de tanta repercussão sobre o casamento religioso? Não vejo diferença entre as pessoas que nos atacaram com o 11 de Setembro. Digo isso, porque as pessoas que derrubaram aquelas duas torres acreditavam que iam para o paraíso. Então, é isso que acho das pessoas que nos condenam e nos ofendem porque não conseguem viver com as diferenças. Em Levítico, capítulo 18, versículo 22, diz “com homem não te deitarás, como se fosse mulher; abominação é”. Mas também em Levítico 11;20 diz que não se pode comer nem molusco, nem crustáceo “(tudo que não tem barbatanas ou escamas, nas águas, será para vós abominação)”# Se é para seguir a Bíblia ao pé da letra, por que não se segue tudo. Por que escolheram no que acreditar# Releitura de versículos bíblicos Como está na Bíblia – “Com homem não te deitarás, como se fosse mulher; abominação é”. Levítico 18;22 O que diz a Inclusiva – Segundo a Igreja Inclusiva, é preciso entender o contexto dessa frase. O que Deus queria dizer, nesse versículo, dizia respeito aos cultos pagãos que eram feitos em adoração ao deus moloque. Nesses rituais, havia sexo promíscuo entre homens e mulheres, mulheres e mulheres; homens e homens, especialmente, e até com animais. A Igreja Inclusiva entende que, neste contexto, Deus condenava a promíscuidade e os rituais impuros e prestados a deuses estranhos Como está na Bíblia – “Não trarás o salário da prostituta nem preço de um sodomita à casa do Senhor, teu Deus, por qualquer voto; porque ambos são igualmente abominação ao Senhor, teu Deus”. Deuteronômio 23;17-18 O que diz a Inclusiva – De acordo com a Igreja Inclusiva, a palavra Sodomita foi criada pela Igreja Católica na Idade Média. No texto original, escrito em grego, a palavra prostituta é escritacomo “qedescha” e o sodomita é “qedesha” ou prostituto. Isso significa, para essa igreja, que Deus condena a prostituição e não a homossexualidade. Na época que Deuteronômio foi escrito, não se tinha noção do que era sodomita Como está na Bíblia – “Não erreis: nem os devassos, nem os idólatras, nem os adúlteros, nem os efeminados, nem os sodomitas (…) herdarão o reino dos Céus”. 1 Coríntios 6;10 O que diz a Inclusiva – O termo efeminado, no grego, chama-se “malakoi” que, ao pé da letra, é “mole”. Ser mole não significa ser “gay, efeminado”. Somomitas é, no grego, prostituto Versículo que, na visão da Igreja Inclusiva, apoia a homossexualidade “E sucedeu que, acabando ele de falar com Saul, a alma de Jônatas se ligou com a alma de Davi; e Jônatas o amou, como à sua própria alma. 2 E Saul naquele dia o tomou, e não lhe permitiu que voltasse para casa de seu pai. 3 E Jônatas e Davi fizeram aliança; porque Jônatas o amava como à sua própria alma. 4 E Jônatas se despojou da capa que trazia sobre si, e a deua Davi, como também as suas vestes, até a sua espada, e o seu arco, e o seu cinto. I Samuel 18; 1-4 “Eu vos digo, porém, que qualquer que repudiar sua mulher, não sendo por causa de fornicação, e casar com outra, comete adultério; e o que casar com a repudiada também comete adultério. 10 Disseram-lhe seus discípulos: Se assim é a condição do homem relativamente à mulher, não convém casar. 11 Ele, porém, lhes disse: Nem todos podem receber esta palavra, mas só aqueles a quem foi concedido. 12 Porque há eunucos que assim nasceram do ventre da mãe; e há eunucos que foram castrados pelos homens; e há eunucos que se castraram a si mesmos, por causa do reino dos céus. Quem pode receber isto, receba-o”. Mateus 19.9-12 Fonte: Livro Cristianismo e Homossexualismo, do pastor Bruno Lima Mais informações: http://www.todosdejesus.fr.gd e http://www.ccne.org.br/
17/11/2009 Aulas de intolerância e covardia... pela revista Istoé 16/11/09 Ao expulsar Geisy Arruda, a Uniban execrou
publicamente a aluna e endossou a violência na universidade. Quando
revogou a decisão, mostrou que está mais interessada em defender os
seus cofres do que em cumprir a missão de educar Solange Azevedo e Rodrigo Cardoso
Geisy Arruda vive no alto de uma ladeira repleta de construções modestas e inacabadas. Cresceu ali, na periferia de Diadema, município de 390 mil habitantes fincado entre a capital paulista e São Bernardo do Campo, berço do sindicalismo nacional. Quando seus pais migraram do agreste pernambucano, no final da década de 70, o Jardim Campanário não havia sido tomado pelo concreto. José Adriano era o único filho do casal. "Eu não tinha nem documento, fui registrado em São Paulo", conta o primogênito. "Moramos numa vielinha próxima, depois numa casa quase em frente à que temos hoje." Em Diadema, a família aumentou. Nasceram três meninas. Geisy, a do meio, é a única solteira e que ainda mora com os pais. Severino e Maria de Fátima estudaram até a quarta série. Ele trabalha como supervisor de limpeza. Ela é dona de casa. Apesar do orçamento apertado, fazem questão de investir no futuro da filha. Bancaram inglês e informática enquanto puderam. Desde o início do ano, suados R$ 310 vão para as mensalidades do curso de turismo. "Pesquisei muito antes de prestar vestibular", diz Geisy. "Escolhi a Uniban (Universidade Bandeirante) porque era a única que os meus pais poderiam pagar."
Severino e Maria de Fátima acreditavam que, no ambiente universitário a que eles próprios não tiveram acesso, Geisy estaria cercada de pessoas sensatas e equilibradas - e livre da violência cotidiana. Terrível engano. Exposta na internet, a vergonha de Geisy viajou pelo mundo. Chineses, americanos, filipinos, paquistaneses... Gente de todos os cantos assistiu à humilhação imposta por cerca de 800 alunos enlouquecidos que, em coro, urravam "puuuuta", "vamos linchar", "vamos estuprar", simplesmente porque ela usava um vestido curto. E viu a execração pública partir da própria Uniban, que divulgou anúncio nos grandes jornais comunicando a expulsão de Geisy, sob alegação de que ela costumava usar "trajes inadequados", num "flagrante desrespeito aos princípios éticos, à dignidade acadêmica e à moralidade". A universidade, que também tem como missão ensinar valores e formar cidadãos, agiu com truculência ainda mais espantosa de que seus alunos - numa demonstração de que não tem condições de oferecer educação adequada. Dupla agressão As agressões, primeiro dos alunos e depois da própria universidade, transformaram o caso num símbolo de covardia e intolerância. A imprensa internacional deu amplo destaque ao caso. Na noite da terça-feira 10, o escândalo era a segunda notícia mais acessada no site da CNN (cnn.com) por internautas do mundo todo. Diante da repercussão negativa, a universidade decidiu readmitir a aluna, mas não puniu nenhum dos seus agressores. A readmissão de Geisy não encerra o caso. É preciso estar atento ao significado deste episódio, pois a sociedade não pode permitir que seja aberto um perigoso precedente para um retrocesso de valores e costumes. É imperativo garantir que não surjam outras Geisys e que pessoas não sejam humilhadas e agredidas pelas roupas que usam. "Temos de marcar posição, dizer que não concordamos com essas atitudes", diz o psicólogo Marcos Nascimento, codiretor do Instituto Promundo, ONG que defende a igualdade de gêneros. "E não apenas neste caso isolado. Não concordamos com a condição do ensino e a maneira pela qual a mulher brasileira é tratada." Geisy foi duplamente humilhada. Ao repreendê-la por estar de vestido curto, os seguranças do campus de São Bernardo legitimaram a violência da turba que ameaçava estuprá-la e não a protegeram do assédio coletivo. Geisy só conseguiu passar pela multidão sob escolta policial e com muito spray de pimenta. "Na maioria das vezes, as mulheres são vítimas de agressões e desrespeito independentemente da maneira como se vestem. São consideradas prostitutas e vagabundas sempre que manifestam seus desejos", afirma a advogada Valéria Pandjiarjian, do Comitê Latino-Americano e do Caribe para a Defesa dos Direitos da Mulher. "Para muitas pessoas, ainda é inadmissível que tenham autonomia para fazer o que querem com o próprio corpo."
Vaidade feminina
Aos 20 anos, Geisy se comporta como uma porção de moças da mesma faixa etária. É falante, sorridente e uma vaidosa assumida. Não sai de casa sem maquiagem e salto alto nem para ir à padaria. Dá preferência a saias e vestidos curtos por achar que são mais femininos do que calças compridas. Não vive sem chapinha. Também não esconde que gosta de chamar a atenção e se sentir desejada. "Esse é o meu jeito e não vou mudar. Sou assim e pronto", afirma. Geisy ficou loira - e ganhou uma dose extra de autoconfiança - há uns seis anos. Na semana passada, alongou e clareou mais os cabelos. "As loiras têm um charme diferente. O meu sonho era ter um cabelão poderoso como o da Claudia Leitte", diz. Depois do ataque, Geisy mergulhou numa profunda crise de identidade. Largou o trabalho de balconista num mercadinho, o salário de R$ 400 e não foi mais à faculdade. "Já senti de tudo: ódio, raiva, revolta. Quis sumir do mundo para acabar com essa pressão", conta. Ficou enfurnada em casa remoendo uma culpa que não era dela durante uma semana. Só quando o escândalo repercutiu nos meios de comunicação, Geisy entendeu que a indecência não estava em suas coxas despidas ou em seu corpo parcialmente coberto pelo vestido rosa-choque. Indecentes foram as manifestações de machismo e intolerância a que ela fora submetida. "Os jovens que perseguiram Geisy não queriam pegá-la e sabiam que não iam fazer nada com ela", diz a psicanalista gaúcha Diana Corso, estudiosa da violência. "Aqueles marmanjos passaram a se manifestar de maneira obscena porque, caso contrário, seriam considerados pouco viris pelo grupo. Criou-se uma espécie de corrente em que era necessário que cada um provasse a própria virilidade." Linchamento moral Já dentro da sala, livre do tumulto, Geisy vestiu um jaleco branco cedido por um professor e se recolheu num dos cantos. Os seguranças tentaram dispersar o grupo que crescia em frente à porta. No intervalo a situação fugiu do controle. Não parava de chegar gente, homens e mulheres. Ficaram todos a postos no prédio, cuja arquitetura em forma de anel lembra uma arena, para fitar a loira "gostosa" que seria entregue às feras - tal qual os cristãos eram entregues aos leões há dois mil anos. Quando a escolta chegou para salvá-la, a manada se enfureceu mais e não se intimidou com a força policial. "Seus coxinhas (PMs) f.d.p., vão levar a gostosa?". Na visão míope da turba, o linchamento moral e - talvez - físico de Geisy seria justificável porque ela "provocou" e "queria causar" - alguns alunos dizem que Geisy deu uma puxadinha no vestido para encurtá-lo. Culpá-la por ter sido insinuante e ter rebolado, é como responsabilizar uma vítima de estupro pelo crime. "Vivemos num mundo preconceituoso, onde não há aceitação do diferente. Sinais de modernidade e de conservadorismo acabam coexistindo", afirma Marcos Nascimento, da ONG Promundo.
O que aconteceu na Uniban pode ser interpretado como a extensão de um comportamento comum nas escolas brasileiras de ensino fundamental e, principalmente, nas de ensino médio. As garotas são proibidas de vestir short ou blusinhas curtas porque, a partir da pré-adolescência, esses trajes podem desconcentrar os meninos. "A opção que se faz é fiscalizar como as meninas e mulheres se vestem e se comportam para que os meninos e os homens não tenham de se controlar", critica Ângela Soligo, professora da Faculdade de Educação da Universidade de Campinas. "Além de perverso, isso é negativo para ambos os sexos porque reprime a mulher e não ajuda o homem a amadurecer." Os muçulmanos exigem que suas mulheres vivam cobertas da cabeça aos pés, em parte, pela crença de que o macho seja incapaz de frear os seus desejos. As responsabilidades O prazo para que a Uniban envie ao Ministério Público Federal (MPF) e ao Ministério da Educação (MEC) cópias da sindicância que resultou na expulsão de Geisy se esgotará na próxima quarta-feira 18. No MPF, há um inquérito para apurar se o desligamento da estudante ocorreu por discriminação e se ela teve direito a ampla defesa. "Ter revogado a expulsão tão rápido, juridicamente, piora a situação da Uniban", afirma Jefferson Aparecido Dias, procurador regional dos Direitos do Cidadão, que trabalha no caso. "Isso é um indicativo de que está tudo errado lá dentro." Se for constatada alguma irregularidade, diretores e integrantes do conselho podem ser processados por improbidade administrativa, ser multados e perder seus cargos. A universidade corre o risco de ser proibida de realizar vestibular e aumentar o número de cursos. E, em última instância, pode perder o registro de funcionamento. Apesar de a "autonomia universitária" não permitir que o MEC intervenha na Uniban, a Justiça pode determinar que a instituição seja supervisionada.
Quantidade e qualidade
A Uniban é a quarta maior universidade do Brasil em quantidade de matrículas. Em qualidade de ensino, está em 159º lugar numa lista de 175 instituições. Ou seja: para o MEC, é a 16ª pior do País. Por muito pouco, ela não perdeu a "autonomia universitária" no ano passado. O seu desempenho no Índice Geral de Curso (IGC), que mede a qualidade do ensino superior, ficou no limite mínimo: alcançou 195 pontos numa escala que vai de 0 a 500. É surpreendente que a universidade continue de portas abertas. O MEC acompanha de longe o desenrolar do caso Geisy. Por intermédio de sua assessoria de imprensa, afirma que sob a sua alçada estão apenas as questões pedagógicas, didáticas e avaliativas. E que a decisão da Uniban de revogar a expulsão mostra que não houve crime naquele episódio. Questionado por ISTOÉ se o machismo, o preconceito e a intolerância não seriam problemas relacionados à pasta, eximiu-se de responsabilidade alegando tratar-se de uma questão de comportamento social e não educacional. Esta é a resposta fácil. Mas vários crimes foram cometidos na Uniban (leia quadro na pág. anterior). Por isso, a sociedade tem de cobrar das autoridades uma resposta à altura, para ter garantias de que nenhum cidadão será a Geisy de amanhã, dentro ou fora de instituições de ensino. A readmissão de Geisy foi determinada pelo reitor Heitor Pinto e Silva Filho, 63 anos, conhecido nos corredores da universidade como um administrador centralizador e reservado. Silva Filho investiu pesado na aquisição de escolas em São Paulo nas últimas décadas. Há 15 anos, as reuniu e criou a Uniban. Quando saiu candidato a vicegovernador de São Paulo, em 2002, na chapa de Paulo Maluf, declarou à Justiça Eleitoral ser dono de um patrimônio avaliado em R$ 34 milhões. Na juventude, Silva Filho foi militante da Arena, partido de sustentação dos governos militares. Mas a experiência política parece não tê-lo ajudado na condução desse escândalo. A advogada Carmen Hein de Campos, perita em questões de gênero, acredita que a Uniban tenha tentado manter os cofres cheios ao mandar para fora uma única pessoa, Geisy, a "aluna-problema". "Ao tomar uma decisão simplista, a universidade se negou a fazer uma discussão interna e a gravidade da violência saiu pela tangente. Do ponto de vista econômico, seria muito mais vantajoso expulsar uma aluna do que centenas", diz. Mulher subalterna Geisy foi punida por ser quem é. A humilhação, nos moldes de um circo romano, foi uma tentativa intolerante e machista de conduzi-la à condição de "mulher ideal": subalterna. Essa relação de poder foi descrita de forma exemplar no clássico "O Segundo Sexo", da francesa Simone de Beauvoir (1908-1986). Ícone da luta pela emancipação feminina, Simone afirmou em 1949 que "não se nasce mulher, torna-se mulher": a submissão é imposta ao sexo feminino. O movimento feminista tenta, há décadas, modificar um padrão milenar de comportamento, muitas vezes, ampara do pela legislação. Até 2003, o Código Civil Brasileiro considerava o marido o "chefe da família". No Código Penal, o estupro está relacionado no capítulo "dos crimes contra os costumes". "Na Antiguidade, mulheres adúlteras eram apedrejadas por aqueles que não podiam tê-las", afirma o desembargador Antonio Carlos Malheiros, do Tribunal de Justiça de São Paulo. "Na universidade, os que não podiam ter Geisy gritavam para destruí-la." De acordo com a advogada Valéria Pandjiarjian, o caso é passível de litígio internacional porque os direitos humanos de Geisy foram violados. "Isso parece caça às bruxas, inquisição, coisa de fundamentalismo talibã. Em apenas um dia, conseguimos recuar séculos." comportamento...filha, sou gay...pela revista Istoé 16/11/09
"Filha,
eu sou gay "
Gabriel tinha 15 anos quando o pai, que se divorciara da mãe alguns anos antes, o convidou para comer pizza, um programinha trivial que, no entanto, marcaria de forma especial a vida do adolescente. Gabriel idolatrava o pai. Considerava-o seu melhor amigo, um exemplo a ser seguido. Por isso, soou como uma pancada a frase curta e definitiva dita por Oswaldo Braga, 51 anos, enquanto ambos estavam à mesa. "Eu sou gay", falou o consultor técnico do Ministério da Saúde. "Na hora fiquei engasgado. Não sabia o que falar, tamanho o meu espanto com a revelação", lembra Gabriel. O garoto praticamente rompeu os laços afetivos com o pai e só os restaurou quase dez anos depois. Mas, hoje, se diz feliz por ter conseguido superar o preconceito. "Se os gays são minoria, eu sou a minoria da minoria, porque sou filho de pai gay", diz Gabriel, 24 anos. Ele disse que se orgulha de ter aprendido com o pai que o melhor mesmo é viver uma vida verdadeira. "Não é uma situação fácil de ser enfrentada", admite Braga "Mas é necessária."
Há uma grande distância entre saber e aceitar. A psicóloga paulista Vera Lúcia Moris, que coordena dois grupos de 30 pais gays, lembra que a adolescência é um período marcado por crises, inclusive com relação à sexualidade. "E o jovem pode ter problemas para aceitar, compreender ou lidar com a revelação da homossexualidade do pai", alerta. Mas é possível minimizar muito o impacto da revelação. O trauma é menor quando a criança cresce sabendo da orientação sexual do pai ou da mãe. Este é o caso da estudante paulistana Bruna Peixe dos Santos, 18 anos, que começou a tomar consciência, gradativamente, do homossexualismo da mãe a partir dos 4 anos. A frase "Filha, eu sou gay" foi sendo assimilada aos poucos e, hoje, Bruna assegura que não vê problema nenhum no fato de a mãe, Alexandra, ter mudado o nome para Alexandre Santos - o Xande que preside a Associação da Parada do Orgulho GLBT de São Paulo. Mas a tranquilidade com que Bruna lida com o tema não reflete os aborrecimentos e decepções que já enfrentou. "Tive um namorado que terminou comigo quando lhe contei. E tive amigos e pais de amigos que se afastaram por causa do preconceito", conta ela. "Em compensação, tenho muitos outros amigos que dizem que queriam ter um pai como o meu", arremata Bruna, que chama Xande de "pãe". A homofobia é causa da rejeição de muitos filhos. Temendo serem vítimas de preconceito e chacotas, eles optam pelo afastamento do pai ou da mãe homossexual. "A gente morava no interior. Todo mundo sabia que meu pai era gay. Os colegas zombavam da gente, nos humilhavam", conta a atriz paulista Gabriela (que pede para não revelar o sobrenome), 29 anos, grávida de seis meses. Ela tinha 18 quando o pai revelou que estava namorando um rapaz, e pediu apenas compreensão. "Foi um choque. Incomodou muito. Cheguei a me envolver com uma mulher só para afrontar meu pai", recorda a atriz, que levou cinco anos para voltar a ter um bom relacionamento com o pai. "Li muito. Isso me ajudou a entender melhor a situação toda. Amo meu pai e tenho muito orgulho dele."
O universo de casais gays será dimensionado a partir do ano que vem pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), que fará uma pesquisa para saber quantos casais homossexuais residem nos 58 milhões de domicílios brasileiros. Certamente, o resultado dará uma ideia do quadro, mas não um número exato porque muitos preferem esconder a opção. Até nove anos atrás, se participasse da enquete do IBGE, o advogado carioca Marcelo (que não quer seu sobrenome divulgado) teria mentido, inclusive porque ainda estava casado. Ele "saiu do armário" - termo popular para dizer que uma pessoa se assumiu gay - ao ser pressionado pela exmulher. "Ela perguntou e eu confirmei", diz. Marcelo saiu de casa quando o filho tinha 3 anos e resolveu que era hora de revelar o fato para o menino aos 10. "Falei para ele, sem rodeios: 'Papai é gay.'" A reação do garoto surpreendeu: "Pô, pai, tô cansado de saber. Não falei antes porque fiquei constrangido. Não tem o menor problema." Mas sua ex-mulher, ao contrário, reagiu mal e passou a proibir os encontros dos dois, alegando que ele poderia ser má influência. Sem ver o filho há dois anos, porque o menino se recusa a encontrá-lo, Marcelo luta contra uma depressão profunda e tenta, na Justiça, recuperar seus direitos. A batalha é longa. Há juízes que acreditam que a relação entre pais gays e seus filhos pode comprometer o desenvolvimento sadio da criança ou do adolescente. Não é raro o juiz sugerir que as visitas dos pais homossexuais sejam realizadas sem a presença do companheiro gay. A desembargadora gaúcha aposentada Maria Berenice Dias, vice-presidente do Instituto Brasileiro de Direito da Família, discorda. "Não afeta o desenvolvimento nem leva o filho a ser homossexual também. Afinal, o homo é filho do hetero", diz. Para a escritora Edith Modesto, 71 anos, fundadora do Grupo de Pais de Homossexuais (GPH), a revelação tende a ser mais bem digerida quando o filho tem até 4 anos de idade. "Porque o preconceito ainda não está arraigado, principalmente em relação às pessoas que elas amam." Mas, lembra ela, o fato de o filho aceitar a homossexualidade dos pais não implica, necessariamente, aprovação. O estudante Alan Rudolf, 17 anos, que mora com a mãe, a mecânica de avião Adriana Piske, 36 anos, e com a companheira dela, Kelly Vasconcelos, em Curitiba, Paraná, é bem sincero quanto a isso: "Não concordo, mas respeito", diz Alan, que soube da homossexualidade da mãe quando tinha 6 anos. "Para mim não era normal, mas acabei aceitando." 28/09/2009 no mundo das lésbicas (revista istoé 28 de setembro de 2009)
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| A DJ Nina Lopes, 37 anos, toca todo sábado na primeira festa fixa voltada para lésbicas de São Paulo. "De um ano para cá, teve um boom de baladas para mulher. Temos eventos de sexta e sábado toda semana e outros esporádicos, uma vez por mês ou a cada 15 dias", conta. Alguns chegam a atrair 2,5 mil pessoas. Nas baladas para mulheres homossexuais, a paquera é sutil. Em vez de abordagens agressivas, as meninas dançam coladas, lançam olhares, esperam uma resposta. Na Superdyke, festas homossexuais femininas, no UltraClub, onde Nina comanda o som, o público está na casa dos 20 anos. Se em lugares públicos namoradas nem sequer podem dar a mão despreocupadamente, lá, casais dão beijos apaixonados. Na pista, garotas dançam bem perto, encaixando os corpos, numa liberdade difícil de imaginar numa festa heterossexual. As atrações da pista são o ponto alto da noite, com shows de gogo dancers e strippers - moças se aglomeram ao redor do palco e gritam, assoviam. No lounge, casais namoram, conversam e dão risada, como se estivessem em bancos de parque, mas sob a proteção das quatro paredes da casa. As lésbicas querem um espaço só delas. "Quando se fala em movimento gay, as pessoas nem pensam em mulheres. Então é um jeito de dizer que existimos" Em muitas coisas, as mulheres homossexuais querem ser iguais aos homens gays: nos direitos civis e na aceitação social conquistados, por exemplo. Em outras, querem que suas diferenças sejam respeitadas e valorizadas. O que se constata quando se mergulha no mundo das lésbicas é que elas não querem abrir mão de um espaço próprio. Ou seja, não querem ficar a reboque dos homossexuais masculinos. Para dar conta dessa necessidade, está surgindo um movimento silencioso, com eventos, produtos e serviços voltados para esse público. As baladas que se multiplicam são um exemplo. Mas o fermento dessa iniciativa é a internet. A escritora Karina Dias, 30 anos, começou com um blog e acaba de lançar o romance lésbico "Aquele Dia Junto ao Mar". "Quando se fala em movimento gay, as pessoas nem pensam em mulheres. Então é um jeito de dizer que existimos", afirma Karina, que recebe dezenas de emails por dia de garotas que não sabem como lidar com a descoberta da sexualidade. "Eles vêm carregados de dúvidas e medos. Isso é um grande impulso para continuar escrevendo."
A internet mostrou que havia um público negligenciado até mesmo pela mídia gay. "Dentro de um mundo machista, as lésbicas são a minoria da minoria", diz Paco Llistó, editor do Dykerama (dyke é gíria para lésbica, em inglês), site voltado para lésbicas e bissexuais que existe há dois anos e chega a picos de um milhão de acessos por dia. "O machismo pauta até mesmo parte do movimento LGBT (Lésbicas, gays, bissexuais e transexuais). Não só na militância, mas de forma editorial e cultural", afirma Llistó. "Agora elas começam a ganhar espaço." Mais recente, o site Parada Lésbica tem também uma rede social só para elas. A editora do site, Del Torres, 29 anos, apostou na diversificação de assuntos, sob a perspectiva homossexual feminina. "Lésbicas, acima de tudo, são mulheres e gostam de textos mais sensíveis", afirma Del. Outra ideia foi criar um ponto de encontro virtual para as meninas. Daí surgiu o Leskut, que tem hoje 19 mil perfis e recebecerca de 100 adesões por dia. "Chats de grandes portais estão cheios de heterossexuais e casais procurando alguém para transar. Como o Leskut é um ambiente mais controlado, elas se sentem confiantes."
A socióloga francesa Stéphanie Arc, autora de "As Lésbicas" (Ed. GLS), que acaba de ser lançado no Brasil, acredita que as homossexuais femininas estão certas em tentar afirmar sua identidade dentro do movimento gay. "Afinal, elas encontram dificuldades específicas na sociedade", reconhece. Mas essa participação é um fenômeno bastante recente. "Existia uma ideia forte de que as mulheres não militavam. E, da forma tradicional, não participavam mesmo", afirma a escritora Valéria Melki, 43 anos. Valéria enfatiza que é importante que a militância assimile as diferenças. "Sexualidade para os homens é um valor, para as mulheres é um horror. Uma mulher sexualmente livre é malvista, ao contrário do homem. Isso afeta a mulher lésbica." A escritora foi uma das criadoras do grupo Umas e Outras, que reunia lésbicas para saraus literários. Outra das criadoras, Laura Bacellar, comemorou um ano da primeira editora lésbica do Brasil, a Malagueta.
Laura fundou a editora junto com sua companheira, Hanna K. "Nos nossos romances, queremos protagonistas e visão homossexuais claras e assumidas", afirma Laura. Há duas gerações escrevendo atualmente: autoras mais velhas, entre 40 e 50 anos, que participaram da primeira fase do movimento gay, e uma nova geração, na casa dos 30 anos, que se formou na internet. "É um pouco mais fácil para elas do que foi para a geração anterior, as famílias aceitam com mais tranquilidade", diz Laura. "Elas são mais diretas em seus textos para falar o que acontece na cama, em detalhes, sem tanto pudor." Outras editoras estão despertando para o nicho. O Grupo Editorial Summus tem o selo GLS, que só neste ano lançou seis títulos e cresceu 10% mais do que o resto do grupo. "As publicações voltadas para as lésbicas estão mais interessantes", reconhece Soraia Bini Cury, editora-executiva da Summus. "Mas não existia abertura para esses livros. De uns tempos para cá, elas estão assumindo junto com os gays a militância pelos direitos humanos", diz a editora. Os críticos desse movimento alertam para o perigo de as lésbicas quererem se fechar em guetos, justamente no momento em que os gays estão conseguindo mais espaço na sociedade. A semióloga Edith Modesto, que acaba de lançar "Entre Mulheres", de depoimentos homoafetivos, discorda. "Isso é preconceito", afirma. "Não se trata de se isolar. Pessoas com as mesmas características se sentem bem de ter um espaço próprio para discutir seus assuntos." Para Stéphanie Arc, a ideia de gueto também não se aplica. "Não é um conceito exato, porque o gueto é onde você está à força, contra a sua vontade. E isso jamais me ocorreu quando estou num bar para mulheres."
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| Nas baladas e eventos de mulheres homossexuais se constata que elas querem um espaço próprio, independente dos homens gays Verônica Mambrini 25/09/2009 Zélia Duncan mostra coragem e poesia no Teatro da UFPEPublicado em 20.09.2009, às 12h57
uma plateia assistia, atônita, a uma das mais surpreendentes apresentações da cantora Zélia Duncan, na nova turnê Pelo Sabor do Gesto, no lotado Teatro da UFPE. A emoção durante a performance de Todos os Verbos, cantada em voz e Libras (Linguagem brasileira de sinais), deixava clara a direção da atriz Ana Beatriz Nogueira, que conduziu uma Zélia mais leve e intimista, capaz de repassar para cada um da plateia, um sem-fim de bons sentimentos. O bis veio sem Catedral, reforçando que a noite era dedicada à novidade. Por muita insistência, Zélia cantou em coro o sucesso Não Vá Ainda, talvez a verdadeira mensagem que o público gostaria de deixar à cantora. Pelo Sabor do Gesto acaba de sair em turnê pelo Brasil e o Recife foi a primeira capital do Nordeste a receber o show. Quem perdeu a única apresentação pode captar parte dessas emoções nas imagens desta matéria ou no CD homônimo, já à venda na cidade. Levará para casa uma Zélia meiga, sonhadora e amorosa, e poderá se perguntar: ela foi sempre assim e eu não sabia?
28/08/2009 onde está seu preconceito... |
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